Células da esperança

Thomaz Pires
Do correiobraziliense.com.br

As expectativas para descobertas de curas para doenças e paralisias irreversíveis continuam depositadas em uma única esperança. Com os avanços significativos e comprovados pela ciência, os estudos em terapias celulares criam uma sensação de euforia nos portadores de patologias ou vitimas de acidentes. Desde então, pressa tem sido a palavra de ordem entre os maiores interessados para a liberação definitiva dos estudos. Enquanto para algumas pessoas a discussão sobre terapias celulares é apenas de caráter polêmico, para outras representa um caminho vital para a descoberta tratamentos promissores.

Unidas pela mesma esperança, as irmãs Gabriela Costa, 33 anos, e Mariana Costa, 30 anos, enxergam as pesquisas com células-tronco como a maior possibilidade para voltarem a andar. Há mais de vinte anos, as duas funcionárias públicas diagnosticaram a distrofia muscular e foram obrigadas em aceitar a cadeira de rodas. Aos poucos, foram perdendo os movimentos. Atualmente, passam por sessões regulares de fisioterapia e tomam medicamentos controlados, como enzimas, para evitar o avanço da doença.

Mariana lembra a chegada da doença como um dos momentos mais difíceis. Segundo ela, houve dificuldade de adaptação no início. “Eu simplesmente comecei a cair. Não conseguia mais subir escadas e demorei muito para ter um diagnóstico preciso. Também acabei deixando alguns esportes”, conta. As duas descobriram a presença de um gene recessivo nos pais, que não chegou a se manifestar no irmão casula.

As expectativas sobre novos tratamentos despertaram nas irmãs envolvimento profundo no debate a respeito da legalidade sobre células-tronco. Há mais de quatro anos, as duas se participam de Organismos Não Governamentais (ONGs) e passaram a atuar como defensoras aguerridas das terapias celulares. “É muito triste saber que há uma esperança de cura, mas que ela sofre entraves por uma discussão moral. Para gente, isso é o mais dolorido”, avalia Gabriela. “Sabemos que as pesquisas são demoradas. Queremos apenas começar o processo para quem sabe garantir curas para gerações futuras”, completa.

Levantamentos do Movimento em Prol da Vida (Movitae) aponta a existência de 24,5 milhões de pessoas que sofrem com alguma doença genética no país, como diabetes, distrofia ou muscular. Os estudos em desenvolvimento que vem sendo realizados por meio de incentivos do governo mostram que as terapias celulares podem aumentar em até 40% as chances de curas.