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Por
Ivan Drummond
Enviado Especial UAI - Estado de Minas
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Gente, o Minotauro existe e ele é arquiteto!
Declaração bombástica, não?
Acho que vocês já estão de saco cheio e ver e ouvir lamentos e dessas histórias de fracassos nossos de última hora. Desculpem o termo, mas tem hora que não dá pra ser educado. Saco cheio de brochadas.
Mas tem uma situação aqui que os jornalistas estão passando, que vocês nem imaginam.
Os gregos inventaram um sistema de transporte que é o pior do mundo.
A partir do que fizeram, não admito mais piada de portugUês, só de grego.
Quem usa o transporte deles, está sempre atrasado. Você entra num ônibus, anda 30, 40 quilômetros, de uma instalação olímpica a outra, e vai parar num bolsão de ônibus. Aí, troca para um (é o mesmo que prum, ou estou errado?) lotação, que te leva, 20 minutos depois, para outro bolsão. Aí, você toma o lotação para seu destino.
Lá se foram umas duas horas.
Até que o sistema funciona, pois enriqueceu os motoristas de táxi. Foi a única saída pra chegar na hora.
Mas o pior ainda está por vir.
Reformaram ginásios. Gastaram uma fortuna.
Mas o primeiro problema é para entrar nos locais de competição, mesmo credenciado. Você tem de dar quase uma volta no ginásio. Depois, entra por um emaranhado de túneis e corredores. Até para ir no baneiro é complicado, pois parecem labirintos.
Um jornalista japonês, outro dia, apertado, achou que já tinha decorado o caminhou e ao passar da sala de entrada do banheiro, para a sala de pias, para o setor de privadas e só depois para o de mijadores, errou a curva. Deu d cara no mro. Olha só, vai ver que esse é o nome do cara, DEUKACARANOMURO. Não é brincadeira não.
E nesse emaranhado, a única certeza é que o Minotauro não é lenda mitológica coisa nenhuma. Ele existe, e é arquiteto grego.
Mensagem postada em 2004-08-28
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(8010)
Uma pena a perda do ouro das mulheres no futebol de campo.
Por aqui, todos reconheceram a superioridade do time brasileiro sobre o norte-americano.
Ei, lembrei Carlos Drummond de Andrade: tinha uma trave no meio do caminho, no meio do caminho, tinha uma trave.
Mas é por isso, como diz o Renê Simões, que o futebol é apaixonante. É o único esporte onde a lógica não persiste. É o onde o fraco vence o forte, e o dominado, o dominante.
O que esas meninas fizeram de mais importante foi mostrar que acreditar é fundamental e mesmo sem estrutura, no Brasil, elas venceram. Estão no pódio, uma medalha de prata que vale ouro, como aquela do revezamento 4x100m rasos em Sydney'2000.
Aliás, tanto os caras do revezamento, como as meninas do futebol fazem parte do povão em nosso País. Não são da elite.
São um exemplo.
Sobre o vôlei feminino, não posso comentar nada porque não vi o jogo. Estava no futebol de campo. Mas lamento, muito, pois uma geração que deveria ser de ouro fica marcada pelo bronze. Chega ao fim o ciclo olímpoico de Fernanda Venturini na Seleção e de algumas outras jogadoras, como Fofão, Virna e Arlene (esta, talvez, pela posição e pela estrutura física, ainda poderá estar em Pequim, depende dela). Mas é uma pena.
O time me traz a lembrança de Ana Flávia, Hilma, Ana Paula, Ana Moser, Márcia Fu, craques, que esbarram, sempre, na Cuba de Mireya Luís, um fenômeno.
Agora, Mireya não está. O time cubano é todo novo, mas está aí, nas cabeças. Com certeza será fantástico e imbatível dentro de um dois anos.
O problema agora é nosso, pois chance de ouro igual a essa, não teramos outra. E ainda temos o problema de falta de peças para substituir as que estão saindo.
OBS: Cláudio e Vanilson (Joca). Mara e Cristiane jogam muito mais que vocês dois.
Mensagem postada em 2004-08-27
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(832)
Um dia depois do outroComente esta mensagem
Nada como um dia depois do outro, como diz o ditado.
E tem um amigo meu, o Roberto Neri, que um dia parafraseou: Nada como um dia depois da montanha. É que ele não sabia nenhum ditado para a ocasião e lascou essa. Uma pérola.
Aliás, o Roberto é mestre nessas coisas.
Mas não é nada disso que tenho de escrever aqui. Mas não podia perder essa. A gente perde um amigo, mas não perde a pisda. Vamos ao que interessa.
O dia de ontem, aqui em Atenas foi triste. É que nós, brasileiros, estamos habituados, apesar de poucas chances, às vitórias. Não sabemos perder. Isso, quando acontece, mesmo com medalha no peito, nos joga pra baixo.
Meu medo é que isso influencie negativamente os demais atletas, lá na Vila.
Mas não, pelo que percebo.
Dois ex-atletas, que se tornaram amigos, o carlão e o Paulão, ambos da Seleção campeã olímpica de vôlei, em barcelona, estão aqui fazendo um trabalho para o Banco do Brasil, mas no fundo, realizam algo muito mais profundo. Servem de estímulo para outros atletas.
Contam, passo a passo, a conquista de Barcelona. isso é muito importante. Vale mais que uma palestra.
Esse tipo de coisa, é muito importante e acredito, que hoje, quarta-feira, seremos, novamente, muito mais felizes.
Olho em Bimba e no vôlei de praia. Nesse último, já temos medalha, mas queremos mais. No caso da categoria Mistral, na Vela, a que vier será muito bem vinda. Não importa o esporte, se é de rico ou de pobre, o que importa, aqui, é se é Brasil.
Antes que eu me esqueça, valeu Vovó.
Mari, ainda não, mas já sei onde tem.
Zubinha, nada no mundo vale mais que amizade, ainda mais se ela é uma extensão do passado, de grandes amigos de outras gerações.
Êta, de repente, que monte de recados, heim?
Obrigado a todos vocês, de coração.
Não sabia que blog era assim. Com certeza, vou molhá-los com outros olhos, porque nenhum homem é uma ilha e é por isso que nos comunicamos.
Mensagem postada em 2004-08-24
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(3341)
Olimpíada é assim mesmo. Muito a festejar, muito a lamentar.
Primeiro, vamos às coisas alegres, o que é muito bom pra começar.
Num só dia, a garantia em três finais, duas no vôlei de praia e uma no futebol femini9no.
Na praia, uma grande festa, com uma alegria maior para os brasileiros que estavam na arena, pois nossa torcida era menor, tanto com Adriana Behar e Shelda, como com Ricardo e Emanuel.
Depois do jogo, nas entrevistas, percebi uma situação bem diferente da que presenciei em Sydney, há quatro anos.
Lá, cada final era um grande ôba-ôba.
Ontem, foi diferente. Os quatro das duplas de vôlei de praia mostraram maturidade e pés no chão.
Uma frase do Emanuel é muito importante e mostra o que todos eles pensam e tentaram dizer, mas não encontraram as palavras certas.
"A maturidade acontece quando você entra na quadra preocupado em jogar e não em vencer. Pois quando você joga bem, voc^vence."
Ele disse tudo.
A tristeza é pela perda da medalha por Daiane.
Sinceramente, acho que ela levou azar no sorteio. Se já sofria uma pressão por parte da torcida e dirigentes, o fato de ser a primeira a entrar e não poder errar, pois tem de decidir antes de ver outras apresentações, para ter parâmetro, é a maior de todas as pressões. Acho que vão discutir cirurgia, se foi na hora certa, na errada, se poderia ter sido feita antes. mas pra mim, foi pressão demais, a culminar com esse azar no sorteio. A ordem de entrada é definida por sorteio.
Mas Olimpíada é isso mesmo.
Com relação ao secreto, desconfio que seja daquelas pessoas que falam sobre si próprio sempre na terceira pessoa. Coitado!
Mensagem postada em 2004-08-23
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(4017)
Em primeiro lugar, me desculpem pelo fato de não ter escrito nos últimos dias, mas é pela falta de tempo.
Hoje, um dia especial. Ganhamos o primeiro ouro.
Confesso que não podia esperar uma festa tão grande por parte do Scheidt. mas ele fez de tudo. Deu socos no ar, pulou na água, jogou o técnico no mar, balançou a bandeira, cantou, gritou Brasil, Brasil, cantou o hino nacional. mais que merecido, pois tirou um espinho que estava encravado na garganta, desde Sydney.
Mas não é isso que quero contar.
Lá fui para alto mar. Primeiro, ninguém esperava que a regata fosse demorar tanto. por ser uma só, todo mundo pensava que seria rápido.
Mas vieramm os abortos.
Entramos numa lancha ao meio-dia daqui. Fomos para o mar. Foi quando aconteceu o primeiro adiamento. Os barcos permaneceram no pier. Nós, jornalistas, lá no mar, jogando de um lado para o outro.
Por volta das duas, alinharam os barcos. deram a largada. Mas depois de 20 minutos, abortaram a regata.
Foi quando a coisa começou a se complicar. Não estou falando do Scheidt, mas para o nosso lado no barco. É que não havia comida.
Como o iatismo fica longe do centro de Atenas, todo mundo que foi cobrir, acordou e tomou café
cedo.
No barco, só havia água.
Um gringo, um cara lá da Eslovênia, tirou uma marmita de plástico, com salada de marcarrão. Comeu tudo rapidamente. Deve ter ficado com medo da gente filar dele, pois todo mundo, os 20m que estavam na lancha ficaram olhando ele comer. Que martírio!
mas vamos novamente à regata. E a fome aumentando.
Decidiram tentar novamente às 15h15. Finalmente iria haver regata e quanto mais rápido acontecesse, mais rápido iríamos comer.
mas abortaram novamente, antes mesmo da largada.
Fiquei vendo o Scheidt, de longe e os outros iatistas. Eles não páram, ficam navegando, de um lado para o outro. Já estavam nesse movimento há um bom tempo e além disso, já tinham feito uma meia corrida.
Se não largassem até as 16h, a regata seria cancelada e o Scheidt seria declarado campeão. Mas que graça tem vencer sem disputar?
Às cinco para as quatro da tarde, finalmente a largada, e foi pra valer.
Scheidt venceu. Todo mundo festejou.
Se lembram da fome, pois ela ía aumentando, mas com a vitória do Scheidt, até que esqueci.
De volta à terra, tive de correr para entrevistas o nosso bicampeão olímpico. A fome aumentando. Fui comer, só às sete da noite.
Foi entre uma garfada e outra que me dei conta, que nessa, fui marinheiro de primeira viagem, mesmo depois de tantas Olimpíadas, pois ir para mo mar e não levar comida, é coisa de quem está estreando!
Só, que dessa vez, passei fome por um bom motivo. E viva o Scheidt.
Mensagem postada em 2004-08-22
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(1304)
Entendo o que todos vocês querem saber, mas é que a cobertura, mesmo, está nos jornais, Estado de Minas e Correio Braziliense, mas lá vai uma história sobre esses bastidores, sobre o Guga, no jogo de ontem.
A imprensa fica posicionada no fundo da quadra. muitas vezes, a gente lê sobre aconteceu isso, aquilo, e talv ez duvide.
Mas aconbtece, que a história do vento, no jogo de ontem, é pura verdade.
Dava pra ver a bola fazendo curva no meio da trajetória.
Teve uma hora que o Guga foi isolar a bola. Bateu com força, para o alto. Ela tinha a direção de saída por cima da arquibancada.
Mas não é que o vento trouxe a bola de volta e ela quase caiu na cabeça do Guga.
Ainda estava no primeiro set. Pela cara que o Guga fez, notei sua preocupação. Mas ele acabou se encontrando no jogo, pena, que não deu.
Mas uma outra coisa chamou mais ma atenção e me fez admirá-lo ainda mais. Sua franqueza.
Ele admitiu, diante de toda a imprensa brasileira, que não está em boas condições físicas. É o problema do quadril. Ele sofre com isso e precisa encontrar uma nova maneira de jogar, para forçar menos a articulação do quadril, lado direito.
Falou que a dor começa e vai aumentando.
Estava triste, desolado, olhos vermelhos.
Mas foi extremamente positivo e garantiu que quer uma nova chance olímpica, que irá a Pequim'2008.
Guga passa por momentos difíceis. lembra que outros que enfrentaram problemas paáram. Mas ele tem garra e determinação e afinal de contas, já fez muito pelo "^enis em nosso País e fez o Brasil ser mais respeitado no mundo.
Mensagem postada em 2004-08-16
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(2369)
Desculpem por não ter escrito nada nos últimos dois dias, pois o tempo aqui é curto e como as coisas acontecem muito distantes uma das outras, a gente tem de correr daqui pra ali e dali pra aqui.
Isso, aliás, tem me custado caro, pois estou com os pés cheios de bolhas. Tem horas que a dor foi tanta, que cheguei a me arrastar.
Pra quem vê de longe, deve ser esquisito ver um cara andando meio torto, ause que de lado.
Mas lembrei da minha irmã, que é andarilha e adora ir a Santiago de Compostela - já fez isso uma seis vezes, sempre que alguém diz que quer fazer o caminho, ela está pronta a incentivar e acompanhar.
Mas voltando à vaca fria, lembrei dela quando me contou a história de costurar bolhas. Na Europa, para acabar com as bolhas nos pés, as pessoas costuram, ou melhor, enfiam a agulha e deixam a linha, para drenar.
Pois não é que dá certo?
Pode até ficar feio, esquisito, mas que dá certo e acaba com a dor em dois dias,ísso lá é verdade.
Fiquei livre do que estava me matando, da bolha assassina.
Êta coisa chata é dor!
Até a próxima.
Mensagem postada em 2004-08-16
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(1735)
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