
No mês que se comemora o Dia Nacional do Luto (19), a sociedade é convidada a refletir sobre um dos temas mais sensíveis e, ainda assim, mais evitados da experiência humana: o luto. Em um país onde a morte ainda permanece como um tabu e a dor da perda é frequentemente silenciada de forma precoce, a mobilização em torno deste mês funciona como um chamado urgente à empatia, ao cuidado e à estruturação de redes de apoio.
A relevância do tema é tão profunda que ultrapassa os rituais sociais tradicionais e ganha a esfera acadêmica. O Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está desenvolvendo uma ampla pesquisa intitulada “Representações da morte entre o luto e o trauma (ReDGriT)”.
Conduzido pela doutoranda Gislaine Leoncio Motti, sob orientação da professora Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, o estudo científico busca voluntários de todo o Brasil que tenham vivenciado a perda de um ente querido entre os anos de 2020 e 2025. O objetivo central é reunir elementos sensíveis para propor formas mais eficazes de acolhimento e cuidado psicológico na sociedade.
Rompendo o silêncio do cotidiano
Para a psicóloga Daniela Bittar, especialista em luto e colunista do Portal Além da Perda, abrir espaços para falar abertamente sobre o tema é fundamental para que as pessoas possam ressignificar suas existências. Ela explica que os rituais coletivos iniciais são fundamentais, mas a necessidade de suporte se estende muito além deles.
“O velório e o enterro são rituais coletivos que ajudam a dar algum significado à perda, porque ali existe partilha, acolhimento e expressão das emoções. Mas, depois que tudo termina e as pessoas vão embora, fica o silêncio do dia a dia. É nesse vazio, nos momentos que antes eram compartilhados, que muitas pessoas sentem a dor mais profunda do luto”, esclarece Daniela.
A especialista reforça que o luto é um processo natural e não possui um prazo de validade rígido. “Ele caminha junto com o amor”. Contudo, manifestações que geram desorganização intensa e prolongada por mais de seis meses ou um ano servem de alerta para a busca de apoio profissional.
O suporte a quem sofre também tem se transformado com as novas dinâmicas sociais e a tecnologia. Tendências em redes sociais têm sido usadas por milhares de pessoas para compartilhar memórias e manter o vínculo afetivo com quem já partiu. Segundo Daniela Bittar, essas plataformas digitais funcionam como uma nova ferramenta de reconexão e coletivização do luto em uma vida contemporânea urbana que tende a afastar a morte do dia a dia.
O setor tem acompanhado essa evolução para oferecer suporte contínuo. O Grupo Zelo, maior empresa de serviços funerários do país, entende que o seu papel social vai muito além da entrega de serviços funerários. O Grupo tem investido ativamente na produção de conteúdos e plataformas voltadas para o suporte emocional e a quebra de tabus sobre a morte, como o podcast Bucket List e o Portal Além da Perda.
“Sabemos que nenhuma estrutura é capaz de reparar a dor de uma perda, mas acreditamos que o acolhimento pode transformar esse momento em algo mais humano, digno e respeitoso. Queremos oferecer um ambiente seguro para que o luto seja vivido com dignidade e compreensão, seja no mundo físico ou no digital”, pontua o diretor do Grupo Zelo, Alessandro Oliveira.
Website: https://grupozelo.com/