Notícias
Pesquisa:  


07/09/2009 -


O grito do Ipiranga

Ana Paula Corradini

Em 1822, ano da Independência do Brasil, ainda não existia celular com câmera (ou celular, né?), cinegrafista de televisão (nem televisão), nem paparazzi para ficar no pé das celebridades daquela época. Por isso, para saber como tinha sido um acontecimento importante, o pessoal tinha que contar com a boa vontade dos observadores e fofoqueiros que estivessem por perto. Então, como saber o que aconteceu de verdade quando D. Pedro I levantou sua espada às margens do riacho Ipiranga, no dia 7 de setembro, e declarou nosso país, que na época era colônia de Portugal, independente?

Mais difícil ainda era retratar esse dia tão especial 69 anos depois, quando o pintor Pedro Américo começou a trabalhar no quadro Independência ou morte, que fica em exposição permanente no Museu Paulista da USP, em São Paulo, mais conhecido como Museu do Ipiranga. A obra ficou pronta em 1888, um ano antes do fim do Império no Brasil. Como o imperador D. Pedro II não queria a República de jeito nenhum, Pedro Américo deu uma valorizada no jeitão de herói do pai do governante.

E nem tudo aconteceu direitinho como ele pintou. Clique na imagem com os sete erros do 7 de setembro

Só





1- Transporte simplezinho

No dia da proclamação da Independência,D.Pedro I e sua comitiva viajavam de São Paulo até Santos, mas é claro que não existia nem pedágio, então imagine como a estrada era perigosa, cheia de ribanceiras ótimas para um capote.Assim, esqueça os cavalos puro-sangue do quadro.Na verdade, todo mundo viajava no lombo de...mulas!

2- Luxo exagerado

Como a galera da viagem já estava na estrada havia dois dias, esses modelitos de almofadinhas eram demais para a jornada. Quem poderia ficar à vontade com esses uniformes engomadinhos? Provavelmente, eles usavam roupas mais simples e confortáveis.

3- Incidentes de percurso

Com essa cara de vitorioso de D. Pedro I no quadro, não tinha para ninguém. Olha essa pose de herói, empunhando a espada e tudo. Mas, na verdade, naquele dia o imperador deveria estar é com uma careta de dor. É que ele estava com dor de barriga! Para muitos historiadores, o “incidente” era por causa do cansaço da viagem.

4- Ei, quem é você?

Naquela época também não existia Pânico na TV, nem os “Roberts” (aquele povo que adora aparecer em fotos com celebridades), mas o Pedro Américo fez questão de se colocar no quadro: ele é o carinha montado no cavalo lá no canto esquerdo, no alto e, é claro, nunca participou da cena de verdade. Mais um erro!

5- Quadro superpopuloso

Esqueça essa multidão da cena:na verdade, a comitiva de D.Pedro tinha só umas nove ou 10 pessoas, e não esse povaréu todo. E mais: esses soldados montados em cavalos brancos à direita, com um elmo com penachinho, são os Dragões da Independência, o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, que só ganhou esse nome em 1927, e também não estava lá.

6- O esquisito

No quadro, a gente pode ver o famoso riacho do Ipiranga bem no pé da pintura, à direita. Mas, na verdade, de acordo com a localização do morrinho onde eles estão, o rio está perto demais, e deveria passar por trás de quem observa a cena. O pintor mudou até a geografia do pedaço.

7- Casa fantasma

Aquela casinha que aparece no canto direito do quadro, construída em pau-a-pique, é a Casa do Grito, que existe até hoje nos jardins do Museu Paulista. O problema é que os documentos mais antigos da casa são de 1884, ou seja: ela também não estava lá na hora do grito. O mais engraçado é que essa construção ficou meio abandonada até 1955, quando o pessoal resolveu restaurá-la,e a casa até ganhou uma janela a mais, para ficar igualzinha à que o artista pintou.

- Informações de Miyoko Makino,professora de História do Museu Paulista.

Saiba mais:

Independência ou morte





Acompanhe as novidades do Eu, estudante no Twitter




Deixe seus comentários aqui

Nome:

E-mail:

Comentário:

Digite o código que aparece na imagem:

Clique aqui para ver todos os comentários Total de comentarios: 1

Último Comentário:
07/09/2009 - 18:19 Por: Geraldo Tasso A. Rocha
São as chamadas "licenças poéticas" encontradas em qualquer quadro famoso e antigo. Até na Mona Lisa. Quantas fisionomias diferentes você já viu de Napoleão Bonaparte?