
Enquanto boa parte da indústria brasileira de tecnologia em saúde permanece concentrada nos grandes centros, Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, consolidou um ecossistema que transformou o município em um importante polo de desenvolvimento de equipamentos odontológicos de alta performance. A combinação entre universidades, centros de pesquisa e indústria impulsiona a inovação e permite que soluções desenvolvidas na região cheguem ao mercado brasileiro e sejam exportadas para mais de 50 países.
A vocação da região começou a ser construída ainda na década de 1940, com a instalação das faculdades de Medicina e Odontologia da Universidade de São Paulo (USP). A aproximação entre pesquisadores, profissionais da área e fabricantes estimulou o desenvolvimento de equipamentos nacionais e deu origem a um ambiente que continua favorecendo a inovação.
“O interior paulista reuniu condições favoráveis para o desenvolvimento da indústria odontológica: tradição industrial, mão de obra técnica qualificada, proximidade com universidades, centros de pesquisa e uma forte cultura empreendedora. Ao longo das décadas, essa base evoluiu para um ecossistema capaz de desenvolver tecnologia própria, com produtos de alta complexidade, presença internacional e capacidade de competir com fabricantes globais”, afirma José Américo Bove, gerente regional de vendas da Alliage.
Instalada em Ribeirão Preto e com 80 anos de história, a companhia desenvolve tecnologias que hoje estão presentes em mais de 50 países e consolidou um portfólio que inclui consultórios, tomógrafos, sensores, scanners, raios X, periféricos, implantes e peças de mão.
A empresa também conta com a única fábrica de tomógrafos odontológicos do Hemisfério Sul e um parque fabril com uma produção anual superior a 25 mil consultórios odontológicos.
O avanço da odontologia digital, com a ampliação da demanda por scanners intraorais, tomógrafos computadorizados e sistemas digitais de imagem, completa e estimula este mercado. Relatório produzido pela Mordor Intelligence aponta que o mercado geral de equipamentos de diagnóstico por imagem no Brasil pode chegar a US$ 1,82 bilhões, crescimento de mais de 5% crescimento superior a 5% em relação ao projetado para 2026, de US$ 1,38 bilhão.
Neste cenário, Ribeirão Preto lidera o desenvolvimento de tecnologias pioneiras, como o Eagle Scan, primeiro scanner intraoral fabricado no Brasil. A tecnologia, criada pela Dabi Atlante, marca da Alliage, chegará em 350 cidades do país pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Expansão global de tecnologia brasileira
A expansão internacional das empresas instaladas na região acompanha esse cenário. Um exemplo é a Alliage, que ampliou sua atuação internacional nos últimos anos. Nos últimos três anos, as exportações da companhia cresceram 30% e, atualmente, cerca de 40% das receitas vêm do mercado externo, impulsionadas pela demanda por equipamentos de diagnóstico por imagem e soluções voltadas à odontologia digital.
"A estratégia da Alliage é seguir ampliando a presença internacional de forma estruturada, com foco em regiões onde há demanda crescente por odontologia digital, diagnóstico por imagem e equipamentos de alta precisão", afirma Bruna Sanches, coordenadora de Logística Internacional USA & ROW da companhia.
Segundo José Américo, a capacidade de transformar demandas do mercado em novos produtos é um dos diferenciais construídos pelo polo de Ribeirão Preto.
"A proximidade entre indústria, universidades, profissionais da odontologia e centros de pesquisa acelera o ciclo de inovação. A empresa consegue ouvir o cirurgião-dentista, entender as necessidades reais da rotina clínica, transformar essas demandas em projetos de engenharia e validar essas soluções com mais agilidade. Esse contato direto permite desenvolver tecnologias que não nascem apenas dentro da fábrica, mas a partir da experiência prática de quem usa o equipamento todos os dias”, conclui.
Website: https://alliage-global.com/