
Saiba as principais notícias do Mercado Hoje 19-03-2026 segundo a equipe de renda variável do Safra Invest: Bolsas em baixa. Commodities em alta. Copom corta Selic e indica calibração no curto prazo. Resultados do leilão de capacidade: ENEV (+) e CPLE (+). Resultados do 4T25: BEEF (-), GMAT (-), HAPV (-), MILS (+), RECV (-) e VIVA (-). Confira!
Análise Técnica
O Ibovespa apresentou queda de 0,43% no último pregão, cotado a 179.639 pontos. O ativo perde a região das médias curtas e apresenta tendência neutra no curto prazo, mas de alta no médio. A primeira resistência fica em 186.000 e a segunda em 192.500 pontos. Do lado da baixa, o primeiro suporte se encontra na região de 164.400. O próximo fica na faixa de 157.200 pontos.
O Dólar Futuro apresentou alta de 0,89% no último pregão, cotado a 5.261,50 pontos. O ativo apresenta tendência de baixa no médio prazo e no curto neutra. Do lado da baixa, o primeiro suporte fica na região de 5.160 pontos. Se perder esse patamar, poderá alcançar o suporte seguinte em 5.105. Já do lado da alta, a primeira resistência do contrato fica na região de 5.355 e a segunda em 5.435.
Exterior
Bolsas na Europa e futuros nos EUA operam em baixa com nova disparada nos preços do petróleo que intensifica as preocupações de que a guerra no Oriente Médio vai alimentar a inflação e prejudicar o crescimento. O movimento da commodity reflete ataques a instalações de energia na região. Ontem, o Fed manteve os juros e Powell trouxe sinal mais duro sobre inflação, enquanto as autoridades de Fed seguem esperando um corte neste ano. Na agenda, destaque para pedidos de auxílio desemprego, estoques no atacado e índice antecedente nos EUA. O minério de ferro apresenta leve alta.
Doméstico
A decisão do Copom de cortar 0,25 ponto percentual veio dentro do esperado. A autoridade monetária evitou dar um guidance como fez em janeiro, apenas manteve o tom conservador ao afirmar serenidade e cautela de forma que os passos futuros dependem de novas informações, uma vez que o conflito no Oriente Médio é um foco de incerteza e ditará o ritmo de calibração no curto prazo. Os caminhoneiros vão se reunir hoje para definir se a proposta do Executivo atende as reivindicações por redução de preço nos combustíveis e pagamento do piso do frete rodoviário.
Atualizações do Mercado Hoje 19-03-2026
Grupo Mateus
O Grupo Mateus reportou um trimestre fraco, com receita 2% abaixo do esperado, ainda que em alta de 22% A/A devido à consolidação do Novo, mas a combinação de despesas operacionais mais elevadas e desaceleração nas vendas com queda de 2% T/T e mesmas lojas em -1,1% levou a um EBITDA ajustado 23% abaixo da estimativa.
O lucro líquido somou R$ 343 milhões, ligeiramente abaixo do esperado, mesmo com reversão tributária de R$ 196 milhões. Apesar de a alavancagem seguir confortável, em 0,4x dívida líquida/EBITDA, o aumento da dívida líquida ao longo do ano e a piora no desempenho do segmento em atacarejo reforçam uma leitura negativa para o trimestre, mantendo cautela até que haja sinais mais claros de melhora operacional e evolução mais consistente do fluxo de caixa.
Utilidades básicas
No primeiro dia do LRCAP 2026, realizado em 18 de março, foram contratados cerca de 19 GW de capacidade com deságio médio de 5,5%, em um leilão grande e com competição limitada, o que favoreceu retornos atrativos para os vencedores. Entre as empresas acompanhadas, a Eneva foi a principal beneficiada, ao contratar mais de 5 GW e capturar, em nossa visão preliminar, a maior adição de valor, enquanto a Copel também surpreendeu positivamente com a contratação de projetos de expansão hidrelétrica a boas taxas de retorno.
Axia, Engie e Orizon também garantiram contratos, embora com impacto relativamente menor em seus portfólios, sendo que, no caso da Orizon, os projetos ajudam a alongar a geração de caixa dos ativos existentes. Em resumo, nossa leitura inicial é positiva para as empresas sob cobertura, já que o leilão abriu oportunidades relevantes e preservou boas condições econômicas para os participantes.
Vivara
A Vivara apresentou um trimestre de forte crescimento de vendas, com receita bruta de R$ 1,37 bilhão (+17,5% A/A), impulsionada principalmente pelo segmento Life, que avançou 20,4% e já representa 22% das vendas, apoiado pela expansão da rede e pelo bom desempenho das lojas maduras. No entanto, a rentabilidade decepcionou, já que a estratégia mais promocional para sustentar esse crescimento pressionou as margens: a margem bruta recuou significativamente e o EBITDA ajustado caiu para R$ 286 milhões, com contração relevante da margem, enquanto o lucro líquido somou R$ 178 milhões, queda de 41% A/A e abaixo das estimativas.
Apesar da leve melhora sequencial na alavancagem e do balanço ainda sólido, os estoques seguem elevados, o que mantém a atenção do mercado. Diante da deterioração da lucratividade e da baixa visibilidade sobre a sustentação das margens em um cenário de metais preciosos mais caros, a recomendação permanece neutra.
PetroReconcavo no Mercado Hoje 19-03-2026
A PetroReconcavo reportou EBITDA ajustado de R$ 295 milhões no 4T25, queda de 16% T/T e ligeiramente abaixo das estimativas, refletindo a combinação de preços mais baixos do petróleo e menor volume vendido, impactado por paradas de produção no trimestre. O lucro líquido somou R$ 51 milhões, recuo de 58% T/T, mas ficou acima do esperado graças a depreciação e despesas financeiras menores que o previsto.
A companhia registrou queima de caixa de R$ 20 milhões, bem inferior à do trimestre anterior, beneficiada por menor capex. No relatório de reservas de dezembro de 2025, a taxa de reposição ficou em 97%, o que não é ruim isoladamente, mas perde atratividade diante do desempenho operacional abaixo do planejado; as reservas provadas caíram 2% A/A para 143 milhões de boe, enquanto o capex associado às reservas 1P subiu para US$ 686 milhões e o custo de desenvolvimento avançou para US$ 8,4/boe.
MBRF no Mercado Hoje 19-03-2026
A MBRF apresentou resultados neutros, com crescimento sólido de receita e EBITDA ajustado praticamente em linha com as estimativas e o consenso, refletindo um desempenho misto entre divisões: Beef North America decepcionou, pressionada pelo ambiente ainda desafiador para a National Beef e pela compressão de margens nos EUA, enquanto BRF ficou em linha e Beef South America surpreendeu positivamente, beneficiada pela forte demanda global por proteínas.
Em 2025, o fluxo de caixa livre somou R$ 985 milhões (yield de 4,3%), apesar de uma queima de caixa de R$ 63 milhões no 4T ligada principalmente a capex. No geral, a companhia segue demonstrando boa execução operacional, mesmo diante do aumento de custos, o que sustenta a visão positiva e a recomendação de Compra para MBRF3.
Mills
A companhia apresentou um resultado levemente positivo, com receita crescendo 14% A/A, em linha com o consenso, impulsionada principalmente pelos fortes desempenhos de Intralogística, Linha Amarela e Formas & Escoramentos, apesar da fraqueza ainda observada em Plataformas.
A rentabilidade foi sustentada por alavancagem operacional, melhor mix de receitas e disciplina de custos, levando o EBITDA a R$ 239 milhões (+17% A/A), com expansão de margem para 48,6%, embora ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado. O lucro líquido atingiu R$ 78,6 milhões (+3,8% A/A), pressionado pelo aumento das despesas financeiras e da depreciação. Já o fluxo de caixa operacional ajustado foi forte, somando R$ 265,7 milhões no trimestre, equivalente a 111% do EBITDA, enquanto o ROIC recuou modestamente para 19,4%, refletindo o ciclo atual de investimentos.
Hapvida
A Hapvida apresentou mais um trimestre fraco no 4T25, com EBITDA ajustado de R$ 556 milhões, 26% abaixo da estimativa do Safra e 29% abaixo do consenso, refletindo pressão relevante sobre margens recorrentes por maior sinistralidade caixa e despesas administrativas mais elevadas. Embora a receita líquida tenha vindo em linha com o esperado, o resultado reforça um cenário ainda desafiador, marcado por perda expressiva de beneficiários e aumento da alavancagem, o que pesa sobre a tese de investimento.
O trimestre sugere que os desafios da companhia combinam fatores transitórios, como maior utilização e inverno prolongado, com questões mais estruturais, como o custo de maturação da rede própria expandida e a competição mais intensa no Sudeste. A administração indicou 2026 como um ano de execução e recuperação gradual, sem sinalizar uma virada imediata, e seguimos com recomendação Neutra, vendo espaço para novas revisões baixistas de lucro.
Minerva
A Minerva reportou resultados abaixo do esperado, com EBITDA 10% inferior à nossa projeção e 9% abaixo do consenso, apesar de volumes sólidos no Brasil, Argentina e Colômbia, que compensaram a fraqueza em Uruguai e Paraguai. A pressão veio principalmente do aumento do custo do gado, que comprimiu margens, além de despesas administrativas acima do previsto.
Por outro lado, o resultado financeiro melhorou na comparação anual devido a uma base mais favorável, enquanto o fluxo de caixa livre foi negativo no trimestre, embora o yield em 12 meses siga forte, em 36%. Com balanço menos alavancado após o aumento de capital, boa execução operacional e um cenário global favorável para oferta e demanda de carne bovina, seguimos vendo valuation atrativo e mantemos recomendação de Compra para BEEF3, ainda que o resultado fraco e o aperto monetário no Brasil possam levar a revisões para baixo nas estimativas.
Nvidia no Mercado Hoje 19-03-2026
Na GTC 2026, realizada de 16 a 19 de março em San Jose, a NVIDIA apresentou uma agenda ambiciosa centrada na próxima fase da infraestrutura de IA: o destaque foi a plataforma Vera Rubin, que entrou em produção plena e promete elevar significativamente a capacidade e a eficiência econômica dos data centers em relação à geração anterior, agora combinada ao novo sistema de inferência de baixa latência Groq 3 LPX, voltado a atender a crescente demanda por aplicações agentic AI.
Jensen Huang também revelou visibilidade de mais de US$ 1 trilhão em pedidos até 2027 para Blackwell e Rubin, reforçando a força da demanda, além de antecipar o roadmap da arquitetura Feynman para 2028 e expandir a presença da companhia na camada de software com os modelos abertos Nemotron 3 e a distribuição corporativa NemoClaw. O evento ainda trouxe anúncios em games, veículos autônomos, robótica e IA industrial, reforçando a estratégia da NVIDIA de controlar toda a pilha tecnológica da IA, do chip ao software.
Taesa
A Taesa reportou mais um trimestre sólido, com EBITDA regulatório ajustado de R$ 537 milhões no 4T25 (+12% A/A), em linha com as estimativas, sustentado pelos reajustes anuais da RAP no ciclo 20252026 e pelo início de operação de novas linhas e reforços, o que impulsionou a receita em 10,8% A/A.
O lucro líquido, de R$ 323 milhões, veio bem acima do esperado, beneficiado principalmente por menor alíquota efetiva de imposto, maior aproveitamento de incentivos fiscais e ganhos relacionados às concessões. A companhia também anunciou distribuição de dividendos e JCP de R$ 0,91 por unit (yield de 2,2%), levando o payout a 100% do lucro regulatório no trimestre e também no acumulado de 2025. Apesar do bom resultado operacional, da disciplina de custos e da forte remuneração ao acionista, a avaliação atual do papel sustenta uma visão neutra.
Siderurgia e mineração
Com base em nossa análise semanal, vimos o minério de ferro perdendo força, com aumento dos estoques nos portos e queda da produção diária de aço, embora a taxa de operação dos altos-fornos e as margens de HRC tenham melhorado; ao mesmo tempo, os diferenciais de qualidade se ampliaram, com maior prêmio para o teor de 65% e maior desconto para o de 58%. No ouro, o aumento do posicionamento na COMEX indicou viés mais otimista, apesar do avanço do mercado para contango sugerir oferta mais folgada ou demanda mais fraca, enquanto os estoques caíram, os ETFs ficaram estáveis e a relação ouro/prata subiu.
Já o alumínio mostrou menor interesse dos investidores, mas sinais de aperto físico, com backwardation mais forte, prêmios mistos entre regiões, estoques e curva de custo em leve alta. Por fim, o cobre também registrou redução no posicionamento, mas apresentou fundamentos físicos mais firmes, com backwardation mais acentuada, prêmio maior na China e preços na LME em alta, ainda que os estoques em bolsa tenham aumentado.
Outras informações do Mercado Hoje 19-03-2026
Commodities
Petróleo apresenta alta (US$112,30/b; +9,00%)
Minério de ferro registra alta (US$ 107,45/t; +0,13%)
Agenda do Mercado Hoje 19-03-2026
09:30 EUA Pedidos de auxílio desemprego
10:15 Zona do Euro Decisão Taxa de Juros
11:00 EUA Índice Líder da Economia
11:00 EUA Estoques do Atacado m/m
Empresas
Minerva: Empresa rebaixada a neutra por Genial Investimentos
PetroReconcavo: Companhia rebaixada a neutra por Bradesco BBI
CSN: Empresa rebaixada para B pela S&P
Meliuz: Prejuízo líquido 4T R$32,9 mi X lucro R$21,5 mi a/a
PicPay: FinTech prevê lucro líquido ajustado de R$ 155 mi no 1T26
CVC: Prejuízo líquido 4T R$27,7 mi X prejuízo R$61,2 mi a/a
Embraer: Companhia elevada a compra por XP Investimentos; preço-alvo R$92
Sabesp: Empresa iniciada como compra por Jefferies; preço-alvo R$190
Nubank: Banco elevado a compra por UBS; preço-alvo US$17,60
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As informações fornecidas neste conteúdo são exclusivamente para fins informativos e educacionais e não devem ser interpretadas como recomendações de compra ou venda de ações. Recomenda-se que os investidores realizem suas próprias análises ou consultem um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento.