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Esgrima é xadrez em movimento: como Duda Nascimento estuda as adversárias

Publicado em 06/07/2026 16:37

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Esgrima é xadrez em movimento: como Duda Nascimento estuda as adversárias -  (crédito: PulseBrand)
Esgrima é xadrez em movimento: como Duda Nascimento estuda as adversárias - (crédito: PulseBrand)

Antes de uma competição, Duda Nascimento já sabe quem vai encontrar do outro lado da pista. Durante a semana, ela mesma assiste aos vídeos das adversárias. Observa o ritmo de cada uma, o lado para onde costumam atacar, o momento em que hesitam. Esse estudo é dela: é a atleta quem levanta o material e faz a leitura, por conta própria. Com o técnico Bernardo Schwuchow, no Esporte Clube Pinheiros, o que ela faz é discutir os combates e transformar essas observações em plano de jogo. Quando a disputa finalmente começa, parte do trabalho já está feita. O florete na mão é a etapa final de uma decisão que começou no estudo.

Essa rotina ajuda a entender por que uma atleta de 13 anos conseguiu, em 2026, algo raro na esgrima brasileira: subir ao pódio em um Campeonato Nacional da categoria adulta. Não foi um golpe de sorte nem uma explosão isolada de talento. Foi o resultado de um método que trata a esgrima como um esporte de inteligência, em que pensar rápido vale tanto quanto se mover rápido.

Por que a esgrima é comparada a um jogo de xadrez?

O florete é a mais leve das três armas da esgrima, e também a mais exigente em precisão. O ponto só é válido quando a ponta toca o tronco do adversário, o que reduz a margem de erro e transforma cada movimento em uma escolha. Não basta atacar. É preciso atacar no momento certo, no espaço certo, depois de ler o que o outro vai fazer.

É nesse ponto que a comparação com o xadrez faz sentido. Em uma partida de florete, os dois atletas estão o tempo todo testando, recuando, oferecendo aberturas falsas. Quem age por impulso entrega o jogo. Quem observa, espera e decide com clareza leva vantagem. Para Duda, a leitura do adversário não é um detalhe da preparação. É o centro dela.

"A esgrima é quase um jogo de xadrez. Você tem que pensar dois movimentos à frente, porque se reagir só ao que está vendo, já é tarde", afirma Duda Nascimento.

A frase resume uma mudança de perspectiva. Para o público, a esgrima costuma parecer pura velocidade, um borrão de lâminas e um sinal eletrônico que acende. Para quem compete, é o oposto: um exercício de paciência e antecipação, em que o atleta mais inteligente quase sempre supera o atleta apenas mais rápido.

Como Duda Nascimento estuda as adversárias antes de uma competição?

O trabalho de análise que Duda faz segue uma lógica simples e disciplinada. Antes das competições, ela levanta quem serão as prováveis adversárias e revisa, sozinha, o material disponível sobre cada uma. O scout é um hábito individual da atleta. O papel do técnico entra na etapa seguinte: com Bernardo, ela discute os combates e transforma as observações em um plano de jogo específico, com pontos de atenção e oportunidades a explorar.

Esse hábito de estudar o oponente é comum no esporte de alto rendimento adulto, mas raro em uma atleta tão jovem. É o que permite a Duda competir de igual para igual com esgrimistas mais velhas e mais experientes. Quando ela enfrenta alguém com anos de pista a mais, a diferença de bagagem física existe, mas é parcialmente compensada pela preparação tática.

Foi assim em uma das vitórias mais comentadas da sua trajetória recente, no quadro de 16 de uma competição adulta. Diante de uma adversária mais velha e mais experiente, formada em uma escola de jogo agressivo, Duda não tentou vencer no mesmo terreno. Aplicou o que havia estudado: leu o ritmo da oponente, esperou o momento de menor proteção e pontuou com precisão, sem se deixar levar pela intensidade do confronto.

"Tirei a máscara, dei uma respirada, olhei pro placar e eu tinha ganhado", comenta Duda Nascimento.

O episódio é exemplar, porque mostra a esgrima como ela realmente é praticada no alto nível. Não venceu quem bateu mais forte. Venceu quem entendeu melhor o jogo do outro.

Como uma esgrimista ajusta a estratégia durante o combate?

O estudo prévio é só metade do trabalho. A outra metade acontece durante o combate, quando o plano encontra a realidade. Nenhuma adversária se comporta exatamente como o vídeo previu, e a capacidade de ajustar a estratégia no meio da disputa é o que separa uma boa atleta de uma atleta completa.

Duda descreve esse processo como uma conversa interna constante. Entre um toque e outro, ela avalia o que funcionou, o que falhou e o que precisa mudar. Quando perde um ponto, não trava. Reconhece o erro, processa rápido e parte para a ação seguinte com a cabeça limpa.

"Se você ficar muito presa no toque anterior, seu jogo acabou ali", ressalta a atleta.

Essa capacidade de resetar depois de um erro é rara numa atleta tão jovem. No esporte de alto rendimento, costuma levar anos para amadurecer. Em Duda, aparece cedo, reforçada pelo acompanhamento de mentoria que a atleta recebe ao longo da formação.

O que o caso de Duda Nascimento mostra sobre a esgrima como esporte de decisão?

O caso de Duda Nascimento desmonta um estereótipo: o de que esgrima é só velocidade. É um esporte de combate, sim, mas é, antes disso, um esporte de decisão. O talento, por si só, não basta. Precisa de método, de estudo e de constância para virar resultado, como mostra a medalha conquistada aos 13 anos numa categoria adulta.

Mas o que ela representa é menos sobre precocidade e mais sobre processo. Duda não chegou ali por ser uma exceção inexplicável. Chegou porque, semana após semana, aprende a fazer a mesma pergunta antes de cada combate: o que a pessoa do outro lado vai tentar, e como eu respondo a isso?

É uma pergunta de xadrez. A diferença é que, na pista, ela é respondida com um florete.

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