
Os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) estão na linha de frente do das ações de prevenção e controle da dengue no Brasil. Entre suas atribuições estão a inspeção de imóveis, identificação e eliminação de possíveis criadouros, orientação à população, coleta de informações em campo e apoio às ações de vigilância em saúde.
Ao mesmo tempo em que desempenham um papel essencial na prevenção das arboviroses, essas equipes enfrentam um desafio cada vez maior: acompanhar continuamente territórios que reúnem milhares de imóveis, áreas de difícil acesso e cenários que mudam constantemente em função das condições ambientais e do crescimento urbano.
Segundo a Diretriz Nacional para a atuação integrada dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACEs), publicada pelo Ministério da Saúde, o país contava com 104.832 ACEs cadastrados em dezembro de 2024. O documento também reforça que o planejamento das ações deve considerar as características epidemiológicas, demográficas e territoriais de cada município, evidenciando que a eficiência das equipes depende não apenas da quantidade de profissionais, mas também da forma como as ações são organizadas.
Nesse contexto, soluções que apoiam o planejamento das ações de campo têm ganhado espaço em diversos municípios brasileiros. É o caso do Techdengue, um programa que utiliza drones, geotecnologias e análise de dados para apoiar gestores públicos na identificação de possíveis criadouros do Aedes aegypti e no direcionamento das equipes de campo.
O desafio é tornar o trabalho mais estratégico
Para Renato Mafra, diretor de operações do programa, a discussão vai além da ampliação das equipes. "O agente é o protagonista do combate à dengue. A tecnologia não vem para substituir esse trabalho, mas para dar mais inteligência às ações. Quando o município consegue entender onde estão as áreas prioritárias, a equipe deixa de gastar tempo procurando locais de atuação e passa a concentrar esforços onde realmente existe maior necessidade."
Segundo Mafra, planejar melhor significa utilizar informações atualizadas sobre o território para direcionar as equipes, reduzir deslocamentos desnecessários e tornar as ações preventivas mais eficientes.
Tecnologia amplia a capacidade das equipes de campo
Nos últimos anos, ferramentas como drones, geotecnologias e análises georreferenciadas passaram a integrar a rotina de diversos municípios brasileiros no combate às arboviroses.
Essas soluções permitem mapear grandes áreas em pouco tempo, identificar possíveis criadouros e gerar informações que auxiliam gestores na definição das prioridades de atuação. Com isso, os ACEs podem concentrar suas visitas nas áreas que apresentam maior necessidade de intervenção, tornando o trabalho em campo mais direcionado e eficiente.
Mais do que acelerar o monitoramento, a tecnologia oferece uma visão mais ampla do território e permite acompanhar sua evolução ao longo do tempo, contribuindo para decisões baseadas em evidências.
O planejamento passa a ser tão importante quanto a execução
O trabalho em campo continua sendo indispensável para o combate às arboviroses. No entanto, a forma como as equipes são distribuídas, as áreas priorizadas e o acompanhamento dos resultados têm papel cada vez mais relevante para a efetividade das ações.
Nesse cenário, o planejamento deixa de ser apenas uma etapa administrativa e passa a fazer parte da estratégia de prevenção. Com informações atualizadas sobre o território, os municípios conseguem organizar melhor as operações, otimizar o trabalho das equipes e direcionar esforços para as áreas com maior necessidade de intervenção.
Sobre o Techdengue
O Techdengue é um programa de abrangência nacional que apoia gestores públicos na prevenção e no controle das arboviroses por meio de drones, tecnologia própria e inteligência territorial. A partir do mapeamento aéreo e da análise de dados georreferenciados, o programa identifica possíveis criadouros do Aedes aegypti e gera informações estratégicas para direcionar as equipes de campo.
Presente em mais de 630 municípios brasileiros, o Techdengue já mapeou mais de 260 mil hectares, identificou mais de 660 mil possíveis criadouros e contribui para que gestores tomem decisões mais rápidas e assertivas no enfrentamento da dengue, zika e chikungunya.
Website: https://techdengue.com/