Educação Financeira

Dinheiro guardado: 68% dos brasileiros confiam na sorte diante de crises. Veja

Dinheiro guardado ainda é um desafio para muitos brasileiros. Uma pesquisa revela que 68% dos entrevistados acreditam que conseguirão resolver uma emergência financeira, mas apenas 36% se consideram realmente preparados para enfrentar seu maior medo relacionado ao dinheiro. A diferença expõe um paradoxo: confiar na própria capacidade de reação não significa ter proteção financeira suficiente. […]

Publicado em 17/10/2026 08:06

Filipe Andrade

FA
Dinheiro guardado: 68% dos brasileiros confiam na sorte diante de crises. Veja -  (crédito: Mercado Hoje)
Dinheiro guardado: 68% dos brasileiros confiam na sorte diante de crises. Veja - (crédito: Mercado Hoje)

Dinheiro guardado ainda é um desafio para muitos brasileiros. Uma pesquisa revela que 68% dos entrevistados acreditam que conseguirão resolver uma emergência financeira, mas apenas 36% se consideram realmente preparados para enfrentar seu maior medo relacionado ao dinheiro.

A diferença expõe um paradoxo: confiar na própria capacidade de reação não significa ter proteção financeira suficiente.

O levantamento ouviu 1.460 pessoas e 151 gestores das classes A, B e C que têm o hábito de poupar.

Além disso, os dados mostram que a confiança dos brasileiros para enfrentar imprevistos supera em sete pontos percentuais a média da América Latina.

Especialista explica o paradoxo da preparação financeira

Para a consultora financeira Paloma Andrade, a diferença entre confiança e preparação revela uma característica do comportamento financeiro brasileiro.

Nossa leitura é que, no Brasil, proteção ainda está muito associada à capacidade de resolver o problema quando ele acontece, e menos a uma preparação estruturada antes que ele aconteça, afirma.

A avaliação ajuda a entender por que tantas pessoas acreditam que conseguirão superar uma emergência, mesmo sem se considerarem preparadas para o pior cenário.

Por isso, o desafio não está apenas em conseguir dinheiro quando surge uma necessidade. Também envolve construir uma estrutura financeira que permita lidar com imprevistos sem depender exclusivamente de soluções de última hora.

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Dinheiro guardado: por que tantos brasileiros confiam no improviso?

Na prática, a capacidade de encontrar soluções quando surge um problema parece ter um peso importante no comportamento financeiro nacional.

No entanto, essa confiança nem sempre vem acompanhada de uma preparação capaz de absorver despesas inesperadas.

Segundo a pesquisa, 55% dos brasileiros guardam dinheiro ativamente para se proteger. Ao mesmo tempo, 53% procuram evitar riscos, enquanto 25% recorrem a parentes e amigos quando enfrentam dificuldades financeiras.

Essas estratégias mostram que os brasileiros adotam diferentes formas de proteção. Entretanto, a confiança em conseguir resolver uma crise pode esconder uma vulnerabilidade: a falta de recursos suficientes para enfrentar um período de dificuldade sem comprometer o orçamento.

Dinheiro guardado: os 3 maiores medos financeiros dos brasileiros

A preocupação com a perda da independência financeira aparece entre os principais receios identificados pelo levantamento.

Para 53% dos entrevistados, depender financeiramente de outras pessoas representa uma ameaça importante.

Além disso, outros dois temores chamam a atenção:

  • 53% têm medo de receber o diagnóstico de uma doença com tratamento caro.
  • 46% se preocupam com a possibilidade de ficar sem renda durante um período prolongado.

Os números mostram que a insegurança financeira vai além das dívidas do dia a dia. Afinal, uma doença, a perda do emprego ou a necessidade de ajuda de familiares pode comprometer a autonomia e os planos de uma família.

Nesse cenário, manter dinheiro guardado pode ajudar a absorver despesas inesperadas. Contudo, a pesquisa evidencia que sentir confiança para enfrentar dificuldades é diferente de estar efetivamente preparado para elas.

Bancos digitais, compras online e saúde revelam outros receios

As preocupações financeiras também variam conforme o setor analisado. Nos bancos digitais, os principais temores relatados pelos clientes envolvem o acúmulo de dívidas, as fraudes e a perda de renda familiar.

Já no comércio eletrônico, a dependência financeira aparece como uma preocupação relevante. No setor de saúde, por sua vez, o foco está no custo dos tratamentos para doenças graves.

Essas diferenças mostram como a proteção financeira se relaciona com situações cotidianas. Enquanto algumas pessoas temem perder renda, outras se preocupam com golpes, dívidas ou despesas médicas elevadas.

Dinheiro guardado: brasileiros querem proteção personalizada

A pesquisa também aponta que os brasileiros valorizam soluções de proteção adaptadas à sua realidade financeira.

Segundo o levantamento, 56% preferem proteções adequadas à sua faixa de renda ou ao momento de vida, índice cinco pontos percentuais acima da média latino-americana.

Por outro lado, 30% dos entrevistados demonstram preferência por coberturas relacionadas a passeios, viagens e eventos.

O resultado sugere que a proteção financeira não segue um modelo único. As necessidades mudam conforme a renda, as responsabilidades familiares e os riscos que cada pessoa considera mais preocupantes.

Diante desse cenário, o dinheiro guardado ganha importância como parte da preparação para imprevistos.

Ainda assim, os dados revelam um alerta: 68% confiam que conseguirão resolver uma emergência, mas somente 36% se sentem preparados para enfrentar seu maior receio financeiro.

A distância entre esses indicadores expõe o desafio de transformar confiança em segurança financeira real.