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Capital humano como variável de valor: a tese do Valuation Humano e por que ela chega ao radar de investidores

Publicado em 08/07/2026 14:41

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Capital humano como variável de valor: a tese do Valuation Humano e por que ela chega ao radar de investidores -  (crédito: PulseBrand)
Capital humano como variável de valor: a tese do Valuation Humano e por que ela chega ao radar de investidores - (crédito: PulseBrand)

Capital humano como variável de valor: a tese do Valuation Humano e por que ela chega ao radar de investidores

A economia dos intangíveis expôs uma lacuna antiga na forma de medir valor. Boa parte das criações de uma empresa passa por ativos que o balanço não captura por inteiro, e a própria norma internacional IAS 38 reconhece a dificuldade de tratar elementos gerados internamente, como marcas, como ativos contábeis formais. Dentro desse vão, um componente específico começa a ganhar nome no debate corporativo: a qualidade emocional e decisória das pessoas que sustentam a operação.

José Roberto Marques, fundador do Instituto Brasileiro de Coaching, organiza essa leitura sob o conceito de Valuation Humano. A premissa é que o valor de uma empresa não está apenas no que ela fatura ou possui, mas também na maturidade das equipes e no fato de que o capital humano deve ser tratado como vetor capaz de gerar, preservar ou destruir valor, não como mera linha de custo.

"Hoje o mercado ainda discute pessoas como despesa e saúde emocional como benefício. Equipes desequilibradas geram risco, e equipes maduras geram valor. Esse diferencial precisa entrar na lógica de avaliação das empresas", afirma José Roberto Marques.

A evidência econômica

Os dados dão peso à tese. Pesquisas da McKinsey indicam que organizações saudáveis entregam, no longo prazo, três vezes mais retorno total ao acionista do que as não saudáveis. Do lado do custo, a Gallup estima que o engajamento global caiu para 20% em 2025, com perda de quase US$10 trilhões em produtividade. São números que deslocam o tema do campo do bem-estar para o da criação de valor.

Reporte e regulação dão lastro

A regulação caminhou na mesma direção. Em agosto de 2025, a ISO (Organização Internacional da Padronização) publicou a segunda edição da ISO 30414, voltada à divulgação de capital humano, com requisitos auditáveis e 14 métricas obrigatórias. No Brasil, desde 26 de maio de 2026, a NR-1 (Norma Regulamentadora 1) passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, levando o tema para o terreno de compliance, prevenção de passivos e governança. Para conselhos, áreas jurídicas e auditorias, o risco emocional torna-se mais visível e documentável.

"Há 30 anos falo que inteligência emocional não é soft skill, é infraestrutura organizacional. Agora a legislação confirma. A NR-1 não deveria ser novidade para nenhuma empresa que leva a sério sua força de trabalho", diz José Roberto Marques.

Escala como lastro de autoridade

A formulação se apoia em mais de quatro décadas de atuação. Fundado em 2007, o IBC consolidou uma operação com mais de 6 milhões de pessoas treinadas, presença em mais de 40 países, mais de 140 mil alunos formados e mais de 110 livros publicados que somam milhares de exemplares vendidos. Desse acúmulo nascem conceitos próprios, como Self Coaching e o Valuation Humano, com os quais José Roberto Marques busca traduzir repertório prático em método aplicável a empresas e investidores.

"Minha formação como pesquisador do comportamento não veio de um único laboratório. Veio de milhões de interações reais. Cada formação, cada imersão, cada livro é um ponto de dado", afirma.

Assim como indicadores ambientais e de governança passaram de pauta periférica a componente recorrente de diligência e precificação, métricas ligadas à qualidade humana das organizações caminham na mesma direção. A diferença é o ativo central: não máquinas, imóveis ou patentes, mas a capacidade de sustentar desempenho por meio de pessoas emocionalmente preparadas. O Valuation Humano é uma aposta de que essa variável, tão real quanto qualquer outra, ainda é subestimada por quem avalia empresas. 

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