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Vivência prática orienta escolha de área no Direito

Estudantes, bacharéis e advogados costumam definir uma especialidade sem conhecer a rotina de cada ramo. Priscila Pinheiro, CEO do Correspondente Dinâmico, e Gian Nunes, cofundador da plataforma, detalham como a atuação em correspondência jurídica amplia o contato com demandas, contratantes e ambientes distintos e oferece elementos concretos para a decisão de carreira

Publicado em 21/09/2026 15:02
Vivência prática orienta escolha de área no Direito -  (crédito: DINO)
Vivência prática orienta escolha de área no Direito - (crédito: DINO)

A área de Negócios, Administração e Direito reúne 2,44 milhões de estudantes e é a que concentra o maior número de alunos no ensino superior brasileiro, conforme o 16º Mapa do Ensino Superior, publicado pelo Instituto Semesp com base nos dados do Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Parte desse contingente conclui a graduação sem ter experimentado o cotidiano das especialidades estudadas em sala de aula, o que torna a definição de uma área de atuação uma decisão tomada com poucas referências concretas sobre o dia a dia da profissão.

A dimensão da carreira jurídica ajuda a explicar o impasse. O quadro da advocacia, mantido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), registra mais de 1,5 milhão de profissionais inscritos, distribuídos por ramos com dinâmicas de trabalho bastante diferentes entre si.

O Perfil ADV, primeiro estudo demográfico da advocacia brasileira, elaborado pela FGV Justiça em parceria com a OAB, indica que o Direito Civil aparece como área principal para 26% dos inscritos, seguido por Família e Sucessões (14%), Direito Trabalhista (12%) e Direito Previdenciário (11%). O mesmo levantamento aponta que 29,49% dos profissionais têm até cinco anos de inscrição, faixa em que a definição de uma especialidade segue em aberto.

Priscila Pinheiro, advogada e CEO do Correspondente Dinâmico, identifica um padrão entre estudantes, bacharéis e profissionais em início de carreira: a dificuldade de converter o contato acadêmico com os diversos campos do Direito em uma escolha profissional.

“Muitas vezes, a dúvida não é apenas ‘qual área eu gosto?’, mas ‘com qual rotina profissional eu me identifico?’. É possível ter afinidade com uma disciplina na faculdade e descobrir, na prática, que prefere outro tipo de atividade, ambiente ou dinâmica de trabalho”, declara a executiva.

Do conteúdo acadêmico ao cotidiano das demandas

A correspondência jurídica consiste na execução de serviços por profissionais habilitados em nome de quem contrata, geralmente em outra comarca ou localidade. As atividades vão de diligências e acompanhamento de audiências a procedimentos cartorários e administrativos, o que expõe o profissional a formatos de trabalho, contratantes e ambientes institucionais variados em um intervalo curto de tempo.

“A faculdade oferece a base jurídica indispensável, mas a prática acrescenta uma dimensão diferente. Na correspondência, o profissional pode ter contato com diligências, audiências, atividades cartorárias, procedimentos administrativos e diferentes tipos de contratantes”, explica Pinheiro.

Para a advogada, essa vivência também favorece o autoconhecimento, ao permitir que o profissional perceba se tem mais afinidade com atividades externas ou documentais, se prefere o contato direto com pessoas e se deseja aprofundar conhecimentos em determinado campo.

Primeiros passos e evolução gradual

O ponto de partida costuma ser o obstáculo inicial. “Um dos primeiros desafios é saber por onde começar. Quem possui pouca experiência pode ter dificuldade para identificar quais demandas são compatíveis com seu momento profissional, além de ainda estar construindo sua rede de contatos e sua confiança para atuar”, avalia Gian Nunes, cofundador do Correspondente Dinâmico e especialista em tecnologia.

O Correspondente Dinâmico atua como intermediário entre quem contrata e quem executa esses serviços. Ao registrar localidades e campos de atuação, o profissional passa a acompanhar solicitações compatíveis com o próprio perfil e amplia o repertório conforme adquire experiência. Nunes descreve o percurso como progressivo: começar por serviços alinhados à formação, à habilitação e à experiência já acumulada e, na medida em que novas competências se desenvolvem, assumir demandas de outra natureza.

“A escolha de uma área não precisa ser definitiva. O mercado muda, surgem novos interesses e o próprio profissional passa a compreender melhor suas habilidades à medida que acumula experiências”, pondera o cofundador.

Sob essa perspectiva, a correspondência jurídica interessa tanto a quem inicia a trajetória quanto a profissionais experientes que pretendem conhecer outras possibilidades de atuação. O Perfil ADV registra média de 13 anos de exercício entre os inscritos na Ordem, intervalo em que interesses e prioridades tendem a mudar.

A lógica sugerida pelos dois porta-vozes segue a sequência de experimentar, acumular experiência, identificar preferências e, então, definir onde se especializar, o que retira da graduação a obrigação de encerrar com toda a trajetória profissional decidida.

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Website: https://correspondentedinamico.com.br/

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