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CX exige interpretar o que o cliente não diz

Com consumidores menos dispostos a reclamar de forma direta, as empresas precisam ir além das pesquisas de satisfação e aprender a ler comportamentos, interações e silêncios. Especialista da Better Solutions analisa como escuta aprofundada, tecnologia e atuação consultiva ajudam a transformar sinais dispersos em decisões estratégicas.

Publicado em 08/09/2026 17:35
CX exige interpretar o que o cliente não diz -  (crédito: DINO)
CX exige interpretar o que o cliente não diz - (crédito: DINO)

As empresas nunca dispuseram de tantas informações sobre seus clientes. Pesquisas, ligações, mensagens, chats, avaliações e redes sociais produzem diariamente um volume expressivo de dados. Ainda assim, muitas organizações seguem com dificuldade para compreender o que o consumidor realmente espera, um paradoxo que redefine a agenda do Customer Experience (CX): mais do que registrar o que é dito, o desafio passou a ser interpretar comportamentos, interações e até silêncios.

Esse descompasso tem explicação. O cliente nem sempre verbaliza a insatisfação e, com frequência, deixa de responder a uma pesquisa, não abre uma reclamação e não procura um responsável. Em vez disso, reduz o relacionamento, diminui as compras ou migra para outra marca. Uma pesquisa global da Qualtrics, feita com quase 24 mil consumidores em 23 países, mostrou que menos de um terço dos clientes oferece retorno direto às empresas, e que a disposição para compartilhar experiências positivas ou negativas vem diminuindo.

“O cliente nem sempre avisa que está insatisfeito. Muitas vezes, ele apenas muda seu comportamento. O novo desafio do CX é justamente compreender esses sinais, inclusive aquilo que o cliente não diz”, afirma Stela Chagas Tolentino, Business Manager da Better Solutions.

Ter dados não significa saber ouvir

O problema raramente está na ausência de informação. Um estudo da PwC apontou que 52% dos consumidores deixaram de usar ou comprar de uma marca após uma experiência ruim com produtos ou serviços, enquanto 29% se afastaram por causa de atendimento insatisfatório, presencial ou digital.

O mesmo levantamento indicou que 70% dos executivos reconhecem que as expectativas dos consumidores evoluem mais rápido do que suas organizações conseguem acompanhar. Muitas empresas dispõem de pesquisas, indicadores e grandes bases de dados, mas não conectam esse material às decisões da operação.

Segundo Tolentino, um número mostra o resultado, porém não revela o contexto: é preciso investigar as causas e os momentos da jornada que provocaram determinada percepção. Uma nota de satisfação, por exemplo, sinaliza parte da experiência, mas nem sempre explica a origem do desconforto.

Para enxergar o quadro completo, a executiva observa que vale acompanhar os motivos recorrentes de contato, mudanças de comportamento, sentimentos presentes nas conversas, dificuldades repetidas no atendimento, tempo de resolução, transferências entre canais e pontos de abandono na jornada. Uma análise da McKinsey sintetiza o ponto: a métrica escolhida, seja NPS (Net Promoter Score), satisfação ou esforço do cliente, importa menos do que a capacidade de coletar, analisar e converter o retorno em ações.

Escuta exige profundidade e especialização

Compreender o cliente vai além de acompanhar indicadores ou identificar padrões. O valor surge quando os dados são examinados em profundidade, dentro da realidade de cada operação, e se transformam em decisões capazes de melhorar a jornada. Especializada em Customer Experience, a Better Solutions combina conhecimento de negócio, tecnologia e atuação consultiva, com equipes que trabalham próximas de gestores e áreas operacionais para entender o contexto de cada empresa e investigar a origem dos problemas.

Nesse modelo, a tecnologia amplia a capacidade de acompanhar a qualidade, analisar interações de texto e voz, reconhecer comportamentos recorrentes e visualizar a jornada. “O diferencial está na combinação entre inteligência tecnológica e interpretação consultiva, quando os dados ganham sentido ao serem conectados a pessoas, processos e objetivos de negócio”, acentua a Business Manager da Better Solutions.

Um exemplo dessa abordagem é o SMD, plataforma da companhia voltada à gestão de CX e qualidade, que reúne analytics, acompanhamento de indicadores e análise de interações. A parceria com a COPC complementa a estrutura ao aproximar padrões de excelência e conhecimento prático da rotina de cada cliente.

Tecnologia amplia a escuta, mas não substitui a compreensão

A inteligência artificial permite examinar um volume de interações inviável de revisar manualmente, identificando padrões, assuntos frequentes, mudanças de sentimento e possíveis causas de insatisfação. Automatizar a análise, contudo, não significa automatizar toda a relação com o cliente.

Dados da própria Qualtrics indicam que apenas 26% dos consumidores confiam nas organizações para usar a IA de forma responsável, o que evidencia a necessidade de transparência e de preservação do contato humano. Para Stela Tolentino, a tecnologia mostra padrões e gera alertas, mas a transformação depende de análise crítica, acompanhamento e disposição para mudar.

Em um mercado no qual produtos, tecnologias e condições comerciais podem ser comparados com rapidez, a capacidade de entender o cliente permanece como diferencial difícil de replicar. O futuro do CX tende a ser definido menos pela quantidade de pesquisas enviadas ou pelo volume de dados armazenados e mais pela habilidade de interpretar sinais, entender silêncios e converter conhecimento em decisões.

“Ouvir de verdade significa compreender o que foi dito, perceber o que não foi dito e transformar esse aprendizado em ações. É isso que faz a experiência deixar de ser apenas um indicador e se tornar parte da estratégia da empresa”, conclui Stela Chagas Tolentino.

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