
Uma empresa de incineração de resíduo industrial localizada em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, agora faz parte do grupo francês Veolia.
A aquisição da usina da EcoVital foi concluída há cerca de seis meses e reforça a estratégia da multinacional no mercado brasileiro de gestão de resíduos perigosos.
Além disso, a operação coloca a unidade mineira no centro dos planos da companhia para ampliar a economia circular no país.
A planta é considerada a maior usina de incineração de resíduos industriais perigosos da América Latina.
Empresa de incineração de resíduo industrial tem capacidade de 48,2 mil toneladas
Atualmente, a unidade de Sarzedo tem capacidade para processar 48,2 mil toneladas de resíduos por ano. A estrutura atende principalmente resíduos industriais perigosos, classificados como Classe I.
A planta utiliza tecnologia voltada ao tratamento térmico dos materiais. Entre os recursos está um sistema de neutralização seca de efluentes gasosos, desenvolvido para aumentar a segurança e a eficiência da operação.
Além disso, a localização permite atender importantes polos industriais do país. A usina recebe demanda principalmente de empresas dos setores agroquímico, químico e farmacêutico.
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Veolia acelerou modernização da usina em Minas Gerais
A usina de Sarzedo foi inaugurada em 2014, pela Vital Engenharia Ambiental, empresa ligada ao conglomerado Queiroz Galvão.
Após a aquisição, a Veolia realizou um retrofit de quatro meses na unidade. A modernização ocorreu antes do cronograma inicialmente planejado pela companhia, que previa investimentos desse tipo em até dois anos após a compra.
Com a atualização, a empresa busca preparar a estrutura para uma possível expansão da demanda por tratamento de resíduos perigosos.
Além de Minas Gerais, a unidade tem como mercados potenciais os parques industriais de Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
Incineração de resíduos perigosos pode ganhar força até 2030
Segundo Gabriel Chifflier, diretor de Resíduos Perigosos e Hospitalares da Veolia para Ibéria e América Latina, a expectativa é aumentar o volume movimentado pela usina nos próximos anos.
A projeção da companhia indica uma movimentação entre 12 mil e 18 mil toneladas por ano nos próximos dois anos.
Posteriormente, a expectativa é chegar a 25 mil a 30 mil toneladas anuais em até quatro anos. O avanço dependerá do crescimento do mercado e também da evolução da regulamentação sobre economia circular no Brasil.
O executivo avalia que uma fiscalização maior pode ampliar a demanda por soluções especializadas para resíduos industriais.
Economia circular muda o perfil dos resíduos industriais
Enquanto a economia circular reduz o volume total de resíduos, ela também pode aumentar a complexidade dos materiais que permanecem sem possibilidade de reaproveitamento.
Esse movimento já aparece em setores como o farmacêutico. A indústria passou a investir mais no reuso de água, por exemplo, reduzindo o descarte de grandes volumes.
Por outro lado, parte da água utilizada não pode ser reaproveitada indefinidamente. Assim, o resíduo restante pode apresentar maior concentração e exigir tecnologias específicas de tratamento.
Além disso, grandes empresas estão mais atentas às consequências jurídicas e ambientais relacionadas à destinação inadequada de resíduos. O tema também ganhou relevância para a imagem das companhias.
Pequenas empresas ainda enfrentam desafios no descarte
Por outro lado, pequenas e médias empresas possuem menos estrutura para administrar resíduos perigosos.
Nesse cenário, a diferença de capacidade entre grandes corporações e negócios menores continua sendo um dos desafios do setor. A fiscalização e o alcance da regulamentação também influenciam esse mercado.
Segundo Chifflier, o México possui um plano de economia circular considerado mais avançado em alguns aspectos.
Ainda assim, o executivo avalia que o modelo brasileiro representa um primeiro passo para ampliar a regulamentação.
Quanto custa uma usina de incineração de resíduo industrial?
A Veolia não revelou o valor pago pela aquisição da unidade de Sarzedo. No entanto, o executivo apresentou uma referência para projetos de maior porte.
Uma usina destinada à incineração de resíduos industriais perigosos, com capacidade de 60 mil toneladas por ano, poderia exigir investimento próximo de 100 milhões.
O valor mostra a dimensão financeira e tecnológica necessária para construir estruturas desse tipo. A maior parte da complexidade, porém, não está apenas no tamanho do forno.
Um dos principais desafios está no tratamento e na neutralização dos gases produzidos durante a combustão. Por isso, sistemas de controle ambiental representam uma parte importante da infraestrutura.
Empresa de incineração de resíduo industrial aposta no ganho de escala
Por fim, o tamanho da unidade de Sarzedo pode se tornar um diferencial conforme o mercado brasileiro avance.
A lógica está relacionada aos custos fixos da operação. Segundo a Veolia, uma estrutura maior pode diluir esses custos conforme aumenta o volume processado.
Assim, a empresa trabalha com a perspectiva de elevar gradualmente a utilização da capacidade instalada.
A projeção considera o avanço da regulamentação, da fiscalização e da demanda por destinação adequada.
O movimento também revela uma mudança no mercado. Com processos industriais mais eficientes, o volume de resíduos tende a diminuir, mas os materiais restantes podem exigir tecnologias mais sofisticadas e investimentos maiores.
Nesse cenário, a unidade de Sarzedo passa a ocupar uma posição estratégica para a expansão da gestão de resíduos perigosos e da economia circular no Brasil.
Perguntas frequentes
A Veolia comprou a EcoVital, empresa responsável pela unidade localizada em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A planta possui capacidade instalada para processar até 48,2 mil toneladas de resíduos por ano.
A unidade é especializada no tratamento térmico de resíduos industriais perigosos, classificados como Classe I. A operação atende principalmente setores como agroquímico, químico e farmacêutico.
A Veolia projeta processar entre 12 mil e 18 mil toneladas em 2026. A empresa também trabalha com a expectativa de chegar a cerca de 30 mil toneladas por ano até 2028 ou 2029.
A unidade fica em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A estrutura também pode atender empresas de outros estados, principalmente Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.