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Laser superpulsado integra tratamento de pé e tornozelo

Ortopedista Gabriel Ferraz Ferreira explica como a tecnologia, baseada em fotobiomodulação, prepara o tecido para as ondas de choque em casos de fascite plantar e tendinopatia do Aquiles e auxilia o controle de dor e edema após cirurgias, além de detalhar o que a diferencia do laser de alta intensidade e onde a evidência científica ainda é limitada

Publicado em 05/11/2026 14:02
Laser superpulsado integra tratamento de pé e tornozelo -  (crédito: DINO)
Laser superpulsado integra tratamento de pé e tornozelo - (crédito: DINO)

O laser superpulsado passou a integrar os protocolos de tratamento de pé e tornozelo conduzidos pelo ortopedista Gabriel Ferraz Ferreira, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, com atuação em técnicas minimamente invasivas e medicina regenerativa. A tecnologia é empregada em duas frentes: como etapa que antecede a terapia por ondas de choque em quadros como fascite plantar e tendinopatia do Aquiles, e como recurso complementar no pós-operatório, voltado ao controle da dor e do edema. O mecanismo envolvido é a fotobiomodulação, processo em que a energia luminosa absorvida pelas células desencadeia efeitos analgésicos e anti-inflamatórios.

Para quem tem pouco contato com o tema, a diferença em relação ao laser de alta intensidade convencional está na forma como a energia chega ao tecido. “O laser superpulsado é uma forma de laserterapia que emite luz em pulsos extremamente curtos, da ordem de bilionésimos de segundo, mas com potência de pico muito alta”, explica o Prof. Dr. Gabriel Ferraz Ferreira. Segundo o médico, o aparelho que utiliza combina esse laser a outros comprimentos de onda, como luz infravermelha, vermelha e azul, o que permite que a energia alcance tendões, fáscia e ligamentos sem aquecer a pele.

O equipamento de alta intensidade convencional também chega às camadas profundas, mas opera com potência contínua elevada e age, em parte, pelo aquecimento do tecido. Em ambos os casos, de acordo com o especialista, a luz estimula a produção de energia celular, melhora a microcirculação local e modula a inflamação. “A diferença está na forma de entregar essa energia, e o modo superpulsado permite tratar áreas profundas com conforto e sem aquecer a pele e com risco mínimo de queimadura”, afirma.

Estímulos de naturezas distintas no mesmo plano

Na fascite plantar e na tendinopatia do Aquiles, o laser é aplicado antes da terapia por ondas de choque. As duas técnicas agem por caminhos diferentes: a primeira utiliza estímulo luminoso, enquanto a segunda recorre a um estímulo mecânico, que provoca uma resposta biológica de reparo no tendão ou na fáscia. “Na prática clínica, aplico o laser antes das ondas de choque para preparar o tecido e reduzir a sensibilidade local. Assim, a sessão de ondas de choque fica mais confortável e é mais bem tolerada pelo paciente”, relata o ortopedista.

A proposta, conforme o Dr. Gabriel Ferraz, é somar estímulos complementares dentro de um mesmo plano terapêutico. Ele pondera, no entanto, que essa associação se apoia em racional biológico e em experiência clínica, e que os estudos dedicados especificamente à combinação das duas técnicas ainda são poucos.

Recurso complementar após a cirurgia

No período pós-operatório, inclusive após procedimentos minimamente invasivos, o laser entra ao lado dos cuidados habituais, como elevação do membro, controle medicamentoso da dor, curativos e reabilitação. O objetivo é apoiar o controle da dor e do edema e favorecer a recuperação dos tecidos. Como a aplicação é rápida, indolor e não aquece a região, o uso se torna viável em uma fase na qual o pé costuma estar mais sensível.

“A resposta varia de paciente para paciente. Por isso, não trato o laser como garantia de um pós-operatório sem dor ou sem inchaço, mas como uma ferramenta a mais dentro do acompanhamento”, observa o médico. Nas cirurgias minimamente invasivas, que já trabalham com incisões pequenas e menor agressão aos tecidos, a tecnologia funciona como mais um elemento voltado ao conforto do paciente durante a recuperação.

O que a ciência já mostra

A literatura sobre fotobiomodulação em condições musculoesqueléticas reúne resultados promissores, sobretudo no alívio da dor e na melhora funcional, mas ainda apresenta lacunas. Uma meta-análise publicada em fevereiro de 2026 no Journal of Clinical Medicine reuniu 13 ensaios clínicos randomizados, com 784 participantes, sobre laserterapia na fascite plantar.

O trabalho identificou redução significativa da sensibilidade do calcanhar à palpação, sem melhora consistente em dor geral e função, e recomendou o uso do laser como adjuvante dos tratamentos conservadores. Os autores também apontaram grande variação nos parâmetros adotados entre os estudos.

Essa heterogeneidade é observada pelo ortopedista. “Os estudos usam aparelhos, comprimentos de onda, doses e números de sessões diferentes, o que dificulta comparações e conclusões definitivas”, diz.

Para o laser superpulsado, especificamente em doenças do pé e tornozelo, no pós-operatório dessas cirurgias e em combinação com ondas de choque, ainda faltam ensaios clínicos maiores e bem controlados. “Como pesquisador, considero importante deixar isso claro: a tecnologia tem bom racional biológico e perfil de segurança favorável, mas a evidência ainda está em construção”, acentua.

Indicações e limites

De acordo com o Dr. Gabriel Ferraz, o recurso faz mais sentido para pacientes com dores e inflamações em tendões, fáscia e ligamentos do pé e do tornozelo, como fascite plantar, tendinopatia do Aquiles e entorses, além de pessoas em recuperação cirúrgica.

A indicação ocorre sempre após avaliação ortopédica e diagnóstico preciso. O laser não substitui fisioterapia, fortalecimento muscular, ajuste de calçados, medicação quando necessária, outros tratamentos indicados ou a cirurgia nos casos em que ela é a melhor opção. “Uma ruptura completa de tendão ou uma deformidade estrutural, por exemplo, não serão resolvidas com laser”, exemplifica.

Há ainda contraindicações, como a aplicação sobre áreas com tumor conhecido ou suspeito, sobre a região abdominal ou lombar de gestantes e diretamente nos olhos. Para o especialista, a tecnologia não invasiva ampliou as possibilidades de cuidado no consultório, mas não deve ser encarada como solução isolada.

“A escolha de qualquer terapia deve partir de um diagnóstico correto e ser acompanhada por um profissional habilitado, com expectativas realistas sobre o que cada recurso pode oferecer”, conclui.

Prof. Dr. Gabriel Ferraz Ferreira – CRM-SP 151.687 | RQE 60476

Para mais informações, basta acessar: https://drgabrielferraz.com.br/laser-de-alta-intensidade-hilt/



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