
Saiba as principais notícias do Mercado Hoje 11-03-2026 segundo a equipe de renda variável do Safra Invest: Bolsas em queda. Commodities em alta. CPI nos EUA e Vendas no Varejo Brasil são destaques. Atualizamos o setor bancário, BBDC (+) é a top pick. Resultados do 4T25: ALOS (+), CURY (+) e PRIO (+). Confira!
Fechamento dia anterior
Ibovespa: 183.447 (+1,40%)
S&P: 6.781 (-0,21%)
Dólar Futuro: R$5,19 (-0,16%)
Análise Técnica
O Ibovespa apresentou alta de 1,40% no último pregão, cotado a 183.447 pontos. O ativo apresenta tendência de alta no médio prazo e neutra no curto. A primeira resistência fica em 192.500 pontos. Do lado da baixa, o primeiro suporte se encontra na região de 179.000. O próximo fica na faixa de 164.400 pontos.
O Dólar Futuro apresentou leve queda de 0,16% no último pregão, cotado a 5.190,50 pontos. O ativo apresenta tendência de baixa no médio prazo e no curto neutra. Do lado da baixa, o primeiro suporte fica na região de 5.160 pontos. Se perder esse patamar, poderá alcançar o suporte seguinte em 5.105. Já do lado da alta, a primeira resistência do contrato fica na região de 5.330 e a segunda em 5.435.
Exterior
Bolsas na Europa e futuros nos EUA operam em baixa com o petróleo voltando a superar USD90/b após novos ataques a embarcações no Oriente Médio. O sentimento de cautela também é reforçado após o JPMorgan reduzir o valor de empréstimos em carteira e apertar as condições de crédito, levantando preocupações sobre a qualidade dos ativos e indicando desaceleração da atividade americana. Ainda no campo corporativo, a Oracle apresenta performance positiva no pré-mercado com resultados sólidos e projeções otimistas. Na agenda, o CPI de fevereiro dos EUA é destaque e deve mostrar alta de 0,2% na comparação mensal.
Doméstico
Na agenda local, além das vendas no varejo de janeiro, o destaque fica para a pesquisa Quaest para presidente a ser divulgada a partir das 14h. O Senado aprovou ontem a reestruturação de carreiras federais, com a criação de 24 mil novos cargos efetivos e custo fiscal estimado pelo governo em R$5,3 bilhões em 2026.
Atualizações do Mercado Hoje 11-03-2026
Allos
A Allos apresentou um 4T25 sólido: entregou crescimento de 5,7% em aluguéis em mesmas lojas, forte queda de 20% nas despesas de propriedades e uma margem EBITDA recorde de 79% graças às menores despesas gerais, administrativas e com vendas. As vendas dos lojistas avançaram 5,1% e a ocupação segue elevada em 97,6%, permitindo manter pressão positiva sobre aluguéis.
A receita ficou em linha com o esperado, impulsionada por maior mídia e aluguéis em mesmas lojas, enquanto o NOI atingiu 94,8% de margem. O AFFO cresceu 4% por ação, embora afetado por impostos acima do previsto, e a alavancagem seguiu estável em 1,7x. Para 2026, o guidance aponta investimentos de R$350450 mi, dividendos de R$0,280,30/ação e EBITDA levemente acima das estimativas, reforçando uma visão positiva. No geral, apesar do leve impacto fiscal, os resultados fortes e o guidance saudável devem agradar o mercado, sustentando a recomendação de Compra.
Bancos
Fizemos uma atualização de nossa cobertura de bancos. Nossa análise de ROE mostra que o Itaú foi o único banco a expandir rentabilidade desde 2019, sustentado por NII e eficiência, e deve continuar avançando de forma mais moderada, puxado por opex. O Bradesco tem o maior espaço para melhora qualitativa, com forte contribuição prevista de NII e opex até 2028, enquanto o Banco do Brasil deve apresentar o maior ganho absoluto, embora partindo de uma base mais fraca e muito dependente de provisões. Já o Santander Brasil exibe sinais mistos: opex ajuda, mas o NII ajustado ao risco tende a perder força devido ao crescimento lento da carteira e menor NIM.
Mantemos recomendação positiva para Bradesco e Itaú com preferência deslocando para o Bradesco apoiada por valuation atrativo, potencial de eficiência, e efeitos positivos de reorganizações societárias. Para Itaú, a agenda de eficiência a partir de 2026 reforça a sustentabilidade de seu elevado spread ROEKe. Em SANB e BBAS, apesar de alguns sinais construtivos, seguimos conservadores dado o momento mais fraco e incertezas específicas, como a próxima janela de pagamentos rurais em BBAS. O corte de 50bps no Ke eleva os preços-alvo e implica potenciais de alta entre 12% e 30%, embora riscos macro, de crédito, regulação e competição permaneçam no radar.
Construção
Os dados de janeiro do mercado imobiliário de São Paulo mostraram desempenho misto: os lançamentos recuaram, enquanto as vendas avançaram, mas com desaceleração da velocidade de vendas e aumento dos estoques. O segmento de baixa renda apresentou o melhor resultado, com vendas fortes, velocidade de venda resiliente e redução do estoque para pouco mais de 7 meses.
Já o nicho médio/alto teve um mês fraco, refletindo menor velocidade de vendas, quedas em todas as faixas de preço e estoques ainda elevados, especialmente no luxo. Apesar do mês sazonalmente mais fraco, o recuo dos lançamentos deve ser bem recebido, após um 2025 marcado por forte oferta no segmento de média/alta renda. No geral, a Cyrela continua sendo a preferência do setor, apoiada em menor nível de estoques, maior exposição ao MCMV e valuation atraente.
Prio no Mercado Hoje 11-03-2026
A PRIO apresentou um 4T25 operacionalmente forte, com EBITDA ajustado de US$ 341 milhões (+7% T/T), impulsionado por maior volume de offtakes e lifting cost menor do que o esperado, apesar da queda nos preços realizados; ainda assim, o trimestre terminou com prejuízo de US$ 185 milhões devido a D&A e impostos mais altos, impactados pela valorização do real.
O lifting cost caiu 28% T/T para US$ 12,5/bbl após a retomada de Peregrino e iniciativas de eficiência, enquanto a alavancagem subiu com a compra dos 40% restantes de Peregrino e desembolsos de capex em Wahoo, Valente, Peregrino e Polvo. As reservas provadas ficaram estáveis em 757 milhões de barris, com adições em Peregrino e Bravo compensando reduções em ABL e Valente; destaque para o aumento de vida econômica em Peregrino graças a menores despesas operacionais. No geral, o trimestre combina bons indicadores operacionais com impacto contábil negativo e aumento relevante de dívida para financiar expansão.
Cury
A Cury entregou um 4T muito forte, com lucro 8% acima do esperado graças a despesas menores de SG&A, sustentado por um sólido crescimento de 37% da receita e por uma margem bruta ajustada recorde de 40,6%. A combinação de forte velocidade de vendas, maior participação de lançamentos recentes e ganho de alavancagem operacional levou o EBITDA ajustado a crescer 51% e o lucro líquido a avançar 63% ano a ano, com ROE anualizado impressionante de 78% e geração de caixa robusta.
Além disso, a companhia terminou o trimestre com posição de caixa líquida saudável. No geral, os resultados superaram amplamente as estimativas e reforçam a visão positiva, com Cury mantendo desempenho superior no setor, valuation atrativo e perspectivas de dividendos elevados até 2027.
MRV
A MRV apresentou, em seu Investor Day, os pilares do processo de recuperação de rentabilidade, destacando expansão de margens, maior eficiência no capital empregado, aceleração da velocidade de vendas com o novo ciclo de lançamentos e a revisão iminente do MCMV, que deve melhorar a demanda e a capacidade de repasse de preços. A companhia já captura ganhos importantes com terrenos mais baratos, maior uso de permutas e margens de novos projetos próximas de 35%, o que pode elevar o ROE para 22%-25% nos próximos anos.
A empresa também prevê vendas mais fortes em 2026, apoiadas por lançamentos mais eficientes e concentrados em mercados estratégicos. No MCMV, as revisões de renda e teto de preços devem melhorar a acessibilidade e reduzir a necessidade de pagamentos. Por fim, a MRV avança no processo de redução de risco da Resia, focando na venda dos ativos concluídos e na redução do landbank e da estrutura operacional. Embora as iniciativas reforcem a trajetória de recuperação, o alto nível de alavancagem ainda limita o otimismo, sustentando a visão mais neutra.
Klabin no Mercado Hoje 11-03-2026
Participamos de uma reunião com o CFO da Klabin. A Klabin reforçou que, apesar do ambiente desafiador, a empresa entra agora em uma fase de colheita, com o ciclo de investimentos majoritariamente concluído e foco firme em desalavancagem, geração de caixa e eficiência estrutural. A redução da alavancagem nos próximos 1824 meses deve vir essencialmente do ramp-up operacional de MP27 e MP28, e não de preços melhores ou venda de ativos industriais, que a companhia não considera por seu modelo integrado.
A estratégia de SPVs florestais segue relevante, mas sem repetir transações do porte da Arauco, dado o landbank mais fragmentado e limitações tributárias. Com capacidade praticamente cheia, o crescimento de volumes será limitado, enquanto ganhos de margem devem vir de disciplina de custos e iniciativas internas de eficiência. Por fim, a Klabin mantém postura conservadora de alocação de capital e não pretende acelerar um novo ciclo de investimentos até que haja condições de mercado e balanço mais favoráveis.
Transportes
O Ministério de Portos destacou que as concessões realizadas desde 2023 já mais de 29 leilões, incluindo marcos como Itajaí e o canal de Paranaguá reforçam a confiança dos usuários ao garantir capacidade adicional e manutenção da infraestrutura. Para 2026, novos leilões relevantes seguem no radar, como os canais de Itajaí, Santos e Rio Grande, atraindo investidores e sustentando o crescimento dos fluxos de carga.
O projeto Tecon Santos 10, considerado o mais emblemático do setor, tem potencial para elevar o Brasil no ranking global de contêineres, mas ainda passa por discussões regulatórias sobre a estrutura competitiva e não possui data definida para leilão. Além disso, a ampliação da área organizada do Porto de Santos deve permitir novos projetos e expansão de capacidade, embora o processo da viabilidade econômica ao leilão leve ao menos dois anos, tornando esse avanço uma realização de médio a longo prazo.
Vale
Na reunião com executivos da Vale, a companhia destacou estar vivendo seu melhor momento operacional em anos, com forte disciplina de capital, desempenho robusto em todas as commodities e convicção crescente em sua estratégia de longo prazo para cobre. No minério de ferro, a empresa vê fundamentos sólidos apesar do noticiário fraco da China, com demanda resiliente por minérios de maior qualidade, prêmios em alta e um cenário estrutural de forte declínio global de oferta.
Sobre o VBM, a Vale reforçou que não busca um IPO imediato: primeiro quer provar capacidade de escalar cobre para ~700kt com menor intensidade de capital, para só então avaliar uma listagem ou transação estratégica em um momento mais favorável do ciclo. A empresa também ressaltou avanços em cobre, com exploração acelerada em Carajás e Canadá e novos estudos técnicos a serem divulgados ainda no primeiro semestre. Em níquel, o foco segue em reduzir custos e aumentar resiliência em um mercado pressionado pelo excesso de oferta da Indonésia; monetização só será considerada quando o negócio estiver competitivo e sustentável.
Stone
Apesar da recomendação neutra, a Stone negocia em níveis tão descontados cerca de 5,4x P/L 2026 e yield potencial de 27% considerando recompras e a venda da Linx que o valuation se tornou difícil de ignorar, mesmo com riscos reais. A tese ainda esbarra em desaceleração do TPV, guidance fraco para 202627 e maior competição no segmento MSMB, além de uma transição ainda incompleta para serviços financeiros.
O guidance inicial de despesa operacional pressionado soou desalinhado com a tendência global de eficiência via IA, mas a empresa rapidamente ajustou o curso com cortes de custos, incluindo demissões relevantes em tecnologia, sugerindo que as projeções podem ser conservadoras. Ainda assim, permanecem riscos de curto prazo, especialmente ligados à execução em crédito, ao ciclo de juros e à fraca geração de caixa, motivo pelo qual a recomendação permanece neutra embora o preço atual indique uma assimetria muito positiva.
Outras informações do Mercado Hoje 11-03-2026
Commodities
Petróleo apresenta alta (US$80,80/b; +0,64%)
Minério de ferro registra alta (US$ 104,20/t; +0,44%)
Agenda do Mercado Hoje 11-03-2026
08:00 EUA Pedidos de Hipoteca
09:00 Brasil Vendas do Varejo
09:30 EUA CPI
Empresas
Raízen: Empresa entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 65 bi, diz a Folha; Rebaixada a Caa3 pela Moodys, perspectiva negativa
Pague Menos: Companhia precifica follow-on em R$ 6,55/ação
Petrobras: Oceânica assinou acordos longo prazo com a estatal por US$ 736 mi
TMT: LWSA e Totvs elevadas a outperform pelo Bradesco BBI
Aegea: Empresa reduz emissão debêntures p/ R$ 782,1 mi após bookbuilding
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As informações fornecidas neste conteúdo são exclusivamente para fins informativos e educacionais e não devem ser interpretadas como recomendações de compra ou venda de ações. Recomenda-se que os investidores realizem suas próprias análises ou consultem um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento.