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Alergia ocular infantil exige atenção a sinais de alerta

Quadros alérgicos oculares recorrentes na infância exigem atenção contínua. O seguimento com oftalmologista contribui para identificar fatores desencadeantes, ajustar cuidados e definir estratégias preventivas. Em situações específicas, pode ser indicado o uso profilático de colírios antialérgicos, medida que ajuda a reduzir a frequência das crises e a preservar o conforto visual.

Publicado em 23/02/2026 12:22
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     -  (crédito: DINO)
Sleepy stressed tired upset little child crying rubbing eyes feel abused hurt pain, sad lonely worried preschool kid girl in tears miss parents sitting on sofa alone, unhappy children emotion concept - (crédito: DINO)

Coceira persistente nos olhos e lacrimejamento frequente estão entre os sinais que podem indicar alergia ocular em bebês e crianças. Embora muitas vezes associada a quadros leves, a condição pode evoluir e provocar complicações quando não identificada corretamente, especialmente em faixas etárias que ainda não conseguem expressar o desconforto de forma clara.

Segundo a Dra. Mayra Neves de Melo, oftalmologista do CBV Hospital de Olhos, integrante da Vision One, a alergia ocular infantil se manifesta principalmente como conjuntivite alérgica, com sintomas que variam conforme a maturidade imunológica e a idade da criança. Entre os sinais mais frequentes estão o prurido ocular, a dilatação dos vasos da conjuntiva — que confere aspecto avermelhado aos olhos —, o lacrimejamento, o inchaço das pálpebras e a presença de secreção aquosa ou mucosa clara.

A médica detalha que as manifestações clínicas também se diferenciam conforme a faixa etária. “Em lactentes e bebês, a alergia costuma ser percebida por irritabilidade, tentativas frequentes de esfregar os olhos, aumento do lacrimejamento e edema palpebral. Em pré-escolares e escolares, surgem relatos de coceira, ardor, sensação de areia e desconforto visual. Crianças maiores e adolescentes apresentam um quadro mais típico, que pode evoluir para formas mais graves, como a ceratoconjuntivite vernal [forma grave de inflamação da superfície ocular]”, afirma.

O hábito frequente de coçar os olhos, segundo a oftalmologista, representa um importante sinal de alerta e um dos principais fatores de agravamento da alergia. A médica explica que esfregar os olhos aumenta a liberação de mediadores inflamatórios, como a histamina — substância envolvida nas reações alérgicas —, intensifica a inflamação da conjuntiva e pode provocar microlesões na superfície da córnea. Entre os riscos associados estão a ceratite, inflamação da córnea que pode causar dor e prejuízo visual, infecções secundárias e olho seco, além da associação com o desenvolvimento ou a progressão do ceratocone, condição em que a córnea se torna mais fina e deformada, especialmente em crianças com doenças atópicas.

A alergia ocular infantil, de acordo com a Dra. Mayra raramente ocorre de forma isolada. Ela integra o chamado espectro das doenças atópicas, frequentemente associado à rinite alérgica, à asma e à dermatite atópica.

Alergia ocular infantil pode exigir avaliação imediata

Embora os quadros de alergia sejam, em geral, benignos, alguns sinais não são considerados típicos e exigem avaliação oftalmológica imediata. Entre os destacados pela médica estão dor ocular, redução da visão, sensibilidade à luz, secreção purulenta, inchaço significativo ou assimétrico das pálpebras, lesões corneanas suspeitas e falha de resposta ao tratamento inicial.

Hábitos do dia a dia também influenciam a evolução do quadro alérgico. Coçar ou esfregar os olhos, exposição excessiva à poeira, ácaros, mofo e pelos de animais, permanência prolongada em ambientes fechados e secos, uso de colírios sem prescrição médica, higiene inadequada das mãos e uso excessivo de telas sem pausas estão entre os fatores que podem agravar os sintomas, segundo a oftalmologista.

A prevenção das crises é possível, especialmente por meio de medidas ambientais e comportamentais. A médica orienta lavar o rosto e os olhos com água ou soro após exposição a alérgenos, como poeira, maquiagens, produtos cosméticos e químicos, utilizar colírios lubrificantes prescritos pelo oftalmologista, conforme orientação médica, manter as unhas das crianças curtas, evitar contato direto com alérgenos conhecidos e reduzir a presença de pelúcias, carpetes e cortinas de tecido no quarto. A higienização frequente das roupas de cama também faz parte das recomendações. “Em crianças com quadros recorrentes ou mais graves, o acompanhamento com oftalmologista permite avaliar a necessidade de tratamento preventivo, incluindo o uso profilático de colírios antialérgicos”, conclui.



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