
A dúvida sobre quantas empresas endividadas tem no Brasil preocupa empresários, consumidores e especialistas em economia.
Atualmente, o país registra cerca de 8,1 milhões de empresas negativadas, além de 78,8 milhões de brasileiros inadimplentes.
O cenário chama atenção porque acontece justamente em um período de recorde de empregos formais e aumento da renda média.
Mesmo assim, milhões de negócios seguem enfrentando dificuldades para pagar contas, impostos e empréstimos.
Além disso, o crescimento acelerado dos juros nos últimos anos agravou ainda mais a situação financeira das empresas.
A taxa Selic saiu de 2% em 2020 para 15% em 2025. Como resultado, financiamentos, empréstimos e renegociações ficaram mais caros.
Dessa forma, muitos empresários perderam capacidade de investimento e também passaram a atrasar pagamentos.
Por outro lado, o impacto da pandemia ainda permanece no caixa de milhares de pequenos negócios. Muitas empresas recorreram ao crédito para sobreviver naquele período.
No entanto, os custos financeiros cresceram rapidamente nos anos seguintes. Assim, o acúmulo de parcelas elevadas aumentou o número de inadimplentes em todo o país.
Veja 5 dicas para tirar sua empresa das dívidas
A consultora financeira Paloma Andrade separou algumas orientações importantes para pequenos empresários e MEIs conseguirem reorganizar as finanças:
- Mapeie todas as dívidas da empresa
Liste valores, juros e prazos. Isso ajuda a entender quais contas precisam de prioridade. - Negocie com bancos e fornecedores
Muitas empresas conseguem descontos ou melhores condições de pagamento ao renegociar débitos. - Separe contas pessoais das empresariais
Misturar despesas dificulta o controle financeiro e aumenta o risco de endividamento. - Crie um controle de fluxo de caixa
Registrar entradas e saídas permite identificar desperdícios e melhorar a gestão. - Evite novos empréstimos sem planejamento
Antes de contratar crédito, avalie se as parcelas realmente cabem no orçamento da empresa.
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Quantas empresas endividadas tem no Brasil e por que o número aumentou
O número de empresas inadimplentes cresceu junto com o aumento do custo do crédito. Atualmente, milhões de empreendedores enfrentam dificuldades para equilibrar despesas fixas, impostos e folha de pagamento. Em muitos casos, o faturamento não acompanha o crescimento das obrigações financeiras.
Além disso, a inflação acumulada dos últimos anos reduziu o poder de compra da população. Consequentemente, muitos consumidores diminuíram gastos. Isso afetou diretamente o comércio, serviços e pequenos negócios.
Enquanto isso, empresas que dependem de capital de giro passaram a contratar empréstimos com juros elevados.
Dessa maneira, a dívida aumentou rapidamente. Em vários casos, o empresário passou a usar crédito apenas para manter a operação funcionando.
Outro fator importante envolve o aumento das despesas operacionais. Energia elétrica, aluguel, logística e fornecedores ficaram mais caros. Portanto, muitas empresas passaram a operar com margens menores.
Ainda assim, especialistas acreditam que o cenário pode continuar desafiador em 2026. Embora exista expectativa de queda da Selic, os juros devem permanecer elevados. Isso tende a limitar o consumo e também o acesso ao crédito.
Boletos vencidos e o crescimento da inadimplência
O avanço da inadimplência não afeta apenas empresas. As famílias brasileiras também convivem com um alto nível de endividamento.
Em janeiro de 2025, o Brasil registrava 74,6 milhões de inadimplentes. Poucos meses depois, esse número chegou a 78,8 milhões.
Além disso, cada consumidor inadimplente possui uma dívida média de R$ 6.267,69. Já o valor médio de cada débito negativado está em torno de R$ 1.578,23. Isso significa que muitos brasileiros acumulam aproximadamente quatro dívidas em aberto.
Atualmente, as dívidas se concentram principalmente em bancos, cartões de crédito e financeiras.
O cartão de crédito continua sendo um dos principais responsáveis pelo descontrole financeiro das famílias. Isso ocorre devido aos juros elevados e ao uso frequente do crédito rotativo.
Enquanto isso, instituições financeiras observam crescimento constante da inadimplência desde 2020.
Naquele período, as dívidas ligadas ao setor financeiro representavam 9,1% do total. Agora, esse percentual praticamente dobrou.
Segundo levantamento do Banco Inter, o comprometimento da renda familiar segue em níveis historicamente elevados.
Isso indica pressão constante sobre o orçamento dos brasileiros. Como consequência, o consumo desacelera e afeta diretamente as empresas.
Como os juros altos afetam pequenas empresas e MEIs
Os juros elevados dificultam principalmente a vida de pequenos empresários e MEIs. Muitos dependem de empréstimos para comprar mercadorias, investir em estoque ou manter capital de giro.
Além disso, o aumento da Selic encarece renegociações financeiras. Portanto, empresas endividadas enfrentam mais dificuldade para sair do vermelho.
Em muitos casos, o empresário paga apenas juros sem conseguir reduzir o saldo principal da dívida.
Outro problema envolve a queda no consumo. Quando as famílias reduzem gastos, o faturamento das empresas também diminui. Dessa forma, muitos negócios passam a atrasar pagamentos de fornecedores e impostos.
Enquanto isso, setores como varejo, alimentação e serviços sentem impacto ainda maior. Esses segmentos dependem diretamente do consumo diário da população.
Mesmo assim, especialistas afirmam que planejamento financeiro pode ajudar empresas a evitar problemas maiores.
A organização das contas permite identificar desperdícios e melhorar o controle do fluxo de caixa.
Quantas empresas endividadas tem no Brasil e quais são as perspectivas para 2026
A discussão sobre quantas empresas endividadas tem no Brasil deve continuar em destaque nos próximos anos.
Atualmente, os mais de 8,1 milhões de CNPJs negativados revelam um cenário de forte pressão econômica.
Apesar da expectativa de redução gradual dos juros, o crédito ainda deve permanecer caro em 2026.
Além disso, economistas acreditam que o mercado de trabalho pode desacelerar. Isso pode reduzir o consumo das famílias e aumentar os desafios para empresários. Portanto, empresas precisarão investir ainda mais em controle financeiro e gestão eficiente.
Por outro lado, negócios que conseguirem renegociar dívidas e reduzir custos terão mais chances de recuperação.
O planejamento financeiro continuará sendo uma ferramenta essencial para enfrentar períodos de instabilidade econômica.