Turistas sexuais trocam informações pela Internet
Mariana Branco
Do correiobraziliense.com.br
Muitos turistas sexuais não fazem uso da estrutura organizada de venda de sexo disponibilizada pelas agências de viagem, mas utilizam-se de fóruns, grupos de discussão e sites na Internet para troca de informações e dicas. Munidos de dados sobre preços, hotéis que são menos rigorosos na fiscalização, serviços de agenciamento de garotas ou locais onde encontrá-las, eles viajam com todo o conforto, segurança e certeza da satisfação. Há dezenas de espaços virtuais do tipo espalhados pela rede. Em todos, o Brasil é repetidamente mencionado como um dos paraísos para prática do turismo sexual.
Em um desses sites de discussão, um homem que diz ser português relata que acabou de voltar de Fortaleza (CE) e afirma que “a cidade toda é um bordel”. Ele aconselha os companheiros do fórum a irem à capital cearense, mas recomenda que tenham “cuidado com as profissionais”. “Muitas delas tentam colocar alguma coisa no seu drink, te fazer dormir e roubar todo o seu dinheiro”. Ele elogia, ainda, o hotel onde ficou, onde “ninguém fez perguntas” sobre as garotas, e, solícito, fornece o nome do estabelecimento. “Elas apenas tinham que deixar a identidade na recepção, e, quando elas saíam, os caras me ligavam para saber se estava tudo bem comigo antes de deixá-las ir”.
Além de Fortaleza, são citadas na página outras cidades da região Nordeste, como Natal (RN), Salvador (BA) e Teresina (PI). O Rio de Janeiro também aparece recorrentemente. E, ainda, são mencionadas diversas cidades que não são tidas como rotas tradicionais de turismo sexual, como São Paulo, Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Cuiabá (MT), Belém (PA) e Campinas (SP).
Porto Alegre é classificada por um dos homens, que não informou sua nacionalidade, como “um paraíso”, que teria “as garotas mais bonitas do Brasil”.Ele recomenda bares de encontros, fornecendo endereço, preços e dando detalhes sobre o serviço. Muitos postam mensagens perguntando onde encontrar garotas brancas. Um, que também não mencionou a nacionalidade, se mostra indignado com alguns relatos de preços e dá um puxão de orelha nos companheiros. “Por que vocês estão destruindo uma coisa boa do Brasil?” Vocês estão pagando demais a essas garotas! Caras, não vamos estragar a brincadeira. Por favor, mantenham os preços baixos”.As postagens são todas em inglês e os membros se identificam por apelidos.
Um outro fórum na Internet, também em língua inglesa, se descreve como “um espaço interativo de discussão (...) dedicado a prover informação sobre viagens adultas a locais exóticos para homens solteiros”. É exigido cadastro e senha para ter acesso ao conteúdo. Há postagens com dicas sobre o Brasil, Uruguai, Argentina, Cuba, China, Tailândia, Filipinas, Malásia e Camboja, entre outros.
Segundo informações da Assessoria de Comunicação da Polícia Federal, a princípio os usuários desses sites não estão infringindo a lei, já que fazer uso de serviços de prostituição de adultos não é crime. Entretanto, ainda segundo o órgão, há o monitoramento constante de páginas do tipo em parceria com a força policial de outros países e com a Interpol, já que, de acordo com a PF, o turismo sexual adulto considerado legal anda sempre próximo de práticas ilegais como o sexo com menores, a exploração sexual e o tráfico internacional de seres humanos.
