
A recuperação judicial da Braskem ganhou destaque nesta segunda-feira, 24 de agosto, após a petroquímica protocolar um pedido de recuperação extrajudicial.
A companhia busca renegociar uma dívida estimada em cerca de R$ 54 bilhões e terá 90 dias para avançar na reestruturação.
Agora, a empresa tenta construir um acordo direto com os credores. O objetivo é reorganizar seus compromissos financeiros antes que a pressão sobre o caixa aumente.
Além disso, o novo pedido substitui uma proteção emergencial anterior. A medida havia suspendido temporariamente ações de execução e bloqueios de bens movidos por credores financeiros.
Portanto, a Braskem entra em uma nova etapa de negociação. O desfecho poderá influenciar acionistas, credores, fornecedores e o futuro de uma das maiores petroquímicas brasileiras.
Recuperação judicial da Braskem: o que a empresa precisa fazer agora
Apesar da expressão recuperação judicial aparecer nas buscas, a empresa optou por um processo diferente.
A Braskem (BRKM5) protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, modalidade que prioriza a negociação direta com credores.
Com isso, a companhia terá três meses para negociar as dívidas e estruturar um plano. Depois, o acordo poderá ser levado à Justiça para homologação, conforme as regras aplicáveis ao processo.
Diferentemente da recuperação judicial, o modelo extrajudicial não começa com uma reestruturação completa conduzida pelo Judiciário. Assim, a empresa busca inicialmente alcançar entendimentos com os grupos envolvidos.
A Braskem precisa, portanto, convencer credores a aceitar mudanças nas condições das dívidas. Essas negociações podem envolver prazos, cronogramas de pagamento e outras condições financeiras.
Além disso, a companhia precisa preservar suas operações durante a reestruturação. A manutenção das atividades é importante para proteger receitas e garantir a continuidade dos negócios.
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Crise financeira se agravou com vários fatores
A situação atual não surgiu de forma repentina. Nos últimos anos, a empresa enfrentou uma sequência de problemas operacionais, financeiros e ambientais.
Em 2015, a companhia anunciou um grande investimento no México. O projeto envolveu cerca de US$ 5,2 bilhões para a construção de uma planta de eteno e três unidades de produção de polietileno.
Porém, a crise envolvendo a antiga Odebrecht, atual Novonor, mudou o cenário. A operação Lava Jato atingiu a controladora e aumentou a necessidade de venda da participação na petroquímica.
Desde então, a busca por uma solução societária se arrastou por anos. A falta de uma definição coincidiu com outros problemas enfrentados pela companhia.
Ao mesmo tempo, o mercado global de petroquímicos passou por um período de excesso de oferta. Como consequência, os preços dos produtos sofreram pressão.
Além disso, a entrada de produtos asiáticos mais baratos aumentou a concorrência no Brasil. O cenário atingiu especialmente produtos como o polietileno.
Recuperação judicial da Braskem ocorre após crise em Maceió
Outro fator importante na trajetória da empresa envolve o desastre ambiental em Maceió, Alagoas.
O problema começou a ganhar grandes proporções em março de 2018, após o afundamento do solo em bairros da capital.
A extração de sal-gema em 35 minas subterrâneas provocou graves impactos na região. Tremores, rachaduras e fendas levaram à evacuação de mais de 60 mil pessoas, segundo os dados citados no caso.
Os bairros afetados incluíram Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. A atividade de mineração na área foi interrompida em maio de 2019.
Posteriormente, a situação voltou a se agravar. Em novembro de 2023, houve uma aceleração no afundamento do solo e a prefeitura decretou emergência por 180 dias.
Pouco depois, a Mina 18 sofreu colapso. O episódio provocou a abertura de uma cratera com cerca de 300 metros de diâmetro.
Em novembro de 2025, a Braskem assinou um acordo com o governo de Alagoas. O entendimento previu o pagamento de R$ 1,2 bilhão em indenização pelos danos.
O valor seria pago em parcelas anuais durante dez anos. Paralelamente, o governo estadual complementou um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 2,3 bilhões para 13 municípios da região metropolitana de Maceió.
Entretanto, movimentos de vítimas criticaram os valores envolvidos. Estimativas mencionadas pelo governo estadual apontavam mais de R$ 30 bilhões apenas em danos.
Operação no México aumenta a pressão sobre a Braskem
Enquanto enfrenta desafios no Brasil, a empresa também lida com dificuldades fora do país. A operação da Braskem Idesa, joint venture mexicana, aumentou a pressão financeira sobre o grupo.
Na última terça-feira, 18 de agosto, a joint venture entrou com pedido de proteção semelhante à recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11.
Segundo as informações divulgadas, a empresa alcançou acordos para reduzir a dívida em mais de US$ 920 milhões, o equivalente a cerca de R$ 4,78 bilhões.
Além disso, a expectativa era concluir o processo entre 60 e 90 dias. A empresa também informou que suas operações diárias continuariam normalmente durante a reorganização.
A Braskem, acionista majoritária da operação mexicana, informou uma contribuição de US$ 476 milhões, aproximadamente R$ 2,48 bilhões.
Assim, a crise da subsidiária adiciona mais um desafio à reestruturação financeira do grupo. O desempenho das operações internacionais também poderá influenciar a capacidade de recuperação da companhia.
Recuperação judicial da Braskem: o que acontece a partir de agora
A chamada recuperação judicial da Braskem, embora o processo atual seja extrajudicial, coloca a empresa diante de uma fase decisiva. Nos próximos 90 dias, a companhia precisará avançar nas negociações com seus credores.
Primeiro, a empresa terá de buscar apoio suficiente para viabilizar seu plano de reestruturação. Depois, precisará demonstrar que possui condições de manter as operações e cumprir os novos compromissos.
Além disso, investidores acompanharão os impactos sobre a BRKM5 e sobre a estrutura financeira da companhia.
Credores também observarão as condições propostas para uma dívida próxima de R$ 54 bilhões.
Por outro lado, a continuidade das atividades ganha importância por causa do peso industrial da Braskem.
A companhia é a maior produtora brasileira de resinas termoplásticas, usadas como matéria-prima em diversos produtos plásticos.
Portanto, a recuperação extrajudicial pode definir um novo rumo para a empresa. O resultado das negociações será decisivo para determinar se a Braskem conseguirá reduzir a pressão financeira e reorganizar seus negócios.
Perguntas frequentes
A empresa protocolou, em 24 de agosto de 2026, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 54 bilhões em dívidas. O processo é diferente da recuperação judicial tradicional.
A Braskem busca reestruturar aproximadamente R$ 54 bilhões em obrigações financeiras, sendo grande parte da dívida denominada em dólares.
A empresa terá um período de 90 dias para negociar com os credores e estruturar seu plano de reestruturação financeira.
Não. Segundo as informações divulgadas pela companhia, o processo tem escopo financeiro e não abrange as obrigações com fornecedores, clientes e demais partes interessadas.
As ações BRKM5 podem continuar sensíveis às negociações com os credores e aos próximos passos da reestruturação. O mercado acompanha principalmente a capacidade da empresa de reduzir a pressão da dívida e reorganizar sua estrutura financeira.