Setor Hoteleiro Sul é ponto lucrativo para garotas de programa em Brasília
Mariana Branco
Do correiobraziliense.com.br
Em Brasília, capital Federal, o Setor Hoteleiro Sul é um dos locais onde se concentram as garotas de programa e travestis que vendem seus serviços nas ruas. Há movimento de segunda a segunda. O ponto é considerado bom porque é possível captar os clientes que circulam de carro, moradores do Distrito Federal, e, ainda, subir para os hotéis próximos com os turistas, que pagam melhor.
Quem não gosta nada da história é o empresariado, que acha que a presença das meninas e travestis é prejudicial à imagem do Setor Hoteleiro. Entretanto, como a prostituição individual não é ilegal de acordo com a lei brasileira, nada podem fazer para tirá-los da área. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do DF (ABIH-DF), apenas é exigida a carteira de identidade na recepção, para assegurar que quem sobe é maior de idade, e cobrada uma taxa calculada sobre o valor da diária, que, segundo a associação, é a mesma exigida de qualquer tipo de visitante que passe a noite com o hóspede.
“A lei protege, então a gente não pode fazer nada. O que o trade turístico de Brasília combate é a prostituição infantil, de menores. Mas gostaríamos de moralizar o Setor Hoteleiro. Ali é uma área de família”, diz Thomaz Ikeda, presidente da ABIH-DF.
Direitos
As garotas de programa e travestis, por sua parte, afirmam não terem intenção de abandonar a área.“Tem gente que faz cara feia quando a gente sobe para os hotéis. Policiais também já nos levaram para a delegacia e puxaram a ficha de todas para ver se a gente tinha passagem. Disseram que era de rotina, que era cadastramento. Eu não ligo. Não estou fazendo nada de errado, sei dos meus direitos”, afirma T., 25 anos. “Aqui é seguro, iluminado, e tem a possibilidade de subir para os hotéis. Nos quartos a gente cobra mais caro porque é mais tempo com os clientes e porque eles têm condições de pagar melhor do que os dos carros”, acrescenta a garota.
R., 27 anos, também acha o ponto vantajoso e diz que os homens atendidos nos hotéis estão, na maioria das vezes, viajando a negócios. “É gente de todo lugar do Brasil, São Paulo, Curitiba. De vez em quando vem um estrangeiro”, relata R. A travesti Yasmin, 35, afirma que prefere atender aos clientes dos hotéis, porque se sente mais segura nos quartos. “Acho que corro risco no carro”, comenta.
De acordo com as garotas e travestis, o preço de um programa no carro varia de R$ 20 a R$ 60. Nos hotéis, elas cobram de R$ 70 a R$ 100. Além de pagar pelo programa, o cliente deve arcar com a taxa que os estabelecimentos cobram para deixar subir o acompanhante, que varia de R$ 20 a R$ 90, dependendo do valor da diária.
A jovem M., 24 anos, afirma que alguns hotéis fazem um acréscimo de 10% à taxa normal que cobram por visitante quando o hóspede deseja subir com uma garota de programa. A ABIH-DF, no entanto, nega que exista essa prática. “É a mesma taxa para qualquer cliente que traga um acompanhante, seja parente dele, seja garota de programa. Ele pagou por uma diária só e está trazendo mais uma pessoa, isso tem um custo”, diz Thomaz Ikeda.
