Por Leonardo Meireles
Enviado Especial
CorreioWeb - Correio Braziliense
O dia seguinte

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Aqui estou eu mais uma vez. Agora é a última mesmo porque ninguém mais vai ficar acessando blog olímpico depois de olimpíada. Mas não resisti e queria contar um pouco do que vi durante e depois da cerimônia de encerramento. Toda aquela festa e informalidade me empolgaram bastante. Ajuda também o fato de curtir os próximos dias de férias nas ilhas gregas, Roma e Assis.
Algumas coisas me chamaram bastante atenção. Tirando a total irresponsabilidade de deixar o líder da maratona sem proteção nenhuma – e deu no que deu – a segurança dos Jogos Olímpicos foi até chata de tão boa. Também não tivemos maiores problemas de trânsito, pelo menos não como se esperava. Apesar da falta de acabamento em poucos locais de competição, tudo foi muito elogiado pelos principais interessados, os atletas. Sinceramente, acho que a imprensa foi deixada meio de lado, em zonas mistas minúsculas e com horas de espera por algum tipo de condução.
Enfim, na festa de encerramento, tive a oportunidade de entrar no meio do Estádio Olímpico. A segurança deu uma brecha e eu quase fui. Meu senso ético apitou aqui em cima e deixei quieto. Foi bom. Quando cheguei no centro de imprensa do local, um dos jornalistas subiu em uma mesa e deu um berro estilo Tarzan, de uns 20 segundos. Sim, havia acabado. Todos os outros companheiros concordaram com uma salva de palmas.
Para entrar nos lugares reservados para a imprensa – como o Main Press Center (MPC) – não tivemos que passar mais pelas esteiras de raio-x e detector de metais. Era como se eles estivessem falando: ``Estes foram os Jogos da paz. Não precisamos desconfiar de vocês´´´. Simbólico, mas importante.
Por fim, várias vezes passávamos meio cabreiros em frente a soldados do exército grego com fuzis e metralhadoras. Era incômodo, mas se achavam necessário para a segurança, vá lá. E na entrada do MPC, um grupo desses soldados e outros tantos fotógrafos esperavam um elevador. Foi quando apareceu um balão, vindo da festa. O soldado deu o primeiro chute e o balão foi parar perto do fotógrafo. Ele ensaiou uns balõezinhos e tocou de volta para o soldado. Assim começou um belo exemplo de comunicação não-verbal e entendimento pacífico através do esporte. Não é assim que deve ser?
É isso. Já fiz minhas despedidas ontem, então fiquem com meu abraço e meu desejo franciscano de Paz e Bem! Fernanda, se cuida...
Até.

Menssagem postada em 2004-08-30  

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Último dia

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Pois é, chegou ao fim. Talvez eu ainda escreva amanhã, mas é bom já fazer uma despedida hoje. Tinha pensando em fazer uma brincadeirinha e escrever uma matéria sobre meu desempenho em Atenas. Ia ficar engraçado. Mas o blog não é sobre mim, é sobre a Olimpíada, é sobre Atenas. Então vamos falar sobre as duas.
Participar de uma olimpíada é uma das experiências mais sacrificantes e ao mesmo tempo emocionantes para quem vive diariamente as competições – e aí incluo atletas, organizadores, voluntários e jornalistas. Aqui você aprende a cada segundo sobre técnicas, desempenho, história, superação. Vê e ouve os maiores atletas da atualidade e consegue entender um pouco sobre porque alguém é campeão e outros não.
Só de olhar e escutar pessoas como Michael Phelps, um adolescente de 19 anos que age, fala, sorri e pensa como um menino de 19 anos, mas com a responsabilidade de ganhar mais medalhas que os 245 atletas brasileiros, é impressionante. É ótimo saber porque dá certo em Cuba (ou quase não dá mais), porque o Japão cresce, porque os Estados Unidos levaram tantos sustos e tiveram tantas decepções. De uma questão de planejamento puro e simples, uma preparação diária e forte, treinamentos nos grandes centros de cada esporte, tecnologia para melhorar detalhes do desempenho, suplementação alimentar e trabalho de base.
É legal descobrir também que isso não é uma receita pronta. Porque é preciso dinheiro e boa vontade política para se desenvolver o esporte em um país. Mas o mais legal é notar como o coração e a cabeça contam em uma olimpíada. Não estou falando que a garra supera a técnica: um atleta bem preparado física e mentalmente é imbatível. Por mais que a torcida da Grécia empurre seu competidor, ele não vai vencer se faltar alguma coisa. Falo, na verdade, de um atleta do taekwondo que continua lutando mesmo com a perna machucada. Ou o cara dos 5.000m que está quase levando uma volta do primeiro colocado, mas não desiste.
Ou uma virada de história como a que aconteceu com Baloubet de Rouet e Rodrigo Pessoa e com a vitória britânica sobre os norte-americanos no 4x100m masculino do atletismo. Também é legal olhar nos olhos de atletas como Gustavo Borges, Leandro Macedo e Dayane Camilo, todos se despedindo de olimpíadas, e ver como eles se dedicaram com paixão ao esporte. Mesmo em um país que pouco deu atenção para eles.
E o povo grego? Sensacional a forma como se entregaram para as olimpíadas, apesar de saber que aquilo poderia ser prejudicial à vida deles. E foi. O Comitê Organizador teve um prejuízo grande e a desorganização que tomou conta da cidade, principalmente no trânsito, foi total. Mas a maioria manteve o bom humor e sorriam ainda mais quando descobriam que você era brasileiro. É um país não muito diferente do Brasil, com todos problemas, alegrias, tristezas. Só que está na Europa. Vou sentir falta dos cachorros que eles tiraram das ruas, do souvlaki, do nestea de limão (cinco por dia), dos voluntários que berravam nos megafones ``Ladies and gentlemen, welcome to the olympic stadium´´, com um inglês de matar Shakespeare de raiva. E da torcida grega que batia palma sem parar toda vez que tocava uma musiquinha típica daqui.
Queria mandar um abraço para cada um que deixou seu recado, sua palavra de apoio e sua opinião (obrigado, Iradus). E aproveitar este blog do dia 29 de agosto para dar os parabéns para minha sobrinha e afilhada Júlia, que faz 2 anos. Por último, mas de forma especial, um beijo cheio de saudades para Fernanda. Hoje nós dois fazemos três meses de namoro. Grande parte das barras que agüentei aqui sem afinar foi por causa das nossas trocas diárias de e-mails. Foi a única pessoa com que falei diariamente (mesmo com o pessoal do Correio, às vezes só mandava as matérias). Mesmo de longe, posso dizer que foram os três meses mais intensos da minha vida.
Até.

Menssagem postada em 2004-08-29  

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Na reta final

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Vou aproveitar que o último comentário da Luana foi sobre a parceria com a Universidade Católica para contar um pouco do meu desespero nos últimos dois dias (razão pela qual deixei de escrever por aqui).
Pois bem, lá estava eu acompanhando a prova em que Torben Grael e Marcelo Ferreira ganharam ouro (é difícil acreditar que um esporte ``tão popular´´ como a vela nos traga duas medalhas de ouro). De repente, a tela do meu computador apagou. Para resumir a história, não tinha conserto e nessas horas ninguém pode ajudar. Nem a desorganização, desculpa, a organização dos Jogos. Aliás, uma das voluntárias deu uma idéia muito legal: ``Ué, por que você não compra outro?´´. Dica sensacional.
Enfim, desesperado, lembrei-me do professor Paulo e seus alunos e alunas, que fizeram um parceria com o Correio Braziliense e outros meios de comunicação para a cobertura da Olimpíada. Aqui, eles escrevem, fotografam e produzem material para televisão, rádio e Internet e oferecem para o Brasil. E o que eu vou escrever agora não é só porque eles me ajudaram com o problema do computador, mas porque merecem.
Para falar a verdade, eles possuem um esquema muito mais profissional – em termos de estrutura e tecnologia – que a maioria dos jornais, rádios e televisões que vieram cobrir oficialmente os Jogos. Sem credencial, tiveram que ralar muito para conseguir suas matérias. Sempre sobre os lados social, comercial e cultural da Grécia. Além de pautas muito legais – como descobrir se existe um Estatuto do Torcedor por aqui –, o trabalho final dos garotos e garotas da Católica é digno de elogios. É só conferir na rede Record e nas páginas do Correio Braziliense. Ah, é bom também dar uma olhada na página deles na Internet: http://www.ucb.br/projetoatenas. Parabéns para o professor Paulo e seus alunos pela coragem e pelo resultado do trabalho.
Ah, eu queria comentar sobre muitas outras coisas. Como a prata do Rodrigo Pessoa na noite de sexta. Nunca vi isso no esporte, ter que torcer para os outros conjuntos errarem e ele ficar com a medalha. O próprio Rodrigo concordou com isso. Juro que me senti mal. Já falei que não sou um ser competitivo. Mas não dá tempo de falar de tudo. Só que eu completei o pódio: acompanhei os dois bronzes do judô, o ouro da vela e a prata no hipismo.
Abraços para todos e todas. Kiko, há quanto tempo! Manda um abraço pra Ana e pra todo esse povo brasiliense que está aí pelo Canadá! Fernanda, obrigado.
Até.



Menssagem postada em 2004-08-28  

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Nervosismo no ar

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O estresse toma conta de Atenas. Esse clima de competição faz as pessoas mudarem de humor constantemente. E os resultados dos brasileiros por aqui também desanimam bastante. Correria de um lado, falta de almoço em um dia, dormir 3h da madrugada quase sempre. Não corpo e cabeça que agüentem por tanto tempo. Comentei isso com meu mestre e chefe José Cruz, com duas olimpíadas nas costas, e ele disse que é normal.
Até por isso mesmo, resolvi ontem que almoçaria bem. Nada de pizza, cachorro-quente ou um folhado de queijo a venda venda por aqui – que na primeira degustação é muito boa, na segunda você vê que deveria ter escolhido outra coisa e na terceira você coloca catchup para disfarçar o gosto. Queria uma salada, algo saudável. Eu e meu amigo Gustavo Cunha resolvemos então ir a um restaurante indicado por outros amigos.
Então lá vamos nós almoçar, perto das 19h (não, o horário não está errado. Foi o horário que conseguimos almoçar). Era um restaurante chamado Sbarro, ao lado do Carrefour (onde depois compramos um delicioso e tradicional Toblerone). Como os pequenos prazeres da vida fazem bem para um ser humano! Uma salada feita de alface, tomate, queijo, pedaços de frango bem temperado, azeitona, azeite de primeira e um molho de mostarda e mel.
Eis que estávamos saboreando aquele manjar digno de deuses gregos quando um grito sai da cozinha do restaurante. A porta abre de uma vez e sai de lá uma das empregadas do local, gritando mais uma vez e jogando no balcão o avental. Parecia cena de filme: um daqueles Um Dia de Cão, ou algo parecido. A mulher se estressou, largou tudo e foi embora! A cidade ferve com o calor e com a correria dos Jogos. No começo quase entrei nesse clima. Mais depois de duas semanas e meia por aqui, vi que o bom humor é melhor.
Como nessa quarta-feira, por exemplo. No triatlo, duas brasileiras saíram. Carla Moreno por causa de cansaço. Sandra Soldan por contusão. Enquanto esperávamos pacientemente por notícias das duas, passam os mascotes da Olimpíada: Phevos e Athina. Se estressar pra quê? Taí, Fernanda, já que você achou tão feios esses mascotes, tirei uma foto com um deles. Decididamente é melhor se divertir. Como diz meu amigo Marquinhos: tá no inferno, abraça o diabo...
Só para dar pitaco nos comentários feitos no blog: não há como não concordar com o Iradus. Tomara que a imprensa brasileira e os dirigentes possam ter um pouco de auto-crítica para melhorar no futuro. Iradus, seus comentários são muito bem-vindos! O espaço do blog é altamente democrático e a liberdade de expressão é o que ainda nos salva no país!
Abraços para Paula Amidani (que é atleta e sabe do que está escrevendo), Gil, André Augusto, André Cheetara, Tal, Paulinha, Luizinho, May (foi pra vc, sim), Eliza (nem precisa de convite, quando quiser dou um pulo na sua escola), Lilica (continua procurando...), Flavinha, Frederico (obrigado pelos dados, companheiro) e, é claro, para Fernanda (a luta é necessária, mas o amor é essencial...). Ah, vocês sabiam que nosso blog é o segundo mais visitado? Só perde para o do compaheiro César Castro... Parabéns, César e Ricardo! O nono lugar de vocês é um verdadeiro pódio!
Até.

Menssagem postada em 2004-08-25  

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Choro e varandas

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Quem me conhece sabe como eu torci para a Daiane dos Santos. No dia em que me pediram para fazer uma matéria falando das chances do Brasil, eu a coloquei como destaque: foto enorme na contracapa do jornal e texto dizendo que ela era medalha de ouro na certa. Na noite de segunda-feira, quando ela errou logo no primeiro salto – o tal duplo twist esticado que quase virou duplo twist sentado – eu me senti muito culpado.
Culpado por ter colocado em uma pessoa o peso de trazer uma medalha de ouro, que vem de um trabalho cuidadoso, detalhado, árduo. Muito mais da parte do atleta, e eu fui testemunha de como Daiane e as outras meninas do Brasil treinaram. Há quatro anos, nunca ninguém no país imaginaria que estaríamos disputando uma medalha de ouro em Atenas. Talvez só a própria Daiane. Mas nunca houve por aí uma política esportiva séria. Foram só lapsos, tentativas abortadas por mudanças de governo e ideologias.
O erro de Daiane, ela assumiu. A cobrança exagerada dela com ela mesma fez com que a gaúcha ficasse nervosa na hora da apresentação e, antes disso, tentasse a série nova de exercícios (Só para dar um exemplo de como esse negócio de esporte é complicado: Daiane perdeu a medalha, mas imaginem a auto-realização de uma atleta que dois movimentos no mundo levam seu nome, Dos Santos...), que ela mesma não tinha segurança. Lógico, toda mudança necessita de treinos, repetições em exaustão. Ela não sente mais dores no joelho, mas a operação abalou a rotina de treinamentos dela.
Enfim, eu não estou aqui para justificar a perda da medalha. Apesar de, como torcedor, tentar encontrar alguma explicação para isso. Aliás, a própria Daiane falou que vai passar um bom tempo tentando achar essa explicação para ela mesma. Mas uma declaração dela depois da prova me fez pensar muito. Vai aqui na íntegra:
“É como se você quisesse fazer a melhor reportagem da sua vida. Aí você trabalha para isso, faz tudo certinho para que ela saia e no final acontece alguma coisa e a reportagem não dá certo”. Resguardadas as devidas proporções – uma reportagem pode realmente mudar a vida de várias pessoas, assim como uma medalha de ouro, mas não acho que seja o meu caso – é isso mesmo. Cada um tem tarefas para cumprir na vida. E é muito ruim quando não consegue.
Mudando de assunto, mais uma cena de Atenas me faz companhia nas minhas viagens de metrô e ônibus para chegar aos locais de competição. Desde antes do início dos Jogos, notei que 90% dos prédios residenciais por aqui possuem varandas. Enormes, pequenas, com toldo, com redes, cadeiras, de todo tipo. Não é muito difícil descobrir o porquê. O calor é forte durante grande parte do ano. Mas ao final da tarde, bate um vento tão bom vindo do mar que seria um pecado não aproveitá-lo. Além disso, a vista geral de Atenas pode não ser a coisa mais bonita do mundo, mas os milhares de história espalhados por aqueles montes e planícies inspiram. As varandas são essenciais em Atenas.
Obrigado por todas as mensagens sobre meu blog anterior. Luizinho, realmente não sou um ser competitivo. Nem quero ser. E vou tomar mais cuidado com a questão do gênero. Raquel, seu primo está mandando muito bem aqui. May, um beijo, fofa! E André: Alca só se for por cima do meu cadáver, eh, eh, eh!
Até.

Menssagem postada em 2004-08-24  

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Meu discurso

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O companheiro João Paulo pediu e aqui vai meu discurso político sobre os Jogos. Sou totalmente a favor de usar o esporte como inclusão social. Se ainda não fiz isso no Escalando pela Cidadania, em Brasília, foi por falta de oportunidade, mas ela vai surgir. A Olimpíada, no entanto, não pode ser usada nesse sentido. Não dá mais. É muito dinheiro e muito interesse envolvido. Vejam o próprio exemplo da Grécia.
A Grécia é um país muito pobre. Além dos 10% de desemprego, que já citei algumas vezes aqui, o povo ganha uma miséria - claro, em comparação aos outros países da comunidade. Um cara que trabalha no ramo hoteleiro, por exemplo, deve ganhar cerca de 500 euros. A maior parte desse salário vai para comida. A inclusão na Comunidade Comum Européia fez com que o custo de vida na Grécia subisse muito e os salários decididamente não acompanharam. Não tenho dados oficiais, mas converso muito com taxistas, voluntários e com os caras lá do hotel e eles falam que não há dinheiro nem para colocar gasolina em carro. Para não a cidade não ficar feia, o comitê organizador e a prefeitura de Atenas recolheram mais de cinco mil carros abandonados aqui na cidade e colocaram tudo em um ferro velho.
Tem mais: o cuidado com a história é mínimo, apesar de todo o alarde que fizeram na mídia sobre parar de construir metrô porque acharam sítios arqueológicos. Os prédios estão caindo aos pedaços. Eles inventaram um tal de Catch The Light, um painel gigantesco com fotos do dia-a-dia da cidade e espalharam pelas paredes dos prédios. Atrás dos painéis, paredes caindo aos pedaços, edifícios abandonados, ruas sujas. E ontem vi, pela primeira vez, alguém pedindo dinheiro na rua, uma senhora de seus 70 anos de idade.
O negócio é tão feio que tiveram que abaixar o preço dos ingressos por aqui e você já encontra os mais baratos por 10 euros. Todo dia passo do lado da sede do Partido Comunista. Ainda não deu para parar, mas lá existem três faixas de protesto: uma a favor de Cuba e as outras contra as olimpíadas e a comunidade comum. Quando acabar a correria, darei uma passada por lá e também terei tempo de conhecer um pouco mais de algum tipo de trabalho estruturante que a Igreja Católica daqui - ortodoxa ou não - faça.
É isso. Eliza, agora você pode falar para eles que você também foi citada no blog. Um abraço pra você e pro Daniel. Fala pra ele que a vida é muito maior que qualquer site. E abraços para os companheiros do EpC!
Até!

Menssagem postada em 2004-08-23  

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A night grega

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Antes de qualquer tipo de brincadeira de péssimo gosto com minha namorada ou dúvida da minha inquestionável fidelidade, deixo claro que essa incursão pelas baladas de Atenas foi devidamente autorizada. E continuo infinitamente fiel e apaixonado pela Fernanda.
Mas, enfim, lá vou eu para conhecer a noite grega. Graças ao fato de o jornal fechar mais cedo aos sábados (questões financeiras e industriais, caro leitor. Por isso os jogos da noite de sábado não saem no dia seguinte), consegui acabar, pela primeira vez, antes de meia-noite. E como as provas de atletismo começavam muito tarde no domingo. Lá vamos eu e mais três amigos brasileiros tentar esquecer um pouco da pressão do trabalho.
O point olímpico daqui é um lugar chamado Holland House, patrocinado por uma cervejaria e que lota de pessoas que participam, direta ou indiretamente, dos Jogos. Fica em Syntagma, o bairro turístico daqui. Lotado. Impossível de se entrar. Sendo assim, fomos para um point alternativa, uma boate que não cobrava nada na entrada e que tocava aqueles balanços-pop-radiofônicos-descartáveis. Uma cerveja, quatro euros. Ainda bem que não bebo. Daqui a pouco, entram alguns atletas canadenses, um deles com uma medalha de prata no peito. Não deu para ver quem era, mas o cara também é ser humano. Depois de tanto esforço, merece um descanso. Ah, medalhas de prata exercem um fascínio impressionante sobre as mulheres...
Agüentei por um bom tempo aquele bate-estaca horroroso e pedi para sair. Não sem antes ouvir por várias vezes o grito de “Hellas! Hellas!” (Grécia! Grécia!) e a musiquinha que os gregos fizeram depois que levaram para casa o caneco da Eurocopa – e que no final eles dizem algo do tipo: Brasil, espera que em 2008 vai ser você (acho que já contei isso aqui, mas tanto faz...). Morrendo de fome, eu e os companheiros fomos comer um souvlaki, churrasco grego que pode ser servido no prato, no espetinho ou no meu preferido: dentro de um cone feito de panqueca e misturado com alface, tomate, outras coisas que eu não identifico e um molho de mostarda ou iogurte.
Alegria e decepção: ao entrar na zona mista da natação, um voluntário viu minha camisa dos Ramones e mandou um hang loose pra mim. Nesse domingo, ao pagar meu almoço na Vila Olímpica, a caixa perguntou se Ramon era meu nome. Depois leu direito e voltou a questionar: “O que é Ramones?”. Fala sério.
Beijos e abraços para minha sobrinha e afilhada Júlia, que faz aniversário no próximo dia 29. Já tem um bichinho de pelúcia de um desses mascotes da Olimpíada separado pra você...


Menssagem postada em 2004-08-22  

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