
O grupo proprietário do refrigerante Dolly voltou ao centro das atenções após o Grupo Dolly anunciar a desistência da recuperação judicial iniciada em 2018.
Agora, a fabricante pretende reorganizar suas dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, modelo considerado mais rápido e estratégico.
A decisão ocorre em meio a um cenário financeiro delicado, marcado por prejuízos milionários e disputas judiciais que envolvem a companhia há anos.
Além disso, a mudança representa uma nova tentativa de preservar as operações da empresa. O grupo busca manter a produção, proteger empregos e recuperar a confiança de credores e parceiros comerciais.
O que muda com a recuperação extrajudicial da Dolly
Atualmente, a recuperação extrajudicial funciona de forma diferente da recuperação judicial tradicional.
Nesse modelo, a empresa negocia diretamente com parte dos credores antes de apresentar o acordo à Justiça.
Dessa forma, o processo costuma ser mais ágil. Além disso, ele oferece maior flexibilidade para a empresa reorganizar suas finanças.
Segundo o advogado Edgar Bechara, que representa o grupo, o novo formato se tornou mais vantajoso após as mudanças na Lei de Recuperação Judicial aprovadas em 2020.
Antes, era necessário o apoio de três quintos dos credores. Agora, basta aprovação de 50% mais um.
Ainda conforme o advogado, mais de 60% dos credores já aprovaram a migração para o novo modelo. Por isso, a expectativa é que o plano seja homologado sem grandes obstáculos.
Enquanto isso, a empresa segue negociando os detalhes finais do acordo. O plano definitivo deve ser apresentado nos próximos dias.
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Crise financeira atingiu o Grupo Dolly em cheio
A crise do grupo começou em 2017, após acusações de sonegação fiscal envolvendo os sócios e empresas ligadas à marca. Na época, houve bloqueio de bens e contas bancárias.
Consequentemente, a situação financeira piorou rapidamente. As dívidas ultrapassaram R$ 200 milhões, colocando em risco a continuidade das operações.
Além disso, o grupo enfrentou ameaça de fechamento de unidades e demissões de funcionários.
Naquele período, o empresário Laerte Codonho afirmou que a recuperação judicial era a única alternativa para evitar a paralisação da companhia.
Desde então, o processo passou por diversas disputas judiciais e questionamentos sobre a estrutura empresarial do grupo.
Mesmo assim, o refrigerante Dolly continuou presente em supermercados e pontos de venda em várias regiões do Brasil.
A marca ainda mantém reconhecimento popular, principalmente no mercado de bebidas de baixo custo.
Justiça e condenações aumentaram a pressão sobre a empresa proprietária do Refrigerante Dolly
Nos últimos anos, os problemas judiciais ampliaram a pressão sobre o grupo. Em março do ano passado, Laerte Codonho foi condenado pela Justiça de São Paulo.
A decisão determinou pena de 11 anos e quatro meses de reclusão, além de outras sanções. O empresário também recebeu condenação relacionada a crime ambiental, corrupção de policiais e outros delitos.
Além disso, outras sete pessoas foram condenadas por participação nos crimes investigados. Por outro lado, Codonho negou todas as acusações. Segundo ele, a sentença foi absurda e injusta.
Outro ponto importante envolveu a inclusão da Ecoserv no processo de recuperação. A empresa pertence aos mesmos sócios da Dolly.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu a existência de um grupo econômico de fato.
Entre os indícios analisados estavam confusão patrimonial, compartilhamento de funcionários e coincidência de endereços. Assim, a decisão reforçou o entendimento de que as empresas atuavam de maneira integrada.
Credores apoiam nova estratégia da empresa
Apesar das dificuldades, parte relevante dos credores demonstrou apoio à nova estratégia da companhia. Segundo a defesa do grupo, existe diálogo constante entre as partes.
Além disso, muitos credores acreditam que a empresa sofreu medidas consideradas excessivas nos últimos anos. Essa percepção teria fortalecido o apoio à recuperação extrajudicial.
Na prática, os credores avaliam que o novo formato pode aumentar as chances de recuperação financeira do grupo. Com isso, cresce a possibilidade de pagamento gradual das dívidas.
Enquanto isso, a Dolly tenta recuperar estabilidade operacional. A empresa também busca preservar contratos comerciais e manter sua presença no setor de bebidas.
Especialistas afirmam que a recuperação extrajudicial pode reduzir custos processuais e acelerar negociações.
Porém, o sucesso dependerá da capacidade de geração de caixa da empresa nos próximos meses.
Refrigerante Dolly ainda tem força no mercado brasileiro
Mesmo após anos de crise, o refrigerante Dolly continua sendo uma marca conhecida no Brasil.
A empresa ganhou notoriedade principalmente pelo forte investimento em publicidade televisiva e pelo mascote Dollynho.
Além disso, a marca construiu presença relevante em mercados populares. O foco em preços acessíveis ajudou a manter consumidores fiéis durante anos.
Entretanto, os problemas financeiros afetaram a competitividade da companhia. Nos últimos anos, concorrentes ampliaram participação no mercado nacional de refrigerantes.
Ainda assim, a Dolly tenta mostrar que possui capacidade de recuperação. A migração para o modelo extrajudicial representa uma nova aposta para reorganizar as finanças e evitar novos riscos operacionais.
Por fim, o futuro do grupo dependerá da aprovação do plano pelos credores e da capacidade de retomar o crescimento. Até lá, o caso segue sendo acompanhado de perto pelo mercado e pela Justiça.
Perguntas frequentes
A empresa desistiu da recuperação judicial iniciada em 2018 e decidiu migrar para uma recuperação extrajudicial para renegociar dívidas com parte dos credores.
A recuperação extrajudicial é um modelo em que a empresa negocia diretamente com credores antes de levar o acordo para homologação da Justiça.
Durante a crise financeira, as dívidas do grupo ultrapassaram R$ 200 milhões, segundo informações do processo.
Sim. O empresário foi condenado pela Justiça de São Paulo por crimes ambientais, corrupção e outros delitos, mas nega todas as acusações.
Até o momento, a empresa mantém suas operações e segue comercializando seus produtos normalmente no mercado brasileiro.