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O custo da complexidade no RH: quando processos geram fricção

A gestão de pessoas é uma área que reúne processos que precisam equilibrar eficiência, controle e experiência do colaborador: desde a administração de um cartão de benefícios flexíveis até fluxos de admissão, férias, avaliações e movimentações internas, cada etapa adicionada à operação exige tempo e atenção.  Mas, quando regras, aprovações e exceções se acumulam sem […]

Publicado em 17/09/2026 12:07

Filipe Andrade

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O custo da complexidade no RH: quando processos geram fricção -  (crédito: Mercado Hoje)
O custo da complexidade no RH: quando processos geram fricção - (crédito: Mercado Hoje)

A gestão de pessoas é uma área que reúne processos que precisam equilibrar eficiência, controle e experiência do colaborador: desde a administração de um cartão de benefícios flexíveis até fluxos de admissão, férias, avaliações e movimentações internas, cada etapa adicionada à operação exige tempo e atenção. 

Mas, quando regras, aprovações e exceções se acumulam sem uma revisão da lógica do processo, o RH deixa de simplificar a jornada e passa a criar pontos de fricção.

O que é complexidade no RH?

Complexidade no RH não significa necessariamente ter muitos processos. O problema verdadeiro surge quando uma atividade exige etapas, regras, sistemas ou aprovações que não entregam valor proporcional ao esforço necessário para executá-la.

Uma política pode ter sido criada para aumentar o controle e, com o tempo, ganhar novas exceções; um formulário pode ter sido implementado para melhorar a qualidade dos dados e exigir informações que já estão disponíveis em outro sistema; uma aprovação adicional pode ter surgido para reduzir riscos e permanecer mesmo depois que o contexto que a justificava deixou de existir.

Esse acúmulo cria o que é conhecido como complexidade operacional: o processo continua funcionando, mas exige mais esforço para produzir o mesmo resultado.

Por que processos bem-intencionados geram fricção?

A origem da fricção raramente está em uma única decisão equivocada. Ela aparece quando diferentes decisões, tomadas em momentos distintos, deixam de ser avaliadas como partes de uma mesma jornada.

No RH, isso é especialmente relevante porque os processos atravessam diferentes áreas, sistemas e níveis de decisão. Uma alteração cadastral, por exemplo, pode envolver colaborador, liderança, RH, folha e tecnologia.

Cada interação adicional aumenta a possibilidade de espera, retrabalho, erro ou dúvida. O efeito acumulado reduz a eficiência do processo e também afeta a percepção que o colaborador tem da organização.

Como identificar pontos de fricção nos processos de RH?

O primeiro passo é analisar o processo a partir da experiência de quem precisa executá-lo, e não apenas de quem o desenhou.

Algumas perguntas ajudam nessa avaliação:

  • Quantas etapas são realmente necessárias?
  • Quantas aprovações existem e qual risco cada uma controla?
  • Há informações solicitadas mais de uma vez?
  • Existem atividades manuais que poderiam ser automatizadas?
  • O colaborador sabe exatamente o que precisa fazer?
  • Quanto tempo o processo leva e onde estão os principais atrasos?
  • Quais exceções se tornaram frequentes o suficiente para indicar uma falha na regra original?

O principal objetivo é eliminar a burocracia acumulada, mantendo apenas o nível de controle necessário para a realização das demandas.

Quais sinais mostram que o RH está excessivamente complexo?

Alguns sinais aparecem com frequência: dúvidas recorrentes sobre procedimentos, grande volume de chamados internos, retrabalho, dependência de planilhas paralelas, processos que exigem intervenção manual e dificuldade para explicar regras de forma simples.

Outro indicador importante é a existência de atalhos informais: quando colaboradores ou profissionais de RH criam maneiras alternativas de concluir uma tarefa porque o fluxo oficial é difícil, existe uma evidência concreta de fricção.

A complexidade também aparece quando pequenas alterações exigem mudanças em vários sistemas ou consultas a diferentes áreas, fazendo com que o problema deixe de ser apenas operacional e passe a afetar a capacidade de resposta do próprio RH.

Como simplificar processos sem perder governança?

Simplificar não necessariamente significa retirar critérios de controle, mas sim revisar cada etapa para entender sua finalidade e seu custo operacional.

Uma abordagem eficiente envolve mapear o processo atual, identificar gargalos, eliminar redundâncias, revisar regras de exceção e definir claramente responsáveis. Depois, é necessário acompanhar os resultados com indicadores como tempo de conclusão, volume de retrabalho, quantidade de chamados e taxa de erros.

A simplificação também precisa respeitar requisitos legais: no tratamento de dados pessoais, por exemplo, a LGPD estabelece princípios como finalidade, adequação, necessidade, transparência e segurança. Isso significa que reduzir etapas não autoriza o RH a eliminar controles necessários para proteger informações pessoais.

Como evitar que a complexidade volte a crescer?

A simplificação precisa se tornar uma prática contínua de gestão processos não devem ser revisados apenas quando apresentam falhas graves.

Uma boa governança define responsáveis por cada processo, estabelece critérios para criação de novas etapas e determina revisões periódicas. Antes de implementar uma nova regra, o RH deve avaliar qual problema ela resolve, qual controle oferece e qual impacto adiciona à jornada.

Também é importante acompanhar a evolução da operação: um processo que funciona para uma organização de 200 pessoas pode gerar obstáculos quando a empresa cresce ou quando sua estrutura se torna mais distribuída.

Qual é o papel estratégico do RH na redução da fricção?

Reduzir a complexidade é uma forma de aumentar a capacidade estratégica do RH, já que quanto mais tempo a área dedica a corrigir inconsistências, esclarecer regras e administrar processos desnecessariamente complexos, menos espaço existe para atuar em temas como desenvolvimento, planejamento da força de trabalho e cultura.

O objetivo final não é construir uma operação minimalista a qualquer custo. É criar processos claros, proporcionais e orientados ao resultado.

Quando cada etapa possui uma razão objetiva para existir, o RH ganha eficiência sem abrir mão da governança. E, para o colaborador, a consequência é igualmente relevante: menos esforço para acessar informações, cumprir procedimentos e utilizar os recursos oferecidos pela organização.