
A Andrade Gutierrez surpreendeu o mercado ao solicitar uma nova recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida bilionária.
O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (20/5) na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. A companhia informou que pretende reorganizar cerca de R$ 3,4 bilhões em débitos e manter a continuidade de suas operações no Brasil e no exterior.
Além disso, o grupo pediu a suspensão imediata de execuções judiciais. A medida busca proteger o caixa da empresa durante o processo de renegociação com os credores. Atualmente, a holding mineira atua em grandes projetos de infraestrutura e construção civil.
Segundo a empresa, fatores econômicos recentes pressionaram fortemente o setor. Entre os principais problemas estão a alta do dólar, o avanço dos juros e a paralisação de diversas obras importantes. Esses fatores reduziram receitas e afetaram o fluxo financeiro da companhia.
Além disso, a empresa destacou que quase metade de seus projetos sofreu impactos significativos.
De acordo com os documentos apresentados à Justiça, cerca de 47% das obras foram interrompidas ou adiadas devido a fatores externos.
Andrade Gutierrez aponta crise internacional e paralisação de obras
A Andrade Gutierrez afirmou que vários contratos internacionais enfrentaram dificuldades operacionais.
Entre os projetos afetados estão obras localizadas em Gana, na África, e na República Dominicana, no Caribe.
Segundo o grupo, atrasos, custos elevados e problemas econômicos globais prejudicaram o andamento dos empreendimentos.
Como consequência, a companhia teve queda no desempenho financeiro e aumento da pressão sobre suas obrigações.
Além disso, o cenário econômico brasileiro também dificultou a recuperação da empresa. O aumento das taxas de juros elevou o custo do crédito.
Ao mesmo tempo, o dólar mais caro impactou contratos internacionais e despesas ligadas a equipamentos e insumos.
Por isso, a empresa decidiu acelerar um novo processo de reorganização financeira. A estratégia envolve renegociar débitos e fortalecer a estrutura operacional para manter contratos em andamento.
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Plano da Andrade Gutierrez já teria apoio de credores
A Andrade Gutierrez informou que apresentou dois planos distintos de reestruturação financeira.
O primeiro trata das dívidas das empresas brasileiras do grupo. Já o segundo envolve títulos emitidos no mercado internacional.
Segundo a companhia, mais de 70% dos credores já aprovaram as propostas. Esse percentual é considerado o mínimo necessário para a homologação judicial do acordo.
Além disso, a empresa destacou que o objetivo principal é reduzir o nível de endividamento e ampliar a capacidade de pagamento nos próximos anos. A expectativa é garantir maior estabilidade financeira e preservar empregos e contratos.
O grupo também relembrou medidas adotadas anteriormente para reduzir passivos. Entre elas está a venda de sua participação acionária na CCR, atualmente chamada de Motiva.
De acordo com os documentos apresentados à Justiça, a operação movimentou cerca de R$ 4,127 bilhões. Os recursos foram direcionados ao pagamento de dívidas locais e internacionais.
Companhia já passou por recuperação extrajudicial em 2022
Esta não é a primeira vez que a Andrade Gutierrez recorre a uma recuperação extrajudicial. Em setembro de 2022, a empresa já havia solicitado proteção judicial para renegociar aproximadamente R$ 2,38 bilhões em dívidas internacionais.
Na época, o plano recebeu homologação da Justiça em novembro daquele ano. Segundo a companhia, o processo foi considerado bem-sucedido e ajudou a preservar as operações do grupo.
Além disso, a empresa afirmou que as medidas adotadas permitiram melhorar a liquidez e reduzir riscos financeiros.
Conforme o documento entregue à Justiça, o processo anterior possibilitou a entrada de aproximadamente R$ 200 milhões em novos recursos.
A companhia ressaltou que o cenário econômico pós-pandemia ainda trouxe muitas incertezas. Mesmo assim, a estratégia de renegociação teria garantido maior fôlego financeiro.
Agora, o novo pedido busca ampliar esse processo de reestruturação. A meta é fortalecer a capacidade operacional e melhorar o equilíbrio financeiro da holding.
Andrade Gutierrez mantém operações e aposta em reestruturação
Fundada em 1948, em Minas Gerais, a Andrade Gutierrez se consolidou como uma das maiores empresas de engenharia e infraestrutura do Brasil. Atualmente, o grupo funciona como uma holding que reúne diversas empresas do setor.
Entre elas estão a Andrade Gutierrez Engenharia, a Consag Engenharia, a Movag e a Zagope. Essas companhias atuam em projetos de construção pesada, mobilidade urbana, energia e infraestrutura.
Apesar do novo pedido de recuperação extrajudicial, a empresa afirma que seguirá operando normalmente.
Segundo o grupo, o processo faz parte de uma estratégia para reorganizar passivos e garantir sustentabilidade financeira no longo prazo.
Além disso, a companhia acredita que o apoio dos credores poderá facilitar a aprovação do plano na Justiça.
Caso a homologação aconteça, a expectativa é ampliar a capacidade de investimento e manter contratos importantes ativos.
Por fim, especialistas avaliam que o caso da Andrade Gutierrez reflete os desafios enfrentados pelo setor de infraestrutura no Brasil.
Custos elevados, juros altos e instabilidade econômica continuam pressionando grandes construtoras em todo o país.
Perguntas frequentes
A Andrade Gutierrez entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de R$ 3,4 bilhões e reorganizar sua estrutura financeira.
Segundo o processo apresentado à Justiça, a dívida total da empresa gira em torno de R$ 3,4 bilhões.
A empresa alegou impactos causados pela alta do dólar, juros elevados e paralisação de obras no Brasil e no exterior.
Sim. Em 2022, a companhia já havia solicitado recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 2,38 bilhões em dívidas internacionais.
Sim. A empresa informou que seguirá operando normalmente enquanto realiza a reestruturação financeira e negocia com os credores.