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Transmaas integra inteligência artificial à operação

Transportadora de Uruguaiana (RS) aplica a tecnologia na programação de veículos, no monitoramento da frota e no fluxo documental. A CEO Eliane Maas detalha como os projetos foram construídos com a equipe e quais são os próximos passos

Publicado em 05/10/2026 17:38
Transmaas integra inteligência artificial à operação -  (crédito: DINO)
Transmaas integra inteligência artificial à operação - (crédito: DINO)

A Transmaas Logística Internacional, transportadora especializada em logística rodoviária internacional sediada em Uruguaiana (RS) que opera no corredor do Mercado Comum do Sul (Mercosul), vem introduzindo ferramentas de inteligência artificial (IA) em seus processos internos. A iniciativa busca trazer maior previsibilidade à programação dos veículos, aprimorar a gestão e o controle de informações, ampliar a capacidade de monitoramento da frota e acelerar o fluxo documental das operações entre Brasil, Argentina, Chile e Uruguai.

Segundo Eliane Maas, CEO da empresa, a decisão partiu da própria rotina de trabalho. “Em 23 anos de transporte rodoviário internacional, vimos o volume e a complexidade das informações crescerem ano a ano. Percebemos que boa parte do tempo da equipe era consumida reunindo e conferindo informações, e não decidindo”, afirma.

Esse diagnóstico marcou o ponto de virada, e a adoção ocorreu em etapas: primeiro, o mapeamento dos gargalos com maior impacto sobre o cliente; depois, testes em escala controlada e validação dos resultados com a equipe; só então, a ampliação do uso. “Não foi uma aposta na tecnologia pela tecnologia, mas a resposta a problemas que conhecíamos muito bem”, diz.

Da programação dos veículos ao fluxo documental

As primeiras frentes contempladas foram a programação dos veículos e a gestão das informações operacionais, de efeito mais direto sobre o atendimento. Depois, o uso chegou ao controle da roteirização, ao monitoramento da frota e ao fluxo documental. Os projetos foram desenvolvidos internamente, com a participação de quem executa a operação de logística internacional rodoviária.

Eliane revela que a IA foi integrada às plataformas de gestão já utilizadas no controle da frota, das tarefas e da área comercial, como uma camada de apoio sobre processos consolidados. Hoje, prossegue, cada área inicia o dia com um informe gerado automaticamente, que reúne a disponibilidade de veículos, a posição da frota, as pendências e as informações de mercado relevantes para a sua rotina. O processo continuou sendo o nosso, com as mesmas responsabilidades, agora mais ágil, mais organizado e com muito menos retrabalho.

Na programação, a tarefa dependia antes da experiência de cada programador e de esforço manual para reunir dados dispersos em planilhas, mensagens e ligações, como disponibilidade e localização dos veículos, situação dos motoristas, documentação, janelas de carregamento e condições de fronteira. Agora, a equipe parte de um quadro consolidado que cruza essas informações e sinaliza com antecedência os veículos disponíveis e aqueles que devem ter prioridade na busca por carga.

Conforme a CEO, o novo modelo otimizou o aproveitamento da frota, reduziu o prazo entre a solicitação do cliente e o embarque e permitiu confirmar datas com mais segurança. “Para quem programa, a mudança é de papel: o tempo antes gasto montando o cenário agora é dedicado a analisar exceções, buscar alternativas e atender o cliente”, frisa.

No fluxo documental, ela lembra que um detalhe pode custar horas, às vezes dias, na fronteira. A IA passou a apoiar a organização e a conferência prévia das informações de cada embarque, sinalizando pendências e inconsistências antes que o caminhão chegue à aduana. A validação final permanece sob responsabilidade da equipe, condição que a executiva classifica como inegociável para uma empresa certificada como Operador Econômico Autorizado (OEA) pela Receita Federal.

No monitoramento, o acompanhamento de cada viagem passou a dialogar com a programação, o que possibilita comparar o planejado com o realizado, identificar desvios mais cedo e agir antes que se transformem em problema. “No dia a dia, a equipe percebe menos retrabalho, menos consultas repetidas e mais segurança para informar ao cliente onde está a carga e qual é a previsão atualizada, muitas vezes antes mesmo que ele pergunte”, conta.

Cultura e qualidade dos dados

Para a CEO, o principal obstáculo da transição foi cultural, não técnico. “Em uma operação com tantos anos de estrada, muitos processos funcionam justamente porque as pessoas dominam cada detalhe, e era natural o receio de que a tecnologia viesse substituir esse conhecimento. Fizemos o caminho inverso: envolvemos a equipe desde o início, usamos a experiência de cada profissional para desenhar as soluções e deixamos claro que o objetivo era eliminar o trabalho repetitivo, não as pessoas”, relata.

O segundo desafio foi a qualidade dos dados, pois a ferramenta só entrega bons resultados com informações confiáveis. Segundo Eliane, esse esforço já melhorou a operação, pois as áreas trabalham sobre a mesma base, com menos ruído entre operação, comercial e administrativo.

Na edição 2025 da pesquisa TIC Empresas, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 16% das empresas brasileiras de transporte, armazenagem e correio declararam ter utilizado tecnologias de IA. Entre as companhias desse segmento que já empregam a tecnologia, metade a aplica em logística, o maior índice entre os setores avaliados.

Eliane avalia que a IA não é exclusividade de grandes corporações. “O que faz a diferença é conhecer profundamente a própria operação e estar disposto a rever a forma de trabalhar”.

Próximos passos

Os planos da Transmaas incluem integrar ainda mais as frentes já atendidas, usar o histórico acumulado para antecipar demandas e tempos de fronteira e ampliar a visibilidade oferecida aos clientes sobre cada embarque. “No transporte internacional, o cliente não contrata apenas o deslocamento da carga, mas a segurança de saber quando e em que condições ela vai chegar. A tecnologia é o meio; o que buscamos entregar é previsibilidade. E ela continua dependendo, acima de tudo, de pessoas preparadas e comprometidas com cada embarque”, conclui.

Com atividades iniciadas em 2003 pela família Maas, a Transmaas atende Brasil, Argentina, Chile e Uruguai com frota própria, agregados e terceiros, com sucursais nos três países vizinhos. A empresa conta com complexo logístico próprio de 14 mil m² na fronteira, certificação OEA-Segurança e é especializada em Transporte Rodoviário Internacional.

Para mais informações, basta acessar: http://www.transmaas.com.br



Website: http://www.transmaas.com.br

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