
A Keeta está investindo milhões de reais para conquistar restaurantes ligados a contratos de exclusividade com o iFood e acelerar sua expansão no Brasil.
A estratégia da plataforma chinesa envolve pagar multas contratuais que podem ultrapassar R$ 1 milhão por estabelecimento, em uma disputa que já provocou mudanças nos planos de lançamento da empresa.
O desafio é entrar em um mercado no qual o iFood concentra cerca de 80% dos pedidos de delivery, segundo os dados apresentados no relato.
Além disso, contratos de exclusividade e acordos que restringem a atuação de concorrentes dificultam a chegada de novas plataformas a diferentes cidades brasileiras.
Keeta paga multas milionárias para conquistar restaurantes do iFood
A Keeta adotou uma estratégia que envolve identificar restaurantes impedidos contratualmente de atuar em outros aplicativos de entrega.
Em seguida, a empresa negocia com os estabelecimentos e pode assumir o pagamento das multas para viabilizar a entrada na plataforma.
Segundo Danilo Mansano, vice-presidente de parcerias estratégicas da companhia, quase mil pessoas trabalham no levantamento e na identificação desses negócios.
A equipe procura informações sobre os registros empresariais dos restaurantes e entra em contato diretamente com os proprietários.
De acordo com o executivo, muitos contratos foram assinados antes mesmo da chegada da Keeta ao Brasil.
Por isso, alguns estabelecimentos enfrentam penalidades que variam de centenas de milhares de reais a valores superiores a R$ 1 milhão.
Entretanto, a companhia não informou quanto já desembolsou para liberar restaurantes dessas obrigações.
Ainda assim, a iniciativa revela o tamanho do investimento necessário para disputar espaço com uma plataforma consolidada.
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Keeta enfrenta barreiras para expandir o delivery no Brasil
Apesar dos investimentos, a Keeta precisou rever seu planejamento de crescimento no país. Inicialmente, a empresa pretendia chegar a 16 capitais brasileiras até o fim de 2026.
No entanto, a presença de contratos de exclusividade com o iFood e de acordos de banimento relacionados à 99 alterou o cronograma.
Essas restrições podem impedir que restaurantes cadastrados em determinadas plataformas também vendam pela Keeta.
Além disso, o acesso aos estabelecimentos é decisivo para a competitividade dos aplicativos. Afinal, os consumidores precisam encontrar variedade de restaurantes e opções de entrega para considerar a mudança de plataforma.
Nesse cenário, a Keeta tenta ampliar seu catálogo sem exigir exclusividade dos parceiros. A empresa afirma que, após a saída dos contratos restritivos, os restaurantes podem trabalhar com diferentes aplicativos.
Keeta coloca mais de R$ 400 milhões em espera no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro se tornou um dos principais exemplos das dificuldades enfrentadas pela plataforma chinesa.
A Keeta adiou sua estreia na cidade, prevista inicialmente para o fim de fevereiro, após identificar obstáculos maiores do que os encontrados em São Paulo.
Segundo Mansano, a empresa já havia preparado uma estrutura significativa para iniciar as operações no mercado fluminense.
O planejamento incluía mais de 17 mil estabelecimentos comerciais cadastrados e mais de 27 mil entregadores preparados para receber pedidos.
Além disso, a companhia havia separado um orçamento superior a R$ 400 milhões para a operação.
Contudo, a empresa decidiu colocar o projeto em espera. De acordo com o executivo, a incidência de contratos de exclusividade e de acordos que restringem a atuação de concorrentes era ainda maior no Rio de Janeiro.
A decisão mostra que o investimento financeiro e a preparação logística não garantem, por si só, a entrada de um aplicativo em uma nova cidade.
A disponibilidade de restaurantes também influencia o momento em que a operação pode começar.
Companhia divide multa com restaurantes que também querem vender pela 99
A estratégia da Keeta também envolve uma condição para estabelecimentos interessados em trabalhar com a 99.
A companhia afirma que não impede concorrentes de negociar com os mesmos restaurantes, mas estabelece critérios para dividir o custo das multas.
Segundo Mansano, quando um restaurante deseja atuar também na 99, a Keeta pode pagar metade da multa relacionada ao contrato de exclusividade com o iFood. Nesse caso, o estabelecimento precisa buscar recursos para cobrir a outra metade.
A empresa argumenta que não considera adequado pagar toda a penalidade e, ao mesmo tempo, liberar o restaurante para trabalhar com outra concorrente sem dividir o custo.
Por outro lado, a Keeta afirma que não pretende impor novas restrições aos estabelecimentos. Segundo a companhia, os restaurantes permanecem livres para diversificar seus canais de venda depois de deixarem os acordos restritivos.
Keeta muda os planos e expõe disputa milionária no mercado de delivery
A disputa entre a Keeta e o iFood evidencia os desafios para conquistar espaço no setor de entregas de comida.
Embora a plataforma chinesa tenha preparado investimentos expressivos, os contratos existentes com restaurantes influenciam sua estratégia de expansão.
Além disso, o adiamento da operação no Rio de Janeiro mostra como as barreiras comerciais podem alterar projetos que já contam com entregadores cadastrados, estabelecimentos na plataforma e orçamento reservado.
Para os consumidores, a entrada de novos concorrentes pode ampliar as opções de restaurantes e estimular a disputa por preços e condições de entrega.
Entretanto, esses possíveis efeitos dependem da expansão efetiva das plataformas e da quantidade de estabelecimentos disponíveis em cada mercado.
A Keeta afirma que pretende ampliar a liberdade comercial dos restaurantes, sem exigir exclusividade.
Enquanto isso, o setor acompanha uma disputa na qual multas milionárias, contratos restritivos e investimentos superiores a R$ 400 milhões ajudam a explicar por que conquistar espaço no delivery brasileiro pode ser mais difícil do que simplesmente lançar um aplicativo.
Perguntas frequentes
A Keeta é uma plataforma chinesa de delivery de comida que busca ampliar sua participação no mercado brasileiro e competir com aplicativos já estabelecidos, como o iFood.
A empresa afirma que paga multas previstas em contratos de exclusividade para permitir que restaurantes vendam por sua plataforma. Algumas penalidades podem ultrapassar R$ 1 milhão.
Segundo as informações apresentadas na matéria, o iFood concentra cerca de 80% dos pedidos de delivery no Brasil, o que representa um desafio para novos concorrentes.
A empresa identificou uma presença maior de contratos de exclusividade e acordos de banimento que dificultam a entrada de restaurantes na plataforma. Por isso, colocou a operação em espera, apesar de já ter preparado sua estrutura.
A empresa havia reservado mais de R$ 400 milhões para a cidade, além de cadastrar mais de 17 mil estabelecimentos e preparar mais de 27 mil entregadores para o início das operações.