w3 sul
ORGULHO DE PIONEIRO
Gerda Gumprich e o marido moram há 41 anos em uma casa na 714. Ela não troca a avenida por nenhum endereço
Fabíola Góis
da equipe do Correio
 |
|
Construção das casas das quadras 700 na W3 Sul: imóveis voltam a ser valorizados
|
As casas foram construídas para os candangos que não tinham
condições de comprar as futuras mansões da capital. O trânsito
da avenida era tão tranqüilo que não existiam semáforos.
Os comerciantes precisavam ter paciência para conquistar os clientes. Os
moradores não tinham de andar muito para comprar tudo o que queriam. A
W3 Sul era o centro do comércio do Distrito Federal na década de
60, e os moradores das quadras 700 viveram tempos áureos na primeira avenida
de Brasília. As histórias contadas pelos pioneiros enchem de orgulho
os que chegaram primeiro e são de dar inveja aos novos que aqui vieram.
Viver nas primeiras quadras de Brasília não era tarefa
fácil. Como é que se poderia viver num corredor de 5
metros de largura e 20 metros de comprimento?, comenta a alemã
Gerda Gumprich, 71 anos, ainda com forte sotaque. Ela é mulher do primeiro
funcionário do Banco do Brasil no Distrito Federal, o tesoureiro aposentado
Edibert Pereira Leite, 82 anos.
Gerda e o marido chegaram na cidade em 1957. O cenário da cidade
três anos antes de sua inauguração era desolador. Quando chovia,
o barro vermelho enlameava os barracos de madeira construído na Cidade
Livre, que viria a se transformar em Núcleo Bandeirante. Gerda e Edibert
viveram por lá durante três anos, depois foram para a 114 Sul, primeira
quadra construída pelo Banco do Brasil para abrigar os funcionários.
Passeios pela avenida
Gerda não agüentou morar em apartamento. Mudou-se para a 714 Sul um
ano depois, em 1961. Não sai mais de lá. Na casa que mais parecia
um corredor, ela criou os três filhos e aprendeu
a ter amor pela cidade. A avenida W3 é motivo de orgulho. Quando
saio com o carro, faço o possível para passar pela W3, ao contrário
de todo mundo, afirmou Gerda. A W3 Sul é uma das pistas mais
movimentadas da cidade.
A alemã completará 50 anos no Brasil em dezembro. Saiu
da Alemanha depois que os pais morreram o pai faleceu lutando na segunda
guerra mundial e a mãe, anos depois, não resistiu a umcâncer.
Gerda conheceu o marido quando morava com os irmãos no Rio de Janeiro.
Ele tinha uma cama e eu um armário. Foi assim que começamos
a viver em Brasília. Na primeira noite, só fazia chorar. Depois
arregacei as mangas, conta.
Gerda diz que não chega a ser saudade o sentimento que nutre
pela época em que começou a viver na 714 Sul, com poucas casas e
pouco comércio. Foi uma fase gostosa. Só tenho saudade
mesmo é da segurança que tínhamos, diferente do que é
hoje. A violência aumentou muito em Brasília, compara.
Dos vizinhos que tinha, poucos restam. No conjunto I, onde fica a
sua casa, só vivem três ou quatro famílias da mesma época
que ela. Os demais saíram de Brasília ou moram no Lago Sul, Norte
e até mesmo nos apartamentos do Plano Piloto. A valorização
das quadras 700 é surpresa para Gerda.
Na época, não quis investir aqui. Mas se eu soubesse
ficaria rica, brincou. Uma casa de três quartos vale, em média,
R$ 200 mil.
|
 |
|