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Leilão de ferrovias: Veja detalhes do programa de R$ 500 bilhões

O leilão de ferrovias deve marcar uma nova fase para a infraestrutura logística do Brasil nos próximos anos. O governo federal pretende destravar projetos que ficaram parados durante anos. Ao mesmo tempo, o plano busca atrair investimentos bilionários e ampliar a eficiência do transporte de cargas no país. Além disso, o programa ferroviário apresentado pelo […]

Publicado em 11/03/2026 18:19

Filipe Andrade

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Leilão de ferrovias: Veja detalhes do programa de R$ 500 bilhões -  (crédito: Mercado Hoje)
Leilão de ferrovias: Veja detalhes do programa de R$ 500 bilhões - (crédito: Mercado Hoje)

O leilão de ferrovias deve marcar uma nova fase para a infraestrutura logística do Brasil nos próximos anos. O governo federal pretende destravar projetos que ficaram parados durante anos.

Ao mesmo tempo, o plano busca atrair investimentos bilionários e ampliar a eficiência do transporte de cargas no país.

Além disso, o programa ferroviário apresentado pelo Ministério dos Transportes prevê cifras impressionantes.

A estimativa aponta R$ 139,7 bilhões em investimentos diretos nas obras. Paralelamente, as operações das concessões podem somar R$ 516,5 bilhões ao longo dos contratos.

Portanto, o plano completo ultrapassa meio trilhão de reais em movimentação econômica. Esse volume reforça o interesse de investidores nacionais e estrangeiros.

Além disso, o planejamento inclui oito grandes projetos ferroviários distribuídos entre 2026 e 2027.

Esses projetos envolvem construção de novas ferrovias, recuperação de trechos degradados e integração de corredores logísticos estratégicos.

Consequentemente, o objetivo central é reduzir gargalos logísticos, melhorar o escoamento da produção e fortalecer a competitividade da economia brasileira.

Leilão de ferrovias começa com o Anel Ferroviário Sudeste

Primeiramente, o cronograma do leilão de ferrovias começa com o projeto EF-118, conhecido como Anel Ferroviário Sudeste.

Segundo o planejamento oficial, o edital deve ser publicado em março de 2026. Já o leilão está previsto para ocorrer em junho do mesmo ano.

Inicialmente, a ferrovia terá 245,95 quilômetros de extensão obrigatória. O trecho ligará São João da Barra, no Rio de Janeiro, a Santa Leopoldina, no Espírito Santo.

Além disso, o projeto inclui uma fase adicional. Nesse caso, o traçado poderá se estender entre Nova Iguaçu e São João da Barra.

O investimento estimado gira em torno de R$ 6,6 bilhões. Por outro lado, a capacidade operacional da ferrovia chama atenção. O sistema poderá transportar até 24 milhões de toneladas de cargas por ano.

Assim, a nova estrutura promete fortalecer o transporte de produtos industriais e agrícolas no Sudeste.

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Leilão de ferrovias inclui modernização da Malha Oeste

Em seguida, outro destaque do leilão de ferrovias é a concessão da Ferrovia Malha Oeste.

Esse trecho ferroviário já existe. No entanto, a maior parte da infraestrutura encontra-se praticamente inoperante.

Atualmente, a ferrovia possui 1.593 quilômetros de extensão. Ela conecta Corumbá, no Mato Grosso do Sul, a Mairinque, em São Paulo.

Por isso, o projeto prevê uma reforma completa da malha ferroviária. O investimento necessário pode chegar a R$ 35,7 bilhões.

Além disso, a modernização pode transformar a rota em parte de um corredor internacional. O plano inclui conexão com a rota bioceânica até Antofagasta, no Chile.

Consequentemente, a ferrovia pode facilitar o transporte de grãos, celulose, combustíveis e outras commodities.

Outro ponto relevante envolve a integração logística. A malha também poderá se conectar ao porto de Santos e a outros portos do Sudeste.

Leilão de ferrovias aposta no corredor Fico-Fiol

Outro projeto estratégico dentro do leilão de ferrovias é o Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol). O edital deve ser publicado em maio de 2026. Já o leilão deve ocorrer em agosto do mesmo ano.

O projeto contempla 1.647 quilômetros de ferrovia. O trajeto ligará Caetité, na Bahia, a Água Boa, no Mato Grosso.

Além disso, o corredor ferroviário terá papel essencial no escoamento da produção agrícola. Principalmente, a infraestrutura permitirá transportar soja, milho, grãos e granéis líquidos.

O investimento previsto é de aproximadamente R$ 41,85 bilhões. Além disso, a ferrovia permitirá conexão direta com o Porto Sul, em Ilhéus.

Portanto, o corredor tende a reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Ferrogrão é um dos projetos mais aguardados

Entre os projetos mais debatidos do setor ferroviário brasileiro está a Ferrogrão. Esse projeto aparece com destaque no calendário do leilão de ferrovias.

O edital deve ser publicado em junho de 2026, enquanto o leilão está previsto para setembro do mesmo ano.

A ferrovia terá 933 quilômetros de extensão. O trajeto ligará Sinop, no Mato Grosso, a Itaituba, no Pará.

O investimento estimado chega a R$ 33,3 bilhões. Além disso, a capacidade operacional impressiona. A ferrovia poderá transportar até 66 milhões de toneladas de carga por ano.

Essa rota será essencial para o chamado Arco Norte, região que concentra novos corredores de exportação agrícola.

No entanto, o projeto ainda aguarda decisão final do Supremo Tribunal Federal sobre o traçado da ferrovia. Mesmo assim, investidores acompanham o projeto com grande expectativa.

Malha Sul terá três novos projetos ferroviários

Outro conjunto importante do programa envolve a Malha Sul. Nesse caso, o governo pretende dividir a concessão em três corredores independentes.

Primeiramente, o Corredor Paraná-Santa Catarina possui 1.502 quilômetros de extensão. Essa rota responde por 78% da carga transportada na região, principalmente grãos destinados à exportação.

O investimento estimado é de R$ 4,7 bilhões, com R$ 80 bilhões em custos operacionais ao longo da concessão.

Em seguida, aparece o Corredor Rio Grande. Esse trecho possui 880 quilômetros, ligando Cruz Alta ao porto de Rio Grande.

A ferrovia será utilizada principalmente para grãos, fertilizantes, farelos e combustíveis. O projeto prevê R$ 2,8 bilhões em investimentos, além de R$ 10 bilhões em operação e manutenção.

Por fim, o terceiro trecho é chamado de Corredor Mercosul. Essa ferrovia terá 1.847 quilômetros entre Iperó, em São Paulo, e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

O projeto exigirá R$ 4,8 bilhões em investimentos. Além disso, cerca de R$ 3 bilhões serão destinados à reconstrução de trechos danificados pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.

Leilão de ferrovias também prevê expansão da Norte-Sul

Por fim, o leilão de ferrovias inclui um projeto programado para 2027. Trata-se da extensão norte da Ferrovia Norte-Sul.

O edital deverá ser publicado em fevereiro de 2027, enquanto o leilão está previsto para maio do mesmo ano.

O novo trecho terá 530 quilômetros de extensão.A ferrovia ligará Açailândia, no Maranhão, ao porto de Barcarena, no Pará.

O investimento previsto chega a R$ 10 bilhões. Além disso, a operação da concessão poderá gerar R$ 28 bilhões em custos operacionais ao longo de 35 anos.

Consequentemente, o projeto permitirá acesso direto ao complexo portuário de Vila do Conde. Hoje, boa parte da carga depende da Estrada de Ferro Carajás, operada pela Vale.

Assim, a nova rota deve ampliar a concorrência logística e melhorar o escoamento de cargas no Norte do país.

Além desses projetos, o governo também avalia seis novas ferrovias para transporte de passageiros.

Entre elas estão ligações regionais como Salvador-Feira de Santana, Fortaleza-Sobral e Brasília-Luziânia.

Por fim, um modelo diferente de concessão será utilizado para alguns trechos abandonados. Nesse caso, o governo pretende realizar chamamentos públicos para atrair empresas interessadas.

Um exemplo é o Corredor Minas-Rio, que possui 738 quilômetros entre Arcos, Varginha e Angra dos Reis.

Portanto, o sucesso de todo o programa depende da análise de órgãos reguladores. A ANTT e o Tribunal de Contas da União (TCU) precisam avaliar os projetos e autorizar os editais.

Assim, caso os cronogramas sejam cumpridos, o leilão de ferrovias poderá transformar a logística brasileira e impulsionar investimentos históricos no setor.

Perguntas frequentes

Quando ocorrerão os próximos leilões de ferrovias no Brasil?

Os principais leilões de ferrovias estão previstos para acontecer entre 2026 e 2027. O cronograma divulgado pelo governo federal prevê a publicação de editais ao longo de 2026, com disputas realizadas entre junho e dezembro do mesmo ano, enquanto alguns projetos, como a extensão da Ferrovia Norte-Sul, devem ir a leilão em 2027.

Quanto o programa ferroviário deve movimentar em investimentos?

O plano ferroviário prevê cerca de R$ 139,7 bilhões em investimentos diretos nas obras das ferrovias. Além disso, os contratos de concessão podem movimentar aproximadamente R$ 516,5 bilhões em operações ao longo das décadas de concessão, totalizando mais de meio trilhão de reais.

Quais são os principais projetos incluídos no plano de ferrovias?

Entre os principais projetos estão o Anel Ferroviário Sudeste (EF-118), a modernização da Malha Oeste, o corredor Fico-Fiol, a Ferrogrão, três concessões da Malha Sul e a extensão da Ferrovia Norte-Sul. Esses projetos conectam regiões produtoras a importantes portos brasileiros.

Qual é o objetivo do programa de leilões ferroviários?

O principal objetivo é ampliar a malha ferroviária do Brasil, reduzir gargalos logísticos e melhorar o transporte de cargas. Além disso, o programa pretende reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade da economia e estimular o uso de um modal mais sustentável.

A Ferrogrão já está confirmada no programa de concessões?

A Ferrogrão está incluída no cronograma de projetos, com previsão de edital em 2026. No entanto, o projeto ainda depende de uma decisão final do Supremo Tribunal Federal sobre questões relacionadas ao traçado da ferrovia antes de seguir para leilão.