
caratê - Altamiro Cruz (DIDI)
Veterano
revigorado
Aos 35 anos, Didi se anima com medalha conquistada em campeonato internacional, revê planos de aposentadoria e luta por seu primeiro ouro em Jogos Pan-Americanos
Eneila Reis
Da equipe do correio
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O ouro em Santo Domingo era a despedida que Altamiro Oliveira da Cruz, o Didi, havia programado para encerrar sua carreira. O carateca de 35 anos chegou a anunciar em 2002 que iria parar de competir depois dos Jogos Pan-Americanos. Menos de um ano depois, admite que a decisão poderá ser adiada. Segundo ele, o tempo passou muito rápido e a tendência é prorrogar um pouco mais as atividades no tatame.
Didi é um dos caratecas mais premiados das Américas. Seus números impressionam: 23 vezes campeão brasileiro, 15 vezes campeão pan-americano, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999, e prata (por equipe) e bronze (individual) nos Jogos de Mar Del Plata, em 1995. Além disso, foi campeão dos Abertos da Bélgica e da Itália, ambos em 1998, e conquistou o ouro 16 vezes em torneios sul-americanos. ''Sou um atleta invicto na América do Sul, tanto em equipe como individual'', orgulha-se.
Ele encerrou na última terça-feira a preparação para os Jogos Pan-Americanos. O último teste forte antes de viajar a Santo Domingo, na República Dominicana, foi em São Paulo, nos Jogos Regionais. Ficou com o ouro na categoria peso pesado (acima de 80kg), a mesma medalha que almeja colocar no peito, pela primeira vez, em Jogos Pan-Americanos.
Didi se sentiu revigorado após a conquista do bronze no Campeonato Pan-Americano da modalidade, também em Santo Domingo, em abril. ''Foi um resultado excelente, considerando que fiquei parado de julho do ano passado até janeiro por causa de uma cirurgia no braço esquerdo, devido a um tendão rompido'', explica. Depois, em março, machucou a panturrilha. ''O bronze, sem dúvida, foi muito bom em função da forma física em que me encontrava. Acredito naquilo em que ninguém acredita. Vou até o fim.''
O peso-pesado voltou a gostar de lutar. ''Agora faço isso para mim mesmo e não para os outros. Sempre fui um atleta que produzi resultados. Não acho justo que ainda me cobrem.'' Para Célio Renê, seu técnico e da Seleção Brasileira adulta masculina e feminina, Didi vive um momento especial na vida, principalmente porque corre atrás da quarta medalha em Jogos Pan-Americanos. ''Ele treinou muito para essa competição, com um só objetivo: ganhar. É uma luta pessoal dele com ele mesmo.''
Com ar sereno e determinado, Didi conta que já venceu quase todos os seus possíveis adversários no Pan de Santo Domingo, exceto o canadense Herbert Herbert. O carateca brasiliense garante estar preparado para enfrentá-los, pois conta com nutricionista (Leonardo Costa), preparador físico (Sérgio Henrique), psicóloga (Maria Inês) e treinos diários no Clube Unidade Vizinhança (108/109 Sul), onde também tem uma academia de musculação.
Patrocinado pela Asceb, Didi ainda é proprietário da academia Black Belt Fitness (BBF), na 211 Sul, trabalha na diretoria geral do Senado e cursa o quarto semestre do curso de comunicação social, no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb).
O carateca assegura que, mesmo com tantas tarefas, ainda tem tempo para curtir a vida pessoal. Ele namora a dentista Carolina Figueiredo, 27 anos, e adora ir ao cinema. Seu hobby preferido é praticar windsurfe na companhia de amigos.
Obstinação
A mãe de Didi, Anita Oliveira da Cruz, sempre foi uma de suas maiores incentivadoras. Ela guarda com carinho tudo que sai na imprensa sobre o filho. ''Já estou torcendo por ele. Tenho confiança, pois meu filho sempre traz uma medalha. Winnipeg me marcou muito, quando roubaram dele o ouro (Didi, à época, reclamou muito da arbitragem). Em uma entrevista, ele disse que queria estar comigo naquele momento. Tenho certeza de que vai fazer o melhor'', prevê Anita.
A obstinação do brasiliense vem desde a infância. Começou no judô, aos 9 anos. Quando tinha 12, resolveu praticar paralelamente o caratê. Era o início de uma carreira vitoriosa. Didi se graduou como carateca em três anos, com o professor Testa. ''Parece que foi fácil, mas no exame havia 50 pessoas, e só eu passei. Foi aí que abandonei o judô. Não queria saber de outra coisa senão me aprimorar cada vez mais no caratê.''
Regras Equipamento Categorias Golpes
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É uma pessoa alegre e batalhadora. Veio ao mundo preparado para vencer  |
Anita Oliveira da Cruz,
mãe de Didi
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A ficha da fera
Nome: Altamiro Oliveira da Cruz
Nascimento: 20 de fevereiro de 1968, em Brasília
Altura: 1,85m
Peso: 99kg
Calçado: 43
Prato preferido: farofa de ovo, arroz com brocólis, picanha grelhada com alho, vinagrete e batata frita
Melhor filme: A vida é bela (Roberto Benigni)
Melhor livro: Quase Memória (Carlos Heitor Cony)
Estado civil: solteiro
Escolaridade: cursa o 4º semestre de jornalismo, no Iesb
Hobby: velejar de windsurfe e kitesurfe
Objetivo no Pan: conquistar o ouro
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| País |  |  | |
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1 EUA | 115 | 79 | 73 | |
2 CUB | 71 | 38 | 38 | |
3 CAN | 29 | 56 | 41 | |
4 BRA | 28 | 38 | 55 | |
5 MEX | 19 | 27 | 32 |  |
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