Tema do dia -
Na trilha
de Athos
Visita a obras do artista serão retomadas em agosto após interrupção de dois anos. Quinze escolas participam do projeto
João Campos
Da equipe do Correio
| Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Press |
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Crianças da Escola Classe 407 Norte na frente de painel de Athos: descobrindo o artista
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Alunos da Escola Classe 316 Sul fizeram desenhos inspirados nos mosaicos coloridos de Athos
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.Parece que foi uma criança que fez esse desenho, tio., comentou a pequena Raica Almeida, 7 anos, com a reportagem do Correio, na tarde de ontem. Aluna da 1ª série da Escola Classe 407 Norte, ela se identificava com a fachada repleta de azulejos brancos e azuis do artista Athos Bulcão, que cobrem toda a entrada do lugar. A criança não sabe que aqueles simples traços são uma relíquia da história de Brasília. Foram colocados ali, ainda na década de 1960, pelo maior artista plástico que a capital já teve. Em agosto, Raica e os demais coleguinhas poderão participar do programa Na Trilha dos Azulejos, que proporcionará a alunos de escolas públicas do DF uma viagem pela obra e vida do homem que pôs cor no cenário branco e cinza da arquitetura da capital.
Durante três dias, turmas de 15 colégios da rede pública visitarão o acervo do artista que completaria 50 anos de Brasília no próximo dia 15 e morreu anteontem, aos 90 anos de idade. Além de obras clássicas, como o Teatro Nacional e a igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul o roteiro inclui as menos conhecidas do mosaicista, como os murais de azulejo no Mercado das Flores e as estruturas do hospital Sarah Kubitschek. .O desejo de Athos era colocar a arte ao alcance de todos, quebrar a idéia elitista de que é preciso certo nível social ou intelectual para ir a um museu. Ele fez de Brasília uma galeria de arte a céu aberto., contou a turismóloga Lana Guimarães, 33 anos.
A trilha de Athos é dividida em três etapas. Na oficina de sensibilização, os pequenos aprendem quem foi o artista, o que é patrimônio e qual a importância de preservar o acervo do artista plástico. Num segundo momento, é hora de andar pelas ruas de Brasília para o contato com as obras. Depois vem o momento de refletir e botar a mão na massa numa oficina de arte.
As visitas de alunos aos locais com obras de Athos é uma idéia de 2001. O próprio artista participou do projeto, sugerindo os trabalhos a serem conhecidos. Em 2005 e 2006, os dois centros de ensino que contam com murais do artista na fachada . 407 Norte e 316 Sul . foram palcos da estréia do projeto. .Ficamos dois anos parados, pois não havia apoio. Só a gora conseguimos um edital da Petrobras para realizar o circuito., lembrou a consultora da Tríade, Luciana Amado, que conta com a parceria da BrasíliaTuir e do Sebrae para efetivar o projeto. As visitas começam este mês e as escolas interessadas já podem se inscrever (veja quadro).
Na tarde de ontem, os alunos das 1ª, 2ª e 3ª séries da Escola Classe 316 Sul se preparavam para prestar a última homenagem ao artista que colocou dois painéis no colégio. Eles foram acompanhar o cortejo do corpo de Athos Bulcão que passou pela avenida W3 Sul por volta das 16h30. Cada um pintou uma réplica dos mosaicos. Felipe de Araújo, 9 anos, é um dos destaques da sala quando se trata de pintura. .Quero ser artista como ele, para botar a arte na rua., declarou o garoto da 2ª série. A professora Maria Betânia de Almeida faz questão de trabalhar a memória do artista em sala de aula. .É a melhor forma de preservarmos a obra, informar as crianças..
PARTICIPE!
As inscrições para o programa Na Trilha dos Azulejos já estão abertas e podem ser feitas pelo telefone 3272-3788 ou pelo e-mail triade@triadepatrimonio.com.br.
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Roteiro
Confira os pontos selecionados pelo programa Na Trilha dos Azulejos para apresentar vida e obra de Athos Bulcão a crianças de 15 escolas públicas do Distrito Federal. As visitas começam em agosto.
Igrejinha Nossa Senhora de Fátima . 307/308 Sul
Parque da Cidade
Torre de TV
Teatro Nacional
Instituto de Artes da Universidade de Brasília
Escola Classe 407 Norte
Jardim de Infância e Escola Classe 316 Sul
Mercado das Flores . 916 Sul
Hospital Sarah Kuibitschek
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Acervo
ameaçado
Dois dias após a morte de Athos Bulcão, a obra do pioneiro começa a ganhar o devido reconhecimento na cidade que ajudou a erguer. Promessas para recuperar e preservar a memória do artista surgem de todos os lados. O governador José Roberto Arruda afirmou quer vai manter a Fundação Athos Bulcão no anexo da Secretaria de Cultura, após recente ameaça de despejo. Segundo ele, a instituição poderá ganhar sede própria no Eixo Monumental. A Secretaria de Obras do Distrito Federal anuncia investimento na recuperação de trabalhos do artista corroídos pelo esquecimento e pelo vandalismo. O retrato do descuido está por toda a parte.
Os azulejos em branco, azul e cinza que revestem a parede central do Mercado das Flores estão sujos, rachados e há vários fora do lugar. Os da Escola Classe 407 Norte passam pela mesma situação. As laterais do Teatro Nacional ganharam blocos brancos de concreto em 1966, projetados por Bulcão. Com o tempo, a chuva enferrujou o ferro que os prendia à parede e a sujeira acumulada criou manchas pretas. O lado voltado para a Esplanada dos Ministérios ainda está danificado, mas uma parte recebe reparos. Para o secretário de Obras do DF, Márcio Machado, a previsão é de que a reforma termine em outubro. .Os blocos das fachadas estão sendo refeitos porque quase todos estavam rachados e com infiltrações. O objetivo é manter a aparência do projeto original., explicou.
A obra começou em abril do ano passado e custará R$ 3 milhões. Duas peças originais de Athos Bulcão já sumiram do acervo da capital e há poucas chances de recuperá-las. A primeira é a porta de entrada da Igrejinha da 307/308 Sul, feita com madeira e vidros coloridos, como em um vitral. Ela foi substituída e não se sabe onde está guardada. Outra perda irreparável é a do painel de uma das casas do conjunto da Fazendinha, na Vila Planalto. (JC)
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