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Pessoas como ativo: a tese que José Roberto Marques defende há 40 anos e que o mercado começou a levar a sério

Publicado em 07/07/2026 18:08

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Pessoas como ativo: a tese que José Roberto Marques defende há 40 anos e que o mercado começou a levar a sério -  (crédito: PulseBrand)
Pessoas como ativo: a tese que José Roberto Marques defende há 40 anos e que o mercado começou a levar a sério - (crédito: PulseBrand)

Pessoas como ativo: a tese que José Roberto Marques defende há 40 anos e que o mercado começou a levar a sério

Durante boa parte das últimas décadas, pessoas foram tratadas nas empresas como linha de custo. Folha, encargos, benefícios. A ideia de que o estado emocional de uma equipe pudesse influenciar o valor de um negócio soava, na melhor das hipóteses, como discurso de palestra. Esse consenso começou a rachar. Pressionado por dados de produtividade, por uma nova regulação e por investidores mais atentos ao capital humano, o mercado passou a olhar para as pessoas não apenas como quem executa, mas como quem gera ou destrói valor.

No centro dessa virada está uma tese que José Roberto Marques, fundador do Instituto Brasileiro de Coaching, vem defendendo há cerca de 30 anos: a de que maturidade emocional, qualidade das relações e capacidade de decisão das equipes são ativos, ainda que invisíveis no balanço. Ele dá a isso o nome de Valuation Humano.

"Hoje o mercado ainda discute pessoas como despesa e saúde emocional como benefício. Equipes desequilibradas geram risco, e equipes maduras geram valor. Esse diferencial precisa entrar na lógica de avaliação das empresas", afirma José Roberto Marques.

O que os números mostram

Os números confirmam. Pesquisas da McKinsey indicam que organizações saudáveis entregam, no longo prazo, três vezes mais retorno total ao acionista do que as não saudáveis. Na ponta oposta, a Gallup calcula que o engajamento global caiu para 20% em 2025, com perda estimada de quase US$10 trilhões em produtividade. Turnover elevado, burnout e liderança desorganizada deixam de ser problemas de clima e passam a ser fatores que comprometem a execução, elevam o custo de reposição e ampliam o risco operacional.

A lei alcançou o discurso

A tese que parecia antecipada ganhou peso de lei. Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 (Norma Regulamentadora 1) passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Sobrecarga, assédio moral, metas inexequíveis e ausência de apoio da liderança passaram a integrar o inventário de riscos das empresas, ao lado de perigos físicos e ergonômicos, deixando de ser pauta de cultura para tocar compliance e governança.

"Há 30 anos falo que inteligência emocional não é soft skill, é infraestrutura organizacional. Agora a legislação confirma. A NR-1 não deveria ser novidade para nenhuma empresa que leva a sério sua força de trabalho", diz José Roberto Marques.

Acesso como bandeira

A leitura de pessoas como ativo tem, na trajetória de José Roberto Marques, uma contrapartida social. Sua operação afirma ter destinado mais de 130 mil ingressos a imersões de inteligência emocional e desenvolvimento humano, um investimento estimado em R$60 milhões, num esforço de aproximar de um público amplo um repertório historicamente restrito a quem podia pagar por ele.

"Desenvolvimento humano é o maior equalizador social que existe. Não existe ferramenta mais poderosa contra a pobreza do que o autoconhecimento", afirma.

Da prática à autoridade

Por trás do discurso está a escala. Fundado em 2007, o IBC tornou-se a principal plataforma de uma trajetória que soma mais de 6 milhões de pessoas treinadas, presença em mais de 40 países, mais de 140 mil alunos formados e mais de 110 livros publicados que somam milhares de exemplares vendidos. Ao longo do percurso, José Roberto Marques desenvolveu conceitos próprios, como Self Coaching, Psicologia Marquesiana e Valuation Humano, como forma de dar linguagem autoral a uma leitura sobre mente, emoção e desempenho construída na prática.

"Minha formação como pesquisador do comportamento não veio de um único laboratório. Veio de milhões de interações reais. Cada formação, cada imersão, cada livro é um ponto de dado", resume.

O movimento revela uma aposta: a de que a maturidade emocional das organizações deixará de ser um repertório desejável para entrar, de vez, na lógica de produtividade e de valor. Se a tese se confirmar, quem vinha tratando pessoas como ativo há três décadas terá saído na frente.

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