
A anestesia vem ganhando um papel mais abrangente no cuidado perioperatório, acompanhando uma mudança na assistência cirúrgica que considera, além da segurança durante o procedimento, o controle da dor, a recuperação pós-operatória e os desfechos para o paciente. Diretrizes e estudos recentes sobre o manejo da dor perioperatória reforçam a adoção de estratégias multimodais e de técnicas de anestesia regional como parte desse cuidado.
Esse movimento esteve no centro das discussões do III International Anesthesia Summit, promovido pela Aesculap Academy, braço científico educacional do Grupo B. Braun, com o apoio da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). O encontro reuniu anestesiologistas com experiência em áreas como medicina da dor e anestesia regional para debater abordagens presentes na prática clínica, como anestesia regional guiada por ultrassom, analgesia multimodal, estratégias para redução do consumo de opioides e novas formas de treinamento médico.
A busca por estratégias capazes de reduzir a exposição a opioides sem comprometer o controle da dor é um dos temas presentes nas discussões atuais sobre assistência perioperatória. Diretrizes clínicas apontam que a analgesia multimodal, que associa diferentes medicamentos e técnicas, pode contribuir para o controle da dor e para a redução da necessidade de opioides em determinados procedimentos e perfis de pacientes.
Nesse contexto, abordagens como a anestesia regional ganham relevância por possibilitarem estratégias analgésicas adaptadas ao tipo de cirurgia e às necessidades do paciente. Diretriz publicada em 2026 pela American Society of Anesthesiologists (ASA), por exemplo, recomenda técnicas específicas de analgesia regional para determinados procedimentos cirúrgicos com o objetivo de reduzir a dor e, em determinados casos, o consumo de opioides no período pós-operatório.
As discussões realizadas durante o encontro também abordaram um movimento de evolução da anestesiologia para uma assistência cada vez mais orientada por evidências, avaliação individualizada e acompanhamento dos resultados ao longo do período perioperatório.
O III International Anesthesia Summit foi estruturado em dois momentos complementares. O primeiro dia de programação aconteceu na Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), com discussões científicas sobre avanços da especialidade e abordagens para o cuidado anestésico. O segundo dia foi realizado no Centro de Educação e Treinamento Edson Bueno (CETEB), parceiro da iniciativa, onde os participantes tiveram acesso a uma experiência prática com o Cadaver Lab, modalidade de treinamento que permite a prática de procedimentos em estruturas anatômicas reais.
Na anestesia regional, esse tipo de experiência pode auxiliar no desenvolvimento de habilidades relacionadas ao agulhamento guiado por ultrassom, à identificação de estruturas anatômicas e à execução de procedimentos em ambiente de treinamento. Estudos sobre educação em anestesia regional demonstram a utilização de modelos cadavéricos e de simulação como recursos para o treinamento de habilidades ultrassonográficas e técnicas de bloqueio regional.
As recomendações conjuntas da American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine (ASRA) e da European Society of Regional Anaesthesia and Pain Therapy (ESRA) também reconhecem a importância de programas estruturados de educação e treinamento para o desenvolvimento de competências em anestesia regional guiada por ultrassom.
“Treinar antes de chegar ao paciente muda a forma como o profissional incorpora novas técnicas. No Cadaver Lab, é possível repetir abordagens, entender variações anatômicas e ganhar confiança em um ambiente controlado. Esse tipo de capacitação contribui para o desenvolvimento técnico e para a preparação do profissional antes da aplicação clínica”, afirma André Ardito, Diretor de Excelência Comercial da B. Braun.
A chamada anestesia de precisão está relacionada a uma mudança mais ampla na especialidade, baseada na combinação entre conhecimento científico, treinamento técnico e definição de estratégias adequadas às características clínicas e cirúrgicas de cada paciente. Nesse cenário, iniciativas de educação médica e atualização científica contribuem para a discussão e disseminação de práticas voltadas ao aprimoramento da assistência perioperatória.
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