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Aposentadoria especial para eletricistas muda no STJ. Veja a regra

A aposentadoria especial para eletricistas entrou em uma nova etapa de discussão no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em decisão unânime, a 1ª Seção do tribunal aprovou a análise de um caso que poderá esclarecer se o risco de choque elétrico permite reconhecer o tempo de trabalho como atividade especial para fins previdenciários. A decisão […]

Publicado em 09/10/2026 15:01

Filipe Andrade

FA
Aposentadoria especial para eletricistas muda no STJ. Veja a regra -  (crédito: Mercado Hoje)
Aposentadoria especial para eletricistas muda no STJ. Veja a regra - (crédito: Mercado Hoje)

A aposentadoria especial para eletricistas entrou em uma nova etapa de discussão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em decisão unânime, a 1ª Seção do tribunal aprovou a análise de um caso que poderá esclarecer se o risco de choque elétrico permite reconhecer o tempo de trabalho como atividade especial para fins previdenciários.

A decisão foi tomada em sessão virtual encerrada em 7 de outubro de 2026. Além disso, o tribunal determinou a suspensão dos processos que discutem a mesma questão, inclusive nos Juizados Especiais Federais.

Na prática, eletricistas que aguardam uma decisão judicial sobre o reconhecimento do tempo especial poderão ter seus processos paralisados até que o STJ estabeleça um entendimento uniforme. No entanto, a medida não significa que o benefício foi concedido ou negado.

O caso será analisado no Recurso Especial 2.267.903/GO, com base nos artigos 57 e 58 da Lei 8.213/1991, que tratam da aposentadoria especial e da comprovação das condições prejudiciais à saúde ou à integridade física.

Aposentadoria especial para eletricistas: o que muda com a decisão do STJ?

O principal ponto da discussão é saber se a periculosidade provocada pela exposição à eletricidade constitui fundamento suficiente para reconhecer o tempo de serviço como especial.

Atualmente, o reconhecimento depende da análise das regras previdenciárias e das condições efetivas de trabalho.

Portanto, a decisão definitiva poderá esclarecer quais critérios os tribunais deverão aplicar aos casos envolvendo profissionais expostos ao risco elétrico.

Entretanto, a decisão de outubro trata apenas da submissão da controvérsia ao novo regime de relevância da questão federal. O STJ ainda precisa julgar o mérito para estabelecer uma tese definitiva.

Até lá, não existe uma nova regra aprovada nessa etapa que garanta automaticamente a aposentadoria especial aos eletricistas.

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Eletricistas podem se aposentar mais cedo por exposição à eletricidade?

A legislação previdenciária permite reconhecer determinadas atividades como especiais quando o trabalhador comprova exposição a agentes nocivos ou condições de risco previstas nas regras aplicáveis.

No caso dos eletricistas, a discussão envolve principalmente a possibilidade de considerar a periculosidade da atividade como fundamento para a contagem diferenciada do tempo de contribuição.

Por isso, o exercício da profissão, isoladamente, não garante o reconhecimento automático do direito. A análise pode depender de documentos que demonstrem as condições de trabalho e a exposição aos riscos.

Além disso, o reconhecimento do tempo especial não significa concessão imediata do benefício.

O trabalhador também precisa atender aos requisitos previdenciários aplicáveis ao seu caso, considerando as regras anteriores e posteriores à Reforma da Previdência.

Tema 534 do STJ já reconheceu o trabalho com eletricidade como especial

A discussão atual tem relação com o Tema 534 do STJ, julgado em 2013. Na ocasião, o tribunal estabeleceu que as listas de agentes nocivos previstas nos regulamentos previdenciários são exemplificativas, e não necessariamente limitadas aos itens expressamente enumerados.

Esse entendimento abriu espaço para o reconhecimento da atividade especial em situações que não aparecem de maneira explícita nas listas regulamentares.

O precedente também admite o reconhecimento do trabalho exposto à eletricidade mesmo após a entrada em vigor do Decreto 2.172/1997, desde que o segurado comprove as condições especiais de exposição ao risco.

Agora, o novo julgamento deverá esclarecer o alcance desse entendimento. A questão central é determinar se a periculosidade decorrente da eletricidade, por si só, é suficiente para fundamentar o reconhecimento do tempo especial.

STF deixou a decisão sobre aposentadoria de eletricistas para o STJ

Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisou o Tema 1.450 e concluiu que a controvérsia envolve a interpretação da legislação federal e a avaliação de fatos e provas.

Por esse motivo, a Corte não reconheceu repercussão geral para a discussão. Assim, a definição jurídica ficou concentrada no STJ, responsável por uniformizar a interpretação da legislação federal.

O cenário reforça a importância do próximo julgamento. Uma tese estabelecida pela 1ª Seção poderá orientar decisões de outros tribunais e influenciar processos que discutem o reconhecimento da atividade especial para eletricistas.

Em outro precedente recente, o STJ também admitiu a possibilidade de aposentadoria especial para motoristas e cobradores quando perícia individualizada comprovar exposição habitual e permanente a condições concretas prejudiciais à saúde.

Esse entendimento, porém, não resolve automaticamente a controvérsia dos eletricistas. Cada discussão possui características próprias e depende da interpretação das regras aplicáveis.

Aposentadoria especial para eletricistas: quem pode ser beneficiado pela decisão?

A futura definição poderá interessar a eletricistas que trabalham ou trabalharam em condições de risco elétrico e buscam o reconhecimento do tempo especial perante o INSS ou a Justiça.

Entre os principais pontos que poderão influenciar esses casos estão a comprovação da exposição à eletricidade, as condições concretas do trabalho e os critérios jurídicos para caracterizar a atividade como especial.

Enquanto o STJ não julgar o mérito do REsp 2.267.903/GO, os trabalhadores não devem interpretar a decisão como uma autorização automática para receber o benefício.

A suspensão dos processos busca evitar decisões divergentes enquanto a Corte prepara um entendimento uniforme.

Portanto, o próximo julgamento será determinante para esclarecer os limites do reconhecimento da atividade especial e orientar os casos que aguardam solução em todo o país.

Perguntas frequentes

Aposentadoria especial para eletricistas foi aprovada pelo STJ?

Não. O STJ ainda vai julgar o mérito da questão. A decisão de outubro de 2026 apenas encaminhou a controvérsia para análise e determinou a suspensão dos processos relacionados ao tema.

Eletricista tem direito à aposentadoria especial?

Sim, o reconhecimento é possível, desde que o trabalhador comprove as condições especiais exigidas pela legislação previdenciária. Entretanto, exercer a profissão não garante automaticamente o benefício.

Quem trabalha com eletricidade pode se aposentar com 25 anos de contribuição?

Em determinadas situações, o trabalhador pode ter direito à aposentadoria especial após 25 anos de exposição a condições prejudiciais, desde que cumpra os requisitos legais aplicáveis ao seu caso. O reconhecimento depende da comprovação da atividade especial.

O que mudou na decisão do STJ sobre a aposentadoria dos eletricistas?

O tribunal vai esclarecer se a periculosidade decorrente da exposição à eletricidade pode fundamentar o reconhecimento do tempo especial. Enquanto isso, os processos que discutem a mesma questão ficam suspensos, inclusive nos Juizados Especiais Federais.

Quais documentos o eletricista precisa para comprovar a atividade especial?

O Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), quando aplicáveis, podem ajudar a comprovar as condições de trabalho e a exposição aos riscos. Outros documentos também podem ser relevantes, conforme o caso e as exigências previdenciárias.