
Em cenário de custos elevados, cuidado técnico passa a ser estratégia para reduzir despesas e preservar o investimento do consumidor.
O aumento das motocicletas na mobilidade brasileira tem ampliado a atenção dos proprietários para um aspecto que vai além da segurança: a preservação do patrimônio. Em um mercado que registrou crescimento da frota de motos para 14,6 milhões de unidades em circulação no país, segundo levantamento do Sindipeças divulgado em 2026, os cuidados preventivos ganham cada vez mais relevância na manutenção do valor de revenda e no prolongamento da vida útil dos veículos.
Para o especialista Rodrigo Borges Torrealba, CEO da MotoX Comércio de Motos Ltda, a manutenção preventiva deve ser encarada como parte da gestão financeira do proprietário. Segundo ele, revisões periódicas e acompanhamento técnico adequado ajudam a evitar gastos elevados com reparos corretivos e contribuem para a conservação do veículo ao longo dos anos.
“A manutenção preventiva não representa apenas uma questão de segurança. Ela influencia diretamente a durabilidade dos componentes, reduz a necessidade de substituições prematuras e ajuda a preservar o valor da motocicleta no mercado de usados”, afirma.
O custo de adiar revisões
A manutenção preventiva envolve procedimentos programados pelo fabricante, como troca de óleo, inspeção de freios, verificação da transmissão, análise do sistema elétrico e acompanhamento do desgaste de pneus e suspensões. Embora muitos proprietários priorizem apenas reparos quando surge algum problema, especialistas alertam que essa prática costuma resultar em custos mais elevados no médio e longo prazo.
Levantamentos da Abraciclo realizados em ações de inspeção técnica identificaram que grande parte das motocicletas avaliadas apresentava necessidade de manutenção em itens fundamentais para o funcionamento do veículo.
Em uma das edições do MotoCheck-Up, 90% das motos inspecionadas apresentaram falhas em pelo menos um dos componentes analisados. Entre os problemas mais frequentes estavam defeitos nos freios, na caixa de direção e na suspensão.
De acordo com o CEO, muitos desses problemas poderiam ser evitados com inspeções regulares.
“Quando a manutenção é negligenciada, pequenos desgastes acabam se transformando em falhas mais complexas. Isso gera despesas maiores e pode reduzir a vida útil de peças importantes do conjunto mecânico”, explica.
Valorização no mercado de usados
Além dos impactos operacionais, o histórico de manutenção também influencia a percepção de valor no momento da venda. Para os consumidores que buscam maior previsibilidade sobre o estado do veículo, registros de revisões e comprovantes de serviços realizados tendem a funcionar como indicadores de conservação.
Segundo Rodrigo Borges Torrealba, compradores estão cada vez mais atentos ao histórico da motocicleta antes de fechar negócio.
“O mercado valoriza veículos que demonstram cuidado contínuo. Uma motocicleta com revisões documentadas transmite mais confiança ao comprador e pode apresentar melhor liquidez quando comparada a outra sem histórico de manutenção”, avalia.
A preocupação com a conservação ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento natural da frota nacional. Embora a idade média das motocicletas tenha apresentado redução recente, passando para cerca de 7 anos e 8 meses, o tempo de uso continua exigindo atenção dos proprietários para garantir desempenho e confiabilidade.
Manutenção como estratégia de economia
O aumento dos custos de peças, serviços e aquisição de novos veículos também tem levado consumidores a permanecer mais tempo com suas motocicletas. Nesse contexto, especialistas apontam que a manutenção preventiva se torna uma ferramenta de planejamento financeiro.
Para o empresário Rodrigo Borges Torrealba, a lógica é semelhante à de qualquer outro patrimônio de valor.
“Assim como acontece com imóveis ou equipamentos de trabalho, a motocicleta exige cuidados contínuos para preservar seu desempenho e evitar perdas financeiras. O investimento em manutenção preventiva costuma ser menor do que o custo gerado por falhas que poderiam ter sido identificadas antecipadamente”, destaca.
Tendência de longo prazo
Com a expansão da frota nacional e a crescente utilização das motocicletas como meio de transporte e instrumento de trabalho, a expectativa é que a conscientização sobre manutenção preventiva avance nos próximos anos. Além da redução de riscos mecânicos, a prática tende a contribuir para a valorização do veículo e para a diminuição dos custos de propriedade.
Torrealba avalia que a mudança de comportamento passa pela compreensão de que a manutenção não deve ser vista como gasto eventual, mas como parte do ciclo de uso da motocicleta.
“Preservar a motocicleta é preservar um investimento. Quanto mais consistente for o cuidado ao longo do tempo, maiores serão os benefícios em termos de durabilidade, desempenho e valor de mercado”, conclui.
Sobre Rodrigo Borges Torrealba
Rodrigo Borges Torrealba é CEO da MotoX Comércio de Motos Ltda desde 2008. Formado em Administração, possui MBAs em Administração de Negócios Marítimos e Administração Financeira, obtidos durante sua trajetória na Cia Paulista de Comércio Marítimo. Atuou em funções administrativas e comerciais, incluindo o cargo de Diretor Comercial para a Europa, acumulando experiência no comércio internacional. À frente da MotoX, tem priorizado inovação, atendimento de qualidade e sustentabilidade, alinhando a empresa às diretrizes ESG e à modernização do mercado de motocicletas no Brasil.