
Novas dinâmicas digitais do pleito de 2026 impõem desafios diretos à ética, governança e gestão de riscos corporativos
Novas dinâmicas digitais do pleito de 2026 impõem desafios diretos à ética, governança e gestão de riscos corporativos
O avanço da inteligência artificial tornou mais simples produzir conteúdos sintéticos, manipular imagens, vídeos e áudios e criar informações falsas com aparência de autenticidade, um risco que ganha ainda mais peso durante o período eleitoral. Ao mesmo tempo, a velocidade de disseminação das redes sociais reduz o tempo disponível para identificar, avaliar e responder a uma crise.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atualizou as regras para as Eleições de 2026 e estabeleceu novas diretrizes para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, incluindo exigências de identificação de conteúdos sintéticos e restrições ao uso de material manipulado que possa comprometer a integridade do processo.
Para as empresas, que não são protagonistas do pleito, mas não estão isentas de riscos, o cenário reforça que o período eleitoral também é uma questão de governança, gestão de riscos, reputação, privacidade e segurança digital.
Compliance eleitoral é responsabilidade de todos
A legislação brasileira estabelece restrições específicas à atuação de empresas durante o período eleitoral, entre elas a proibição de doações empresariais a campanhas e as regras sobre assédio eleitoral, caracterizado pela pressão direta ou indireta para que trabalhadores adotem determinado posicionamento político.
Hoje, esse vetor de exposição passa também pelo ambiente digital: uma mensagem de um gestor em um grupo corporativo, uma comunicação interna mal calibrada ou até uma manifestação pública de um executivo podem gerar riscos quando há associação com a organização e relação de subordinação envolvida.
A digitalização das relações de trabalho mudou tudo. Hoje, uma mensagem no grupo da empresa, um e-mail ou um áudio da liderança podem se tornar evidências com facilidade. Por isso, a melhor estratégia não é tentar negar o problema depois, mas sim conseguir provar que, desde o começo, foi criado um ambiente seguro em que não há espaço para coação política sobre os colaboradores, afirma Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance, empresa de tecnologia para gestão de compliance.
Os principais riscos digitais em 2026
Desinformação e deepfakes envolvendo a marca. Empresas podem ser citadas, direta ou indiretamente, em conteúdos falsos com viés eleitoral, por meio de vídeos manipulados ou pelo uso indevido de sua identidade visual em peças de desinformação.
Uso de canais corporativos para fins eleitorais. Grupos de WhatsApp, listas de e-mail internas e intranets são canais vinculados à rotina da empresa e exigem atenção redobrada durante o período eleitoral.
Pressão hierárquica disfarçada de opinião. Uma manifestação política tem peso diferente quando parte de alguém em posição de autoridade. Mesmo quando a intenção é compartilhar apenas uma opinião, a relação de subordinação pode caracterizar assédio eleitoral em determinados contextos.
Uso inadequado de dados pessoais. Empresas que lidam com bases de clientes ou colaboradores precisam avaliar qualquer tratamento de dados relacionado ao contexto eleitoral à luz da LGPD.
Prevenção começa antes do período eleitoral
A prevenção não pode se limitar a um comunicado enviado às vésperas da eleição. É preciso transformar as diretrizes em processos, treinamentos e mecanismos que façam parte da rotina da organização.
O primeiro passo é preparar lideranças e colaboradores para reconhecer situações de risco, com treinamentos sobre assédio eleitoral, conduta ética e uso responsável de canais corporativos.
Também é importante contar com um canal de denúncias confiável, que permita relatar situações de pressão com segurança e sigilo, uma estrutura fundamental para identificar casos de coação antes que se transformem em um problema maior.
Outro ponto é ter visibilidade sobre os próprios processos de compliance. Mapear riscos, responsabilidades, conflitos de interesse e pontos de exposição permite que a organização atue de forma preventiva, em vez de reagir apenas quando uma situação já ocorreu.
Empresas de tecnologia voltadas para compliance, como a própria clickCompliance, oferecem ferramentas que vão desde treinamentos e canais de denúncia até o mapeamento de riscos.
Prevenção começa com liderança treinada para reconhecer onde termina a conversa e começa a coação, segue com um canal de denúncias em que o trabalhador realmente confie e se sustenta na capacidade de enxergar onde a exposição política se concentra dentro da estrutura, explica Erthal.
Visando discutir esses desafios, a clickCompliance promove, no dia 13 de agosto, das 10h às 11h, uma nova edição do Compliance Talks com o tema Eleições 2026 e os novos riscos digitais.
O webinar é gratuito, dá direito a certificado e reúne especialistas em governança, risco e compliance: Marisa Peres (Nissan), Eduardo Staino (Andrade Gutierrez) e Marcelo Zenkner (FTI Consulting).
O evento é uma oportunidade para aprofundar as questões abordadas nesta matéria e entender como as empresas podem se preparar para o cenário eleitoral.