novos endereços
APOSTA NO FUTURO
Apesar da infra-estrutura incompleta, moradores aproveitam tranqüilidade de águas
Érica Montenegro
da equipe do Correio
| Paulo de Araújo |
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Ana Maria Rodrigues (E) trocou Taguatinga por Águas Claras: caminhadas diárias no parque em companhia de amigas
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O vaivém de caminhões, a poeira nas ruas, os prédios
que surgem da noite para o dia, a movimentação dos pedreiros em
Águas Claras trazem a leve lembrança da época da construção
da capital. Aos 43 anos, o Distrito Federal vive a criação de uma
nova cidade. Localizado entre Taguatinga e Plano Piloto, o bairro, previsto para
acomodar 200 mil pessoas, tem 22 mil moradores. Como os pioneiros que chegaram
na década de 60, eles têm muitas reclamações a fazer,
mas já aprenderam a amar o novo endereço.
Aqui é uma tranqüilidade só,
elogia a professora Ana Maria Rodrigues Souza, 50 anos, que trocou Taguatinga
por Águas Claras há dois anos. Para Ana Maria, o silêncio
noturno das quadras desabitadas é preferível à agitação
do antigo endereço. A mudança também inclui um novo hábito
de vida da professora: agora ela faz caminhada diárias no parque da cidade.
O espaço verde de 86.347 hectares que recebeu parte da área
da residência oficial do GDF é usado por cem pessoas durante
a semana, Aos sábados e domingos, o público triplica.
Esse parque é a melhor coisa de Águas Claras,
diz o funcionário público aposentado Afonso Carvalho, que mora na
cidade há três anos e também é assíduo no lugar.
Afonso não se arrepende do investimento feito na nova cidade vivia
em um apartamento de 86 m² na Asa Sul, o atual tem 120 m². Mas cita
a urbanização precária e a distância do centro de Brasília
como os principais problemas do lugar.
Para ir ao supermercado, por exemplo, é necessário
ir até Plano Piloto ou Taguatinga, conta. Além das queixas,
a pequena variedade do comércio rendeu um bem-humorado comentário:
em Águas Claras se diz que o telefone e o carro são tão essenciais
quanto a cabeça, o tronco, os braços e as pernas.
O bairro aguarda a sanção por parte do governador Joaquim
Roriz de lei que o transformará em nova região administrativa. Hoje,
Águas Claras está subordinada à Taguatinga. É
a independência que precisamos para conseguir mais recursos para a cidade,
diz o subadministrador de Águas Claras, Jadder Maurício Barbosa,
morador do bairro. Diariamente, ele recebe 50 pessoas em seu gabinete. A maioria
faz reclamações. São pessoas exigentes que sempre
estão aqui cobrando melhorias e é bom que seja assim,
avalia.
Para Jadder, a explicação para os problemas de falta
de infra-estrutura é simples: como a cidade tem pouco mais de 10% dos espaços
ocupados não dá para exigir que a urbanização esteja
completa. Criada há pouco mais de dez anos, Águas Claras demorou
a emplacar. Os primeiros prédios só foram inaugurados em meados
da década de 90 porque a maioria das construções estava a
cargo de cooperativas, que tem ritmo mais lento do que a iniciativa privada.
O volume de inaugurações cresceu em 2000 e a previsão
do mercado imobiliário é que deve continuar alto nos próximos
cinco anos. Águas Claras tem sido a opção da classe média
que não encontra lugar no Plano Piloto ou no Sudoeste e prefere não
arriscar dinheiro em condomínios irregulares. O metro quadrado no bairro
custa R$ 1.600, quase 50% mais barato do que nos bairros centrais de Brasília.
Daqui pra frente só vai melhorar, aposta
o assessor parlamentar André Boratto, que mora em Águas Claras há
dois anos. Ele enumera as vantagens da cidade dos espigões: É
o lugar mais seguro do DF porque os prédios são cercados, é
a cidade melhor atendida pela rede de transporte público, por causa das
estações do metrô. Para André, que está
comprando seu segundo apartamento na cidade, Águas Claras não é
a cidade do futuro, mas sim do presente. Eu adoro este lugar.
Um setor cheio de charme
Se o novelista Manoel Carlos decidisse ambientar uma de suas histórias
em Brasília, ela poderia se passar no Sudoeste. Restaurantes, bares e livrarias
que servem de cenário à novela global possuem similares perfeitos
no bairro brasiliense. Os encontros no calçadão do Leblon bem que
poderiam acontecer nas pistas do Parque da Cidade ou na calçada que contorna
o Setor Econômico.
Não há nada mais fiel ao estilo Manoel Carlos, entretanto,
do que os próprios moradores do lugar: o Sudoeste, criado há 14
anos, é endereço de gente sofisticada. No bairro, vivem 20 mil brasilienses
de classe média alta. A renda dos moradores está acima de R$ 4 mil.Nas
duas avenidas que cortam o bairro, o comércio é variado.
O charme, o conforto do bairro e a localização privilegiada
o Sudoeste fica a cinco minutos de carro do centro de Brasília inflacionaram
o preço dos imóveis. O metro quadrado construído custa R$
3 mil, o equivalente a endereços nobres da Asa Norte e da Asa Sul.
Há seis anos, porém, a vida no Sudoeste não era tão
glamourosa. A urbanização era deficitária. As ruas sem asfalto
rendiam ao bairro apelidos como Barroeste, Sudolama e Faroeste.Quando
mudei pra cá, isso aqui era um deserto, lembra a advogada Patrícia
Dias, 25 anos. Para melhorar a situação, foram necessários
investimentos pesados das construtoras e do governo local.
Entregávamos as quadras praticamente urbanizadas para convencer
as pessoas a se mudar, conta Nilo Cerqueira, diretor da Associação
dos Dirigentes das Incorporadoras e Construtoras do Mercado Imobiliário
(Ademi).
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