
O Brasil investe cada vez mais em segurança pública e historicamente boa parte desses recursos foi para o aparato físico e ostensivo — câmeras, viaturas e equipamentos. Esse alicerce é importante e segue sendo necessário. Ainda assim, a maior parte dos crimes continua sem solução: cerca de 6 em cada 10 homicídios não são esclarecidos no país, segundo o Instituto Sou da Paz. O gargalo, hoje, não é a falta de dados — é a capacidade de transformar esse enorme volume de informações em respostas. E é exatamente aí que entra a inteligência artificial.
A diferença já aparece na prática. Em julho, um furto a uma joalheria em um shopping de Goiânia foi esclarecido em menos de 24 horas com apoio de inteligência artificial: três suspeitos foram presos no Entorno do Distrito Federal, e parte do material foi recuperado.
A Pax propõe este novo caminho. Nascida como Paladium em 2024, quando começou a criar do zero uma tecnologia brasileira para segurança pública, a empresa adotou a marca Pax em março, ao ser anunciada oficialmente ao mercado. Sem abrir mão do hardware, desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial em nuvem que potencializa a infraestrutura que o Estado já possui e coloca mais capacidade nas mãos da polícia: mais casos resolvidos, menos tempo de investigação e redução dos custos que o crime impõe à sociedade. O valor está no software operado pelo policial, que interpreta imagens, conecta bases de dados governamentais, identifica padrões e cruza informações para orientar a investigação.
Na prática, a plataforma funciona como um assistente de inteligência para a operação policial — por isso vem sendo chamada pelos próprios policiais de “ChatGPT da polícia”. O software reconstrói a rota de um veículo entre dezenas de câmeras, localiza automóveis por suas características mesmo sem a leitura da placa, cruza informações com bases oficiais e permite buscas por descrição — como a identificação de um veículo escuro que passou por determinado ponto em determinado horário. A partir disso, entrega ao policial conexões e alertas acionáveis, antecipando movimentos em vez de apenas registrar o que já aconteceu.
Sistema sempre atualizado
A operação em nuvem permite que a ferramenta receba atualizações contínuas. A inteligência artificial incorpora novos recursos e aprende com o uso diário da ferramenta pelos policiais, sem a necessidade de substituição do maquinário pelas secretarias de segurança. A tecnologia, portanto, acompanha as mudanças na rotina operacional.
Simplificação e proteção de dados
Toda essa capacidade analítica foi projetada com foco no usuário final da ferramenta: o policial que atua na linha de frente. Em vez de apresentar telas complexas ou um volume excessivo de dados, a interface do sistema processa as informações brutas e as entrega de forma estruturada.
Lidar com informações sensíveis exige uma arquitetura de confiança — e foi assim que a plataforma foi desenhada desde a origem. Todo o material captado pelas câmeras e processado pelo software, pertence exclusivamente ao órgão público e permanece em servidores oficiais, em solo brasileiro. A Pax atua apenas como provedora da ferramenta de processamento: não é dona do dado nem tem acesso livre a ele. O uso é restrito a profissionais de segurança pública previamente credenciados, sob protocolos estritos de acesso. E cada consulta feita na plataforma gera um registro automático de auditoria, que mostra quem acessou o quê e quando. Em vez de abrir uma porta para o abuso, a tecnologia cria uma trilha de responsabilidade: controle público, rastreabilidade e uma barreira concreta contra vazamentos.
Hoje a empresa é uma das únicas no setor no Brasil a possuir as principais certificações internacionais, como a ISO 27001, norma internacional para a criação, implementação, manutenção e melhoria contínua de um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI).
Futuro da segurança no Brasil
Esse é o sentido da transição que a segurança pública brasileira vive hoje. A tecnologia deixa de ser um gravador de evidências para se tornar um instrumento de antecipação e resolução de crimes. Ao transformar o enorme volume de dados do ambiente urbano em alertas e conexões imediatas, a plataforma amplia a capacidade tática das forças policiais — em um único software, sem trocar de equipamento a cada avanço.
Na prática, muda a dinâmica do policiamento nas ruas e aproxima o Brasil das práticas adotadas por polícias que já usam a análise de dados como padrão no mundo. No fim, a lógica é simples: menos crime sem solução e mais paz para quem vive nas cidades.
Website: https://pax.ai