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Da física à infraestrutura de IA: o empresário que opera o que outros só comentam

Publicado em 26/06/2026 13:45

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Da física à infraestrutura de IA: o empresário que opera o que outros só comentam -  (crédito: PulseBrand)
Da física à infraestrutura de IA: o empresário que opera o que outros só comentam - (crédito: PulseBrand)

Há um tipo de conhecimento sobre inteligência artificial que, segundo Guilherme Friol, fundador da Vircos, só se adquire de um lugar específico: o de quem é responsável quando o sistema precisa funcionar de verdade, em produção, com os dados reais de uma organização que não pode falhar. Não é o lugar de quem opina sobre IA, é o de quem responde por ela. E é desse lugar, afirma, que vem a leitura que ele faz do setor.

A trajetória do empresário conta com experiência em   física, administração, pós em Inteligência artificial, Neuro Ciências e Relações Internacionais, e, na avaliação dele, não por acaso. A física ensina a separar o que parece verdadeiro do que é verdadeiro, e a desconfiar de modelo que funciona apenas no quadro. Guilherme Friol conta ter levado essa desconfiança para a tecnologia: quando começou a operar infraestrutura de computação de alto desempenho, a pergunta que o guiava não era se algo era possível em teoria, mas se aguentaria a realidade.

À frente da Vircos há 10 anos, essa pergunta virou seu ofício. A empresa opera a infraestrutura de IA de organizações para as quais funcionar não é opcional: instituições de pesquisa, centros científicos e companhias que lidam com dados que não podem sair de seu controle: instituições educacionais, centros médicos, institutos de pesquisas, empresas de tecnologia, escritórios de advocacia, escritórios contábeis, bancos e indústrias. Não é o tipo de cliente que aceita demonstração bonita, observa o fundador, e sim o que pergunta o que acontece no pior dia e espera uma resposta que se sustente.

Por que a trajetória importa para o debate

Guilherme Friol faz questão de situar a própria história não como currículo, mas como contexto. O Brasil, argumenta, está prestes a tomar uma série de decisões importantes sobre inteligência artificial, em empresas de todos os tamanhos, e a maior parte do que se escreve sobre o tema vem de quem observa o setor de fora. Há valor nisso, reconhece, mas também um ponto cego: a distância entre o que parece funcionar numa apresentação e o que de fato funciona quando precisa rodar é justamente onde as decisões mais caras são tomadas, e é o terreno que ele diz conhecer melhor.

São três as convicções que, segundo o empresário, orientam sua leitura de IA como negócio, todas formadas na prática. A primeira é que soberania sobre os próprios dados deixou de ser discurso e virou requisito  prático de quais riscos uma empresa pode ou não aceitar. A segunda é que a maior parte das frustrações com IA não nasce de tecnologia ruim, e sim de decisão apressada, comprar antes de entender o problema. A terceira é que a pergunta certa quase nunca é técnica: é de negócio, e por isso pertence a quem dirige a empresa, não a quem instala o sistema.

É dessas convicções, diz, que sairão as análises que assina nas próximas semanas, sobre quando comprar e quando construir IA, sobre por que o cargo da moda nas empresas está sendo criado de forma equivocada, e sobre o que separa, na prática, a empresa que vai ganhar com inteligência artificial da que vai apenas gastar com ela. Para ele, no debate brasileiro sobre IA, está faltando exatamente essa cadeira, a de quem opera, e não apenas assiste.

Guilherme Friol resume a régua que diz aplicar a cada análise: prefere o que funciona ao que impressiona, a decisão à ferramenta, e a pergunta honesta à resposta pronta. É assim, afirma, que opera a Vircos e que pensa o setor. O restante, conclui, fica para o leitor julgar pela consistência ao longo do tempo, que é, no fim, a única prova de autoridade que vale alguma coisa.

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