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Rede de supermercados entra em recuperação judicial e é comprada. Entenda

A rede de supermercados St. Marche, conhecida por atender consumidores de alta renda em São Paulo, foi comprada pelo grupo chileno Cencosud em meio a uma grave crise financeira. O negócio envolve 32 lojas, incluindo duas unidades do Empório Santa Maria, e um centro de distribuição de 7.500 m². A operação, porém, depende de etapas […]

Publicado em 16/10/2026 12:06

Filipe Andrade

FA
Rede de supermercados entra em recuperação judicial e é comprada. Entenda -  (crédito: Mercado Hoje)
Rede de supermercados entra em recuperação judicial e é comprada. Entenda - (crédito: Mercado Hoje)

A rede de supermercados St. Marche, conhecida por atender consumidores de alta renda em São Paulo, foi comprada pelo grupo chileno Cencosud em meio a uma grave crise financeira.

O negócio envolve 32 lojas, incluindo duas unidades do Empório Santa Maria, e um centro de distribuição de 7.500 m². A operação, porém, depende de etapas legais antes de ser concluída.

Além disso, a venda ocorre enquanto o St. Marche enfrenta um processo de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

A mudança pode alterar a estratégia do Cencosud no Brasil, que pretende ampliar sua atuação em um segmento diferente daquele em que concentra boa parte de seus negócios no país.

O valor da aquisição não foi divulgado. Segundo o grupo chileno, a conclusão depende das condições habituais de fechamento e da finalização do processo de recuperação judicial.

Rede de supermercados St. Marche é comprada em meio à crise

Fundado em 2002, o St. Marche construiu sua marca com foco no público de maior poder aquisitivo.

Agora, a aquisição coloca a rede sob o controle do Cencosud, que já opera no Brasil com bandeiras como GBarbosa, Bretas, Prezunic e Giga Atacado.

Com a compra, o grupo chileno busca fortalecer sua presença no mercado brasileiro e entrar com mais força no segmento de supermercados premium. As lojas envolvidas na operação ficam na Grande São Paulo, em Santos e em Campinas.

Além disso, o negócio inclui uma estrutura logística própria, com um centro de distribuição de 7.500 m².

Essa infraestrutura pode ser importante para abastecer as unidades e organizar a operação regional.

Entretanto, o novo controlador terá de enfrentar o desafio de recuperar uma empresa que acumula prejuízos e perdeu força financeira nos últimos anos.

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Supermercado acumula prejuízo de R$ 188,4 milhões

Os números financeiros ajudam a explicar a situação que levou à venda. Em 2025, o St. Marche registrou receita líquida de R$ 960,2 milhões, uma queda de 18% em relação ao ano anterior.

Ao mesmo tempo, o prejuízo mais do que triplicou e chegou a R$ 188,4 milhões. Já nos 12 meses encerrados em março de 2026, as vendas somaram R$ 1,078 bilhão.

Diante desse cenário, a companhia enfrenta o desafio de reorganizar suas finanças e preservar a operação.

Em abril de 2025, o St. Marche já havia recorrido à recuperação extrajudicial para lidar com dívidas de R$ 532 milhões.

Naquele período, a empresa recebeu dois aportes de capital que totalizaram R$ 90 milhões, provenientes do fundo L Catterton e do BTG Pactual, seu maior credor.

No entanto, a tentativa anterior de reorganização financeira enfrentou obstáculos judiciais. Em janeiro de 2026, o TJSP suspendeu o processo de recuperação extrajudicial após questionar a inclusão de um voto ligado ao fundo gerido pelo BTG no quórum de aprovação do acordo.

Cencosud compra rede de supermercados sem assumir as dívidas

Um dos pontos centrais da negociação envolve a responsabilidade pelas obrigações financeiras do St. Marche.

Segundo as informações divulgadas sobre a transação, o Cencosud não assumirá as dívidas da rede adquirida.

Além disso, a conclusão do negócio depende da finalização do processo de recuperação judicial e do cumprimento das condições previstas para o fechamento.

A operação também precisa passar pela análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O grupo chileno informou que financiará a aquisição com a realocação de capital proveniente de desinvestimentos recentes no Brasil. Entretanto, não revelou o valor pago pela rede.

Para os consumidores, a compra não significa, por si só, mudanças imediatas nos preços, nas marcas ou no funcionamento das lojas.

Eventuais alterações dependerão das decisões operacionais tomadas após a conclusão da transação.

Cencosud tenta recuperar espaço no varejo brasileiro

A aquisição também ocorre em um momento de perda de posição do grupo chileno no mercado nacional.

Segundo o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o Cencosud caiu da 9ª para a 12ª posição entre as maiores operações do varejo alimentar brasileiro em 2025.

Naquele ano, o grupo registrou faturamento de aproximadamente R$ 10 bilhões. Além disso, perdeu posições para concorrentes como Grupo Koch, Novo Mateus e Smart Supermercados.

Com a compra do St. Marche, a empresa tenta ampliar sua atuação em um segmento de maior valor agregado.

Contudo, a estratégia traz riscos, já que o formato premium exige uma operação diferente daquela adotada por redes populares e atacadistas.

A experiência anterior do Cencosud com a rede baiana Perini ilustra esse desafio. Comprada em 2010, a marca de delicatessen não apresentou a expansão esperada sob a gestão do grupo. Nos últimos 15 anos, passou de oito para três lojas em Salvador.

O que muda com a compra da rede de supermercados St. Marche?

A aquisição coloca o St. Marche sob o controle do Cencosud, mas a conclusão ainda depende das etapas judiciais e regulatórias. Até lá, não há confirmação de mudanças imediatas para os clientes.

O principal objetivo do grupo chileno é ampliar sua presença no segmento premium e recuperar espaço no varejo alimentar brasileiro.

Para isso, precisará conciliar a operação das 32 lojas com a necessidade de reorganizar uma empresa que registrou prejuízo de R$ 188,4 milhões em 2025.

Além disso, o desfecho da recuperação judicial será decisivo para a conclusão do negócio. O resultado poderá definir os próximos passos da rede e a estratégia do Cencosud no mercado paulista.

Em escala internacional, o grupo chileno opera em seis países, reúne 115 mil colaboradores e administra 1.446 lojas de varejo, além de atuar em diferentes segmentos comerciais e de serviços financeiros.

Perguntas frequentes

Quem comprou a rede de supermercados St. Marche?

O grupo chileno Cencosud, que também controla redes como GBarbosa, Bretas, Prezunic e Giga Atacado, anunciou a aquisição do St. Marche.

Quantas lojas do St. Marche foram incluídas na venda?

A operação envolve 32 lojas em São Paulo, incluindo duas unidades do Empório Santa Maria, além de um centro de distribuição de 7.500 m².

Por que o St. Marche entrou em recuperação judicial?

A rede enfrenta dificuldades financeiras, prejuízos consecutivos e dívidas acumuladas. Em 2025, registrou prejuízo de R$ 188,4 milhões e receita líquida de R$ 960,2 milhões.

O Cencosud vai assumir as dívidas do St. Marche?

Não. Segundo as informações divulgadas sobre a negociação, o grupo chileno comprou a rede sem assumir suas dívidas.

As lojas do St. Marche vão mudar de nome ou fechar?

Ainda não há confirmação de mudanças de nome ou fechamento de unidades. A conclusão da aquisição depende das etapas judiciais e da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).