
Pesquisa publicada recentemente pela Gallup revela que apenas 20% dos trabalhadores no mundo se sentem engajados com seu trabalho — o menor nível desde 2020, após dois anos consecutivos de declínio.
Segundo Caio Ianicelli Cruzeiro, head das consultorias Vitaryon e Ekantika Learning Lab, esses dados podem ser ainda mais cruciais em ambientes críticos, como o hospitalar, em que a falta de engajamento pode trazer riscos aos pacientes. “A cultura hospitalar está presente na forma como decisões são tomadas, erros são tratados e relações são conduzidas no dia a dia”, afirma.
Ele alerta para as diferenças entre as chamadas “cultura real” e “cultura de parede”. E explica: “A cultura de parede é aquela afixada nos corredores, mas que nem sempre se reflete no comportamento dos líderes no cotidiano. Já a cultura real é a praticada, cobrada e exemplificada pela alta liderança”.
O especialista cita um exemplo prático: “Não basta dizer que a instituição tem uma consulta acolhedora. Se as pessoas não perceberem da mesma forma, gera desconfiança”, contextualiza. Aí entra o conceito de ‘Walk the Talk’ — a necessidade de que líderes ajam como pregam.
Desafios das equipes hospitalares
Com base nos estudos de Patrick Lencioni (autor de “Os 5 Desafios das Equipes”), Cruzeiro elenca as disfunções mais comuns nas instituições de saúde brasileiras:
- Ausência de confiança e segurança psicológica: profissionais se tornam defensivos e escondem erros por medo de punição, comprometendo a qualidade do cuidado.
- Medo de conflitos: a chamada ‘harmonia artificial’ esconde problemas que não são resolvidos.
- Falta de comprometimento: decisões nebulosas, sem prazos ou acompanhamento, geram retrabalho e falhas assistenciais.
- Fragilidade na responsabilização: acordos explícitos são raros e há dificuldades em assumir responsabilidades.
- Falta de atenção aos resultados: cada área otimiza o seu próprio resultado — enfermagem, médicos, administrativo —, criando silos que comprometem a integração do cuidado ao paciente.
Segundo Cruzeiro, “quando o resultado não é prioridade, cada área otimiza o seu; as metas não são compartilhadas e o todo perde força”.
Para equacionar as principais disfunções de cultura, o especialista recomenda os seguintes cuidados aos líderes hospitalares:
- Criar segurança psicológica: estabelecer rituais em que as pessoas possam falar sem medo de retaliação.
- Estruturar o conflito produtivo: diferenciar o conflito de ideias (saudável) do confronto pessoal (destrutivo).
- Clarificar decisões e expectativas: garantir entendimento comum antes de encerrar qualquer reunião.
- Fechar o ciclo de gestão: decisão + dono + prazo + acompanhamento + consequência, com indicadores visíveis e recorrentes.
- Alinhar pelo objetivo comum: reforçar metas compartilhadas, criar rituais entre as áreas e reconhecer colaboração, não só performance individual.
RH não transforma cultura
O consultor também chama a atenção para a armadilha de terceirizar a transformação cultural para o RH e ressalta que esta depende fundamentalmente da alta liderança, que é “a promotora e guardiã da cultura”.
Ele frisa que, quando os líderes perdem conexão com seu trabalho, toda a cultura organizacional é arrastada. “O caminho inverso também é verdadeiro — nas organizações que investem ativamente no engajamento como estratégia, os gestores são quase quatro vezes mais engajados do que a média mundial”, completa.
Sobre a Ekantika e a Vitaryon
A Ekantika é uma House of Business Solutions com mais de 15 anos de atuação, composta por um ecossistema de oito empresas, com mais de 450 projetos realizados, 150 clientes em 15 segmentos de mercado. A Vitaryon é a vertical dedicada a democratizar o acesso a práticas estratégicas de RH para organizações de médio e grande porte, incluindo o setor de saúde.
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