
A expansão dos grandes festivais e da indústria de cultura e entretenimento movimenta também um mercado que ganha espaço no Brasil: o de acessibilidade comunicacional. Libras, audiodescrição, legendagem descritiva e consultoria especializada deixam de ser recursos periféricos para integrar a estrutura das grandes produções.
Um exemplo poderá ser visto no Rock in Rio, onde a All Dub Estúdio, empresa brasileira especializada em acessibilidade comunicacional, amplia nesta edição sua operação para atender pessoas surdas, cegas, com baixa visão e outros públicos que se beneficiam desses recursos.
Nos palcos Mundo, Sunset e Favela, intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) estarão presentes nos telões durante as apresentações. A operação inclui ainda audiodescrição ao vivo, consultoria surda, suporte para conteúdos em inglês e espanhol e atendimento ao público surdo, inclusive estrangeiros.
A proposta é tornar acessíveis não apenas as falas dos artistas, mas letras das músicas, emoções, mensagens e elementos visuais que fazem parte da experiência de um grande espetáculo.
“Estaremos no palco não apenas traduzindo letras, mas sentindo, expressões, metáforas, referências culturais e características de cada artista. A expressividade corporal e facial dos profissionais também está sendo treinada para traduzir emoções”, destaca Ana Motta, CEO da All Dub.
Crescimento do entretenimento impulsiona acessibilidade
O avanço da acessibilidade acompanha a expansão da indústria brasileira de eventos. Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), o consumo no setor de recreação somou R$ 25,33 bilhões no primeiro bimestre de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2019.
Em fevereiro, o núcleo do setor reunia 205,5 mil empregos formais, crescimento de 84,5% em relação a 2019. Em organização de eventos, a expansão chegou a 149,1%.
A demanda potencial também é expressiva. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, equivalentes a 7,3% da população com dois anos ou mais. No Rio de Janeiro, são aproximadamente 1 milhão de pessoas.
Para Ana Motta, o crescimento do entretenimento tende a colocar a acessibilidade definitivamente no planejamento das grandes produções.
“A acessibilidade deixa de entrar no final do projeto como uma adaptação e começa a fazer parte do planejamento, da produção e da experiência oferecida ao público”, afirma.
Libras com estrutura técnica especializada
No Rock in Rio, a equipe contará com consultoria surda, que participa do processo técnico e linguístico e contribui para validar escolhas tradutórias, adequação cultural e estratégias para transmitir significado, emoção e contexto das músicas.
Para as atrações internacionais, haverá suporte em inglês e espanhol na preparação dos conteúdos. Profissionais também estarão disponíveis para atendimento e acolhimento do público surdo.
“Não basta colocar um intérprete no telão. Existe um trabalho de preparação, estudo, tradução, consultoria e operação para que aquela experiência chegue ao público com qualidade”, explica Motta.
Audiodescrição amplia a experiência
Outra frente será a audiodescrição ao vivo nos palcos Mundo, Sunset e Favela. Por meio de transmissão por rádio, audiodescritores narram em tempo real elementos como movimentação dos artistas, figurinos, cenários, coreografias, iluminação e efeitos especiais.
“Em um festival dessa dimensão, muita coisa acontece visualmente ao mesmo tempo. A audiodescrição transforma essas informações em palavras e permite que a pessoa acompanhe o que está acontecendo no palco junto com todo o público”, acentua a CEO da All Dub.
A experiência da All Dub no Rock in Rio já chamou atenção internacional. Na edição anterior, a atuação dos intérpretes de Libras durante shows de grandes artistas deu visibilidade à interpretação musical em língua de sinais.
“Interpretar música em Libras exige transmitir ritmo, emoção, intenção, referências culturais e características da própria identidade artística de cada apresentação”, detalha a especialista.
Nesta edição, a ampliação da operação reforça uma tendência: a acessibilidade passa a fazer parte da própria experiência dos grandes eventos.
“Quando um intérprete de Libras aparece em um dos maiores telões de um festival e uma pessoa cega consegue acompanhar em tempo real o que acontece visualmente no palco, estamos dizendo que essas pessoas também pertencem àquele espaço. A acessibilidade precisa fazer parte do próprio espetáculo”, conclui Ana Motta.
Sobre a All Dub Estúdio
Fundada e dirigida por Ana Motta, a All Dub Estúdio é uma empresa brasileira especializada em acessibilidade comunicacional, audiovisual e soluções inclusivas para grandes eventos, cultura e entretenimento.