
A tecnologia debaixo do solo que decide se uma rede de esgoto vai durar 50 anos
Boa parte da infraestrutura que garante esgoto tratado e drenagem urbana funciona longe dos olhos, enterrada sob calçadas e avenidas. São os poços de visita e de inspeção, estruturas que permitem manutenção, desobstrução e monitoramento das redes coletoras. Quando falham, o resultado aparece na superfície: infiltração, contaminação do solo, recalque de pavimento e custos de reparo que se acumulam ao longo dos anos. A pergunta que engenheiros e gestores públicos passaram a fazer com mais frequência é direta: do que esses poços devem ser feitos para resistir por décadas?
A resposta que vem ganhando espaço é o polietileno de alta densidade, o PEAD. A Asperbras, indústria fundada em 1985 e com sede em Penápolis, no interior de São Paulo, fabrica poços de visita e de inspeção rotomoldados em PEAD homologados pela Sabesp conforme a norma técnica NTS 234, uma das soluções que substituem o concreto nas estruturas subterrâneas. Com mais de 40 anos de história e posição de liderança no segmento, a companhia já superou a marca de 100 mil poços de visita e de inspeção instalados pelo Brasil, e opera seis plantas industriais que produzem acima de 60 mil toneladas por ano em tubos, conexões e estruturas plásticas para redes de esgoto e drenagem.
1. Por que o poço de concreto falha nas juntas?
O poço de visita de concreto tradicional é montado a partir de peças que se encaixam, e cada encaixe é uma junta. Com o tempo, juntas se tornam pontos de infiltração, deixando entrar água parasitária que sobrecarrega o sistema, ou permitindo a saída de efluente para o solo. O concreto também sofre com o gás sulfídrico (H?S) presente nas redes de esgoto, um agente que corrói a estrutura e reduz sua vida útil.
O poço de visita em PEAD da Asperbras nasce monolítico, fabricado em peça única, sem emendas. Segundo a empresa, isso resulta em estanqueidade total e elimina os pontos de falha característicos das juntas. O material resiste à corrosão química do H?S e absorve deformações do solo sem trincar, o que importa em terrenos sujeitos a recalque.
2. Quanto pesa e quanto tempo leva para instalar?
A diferença mais imediata aparece no canteiro. A linha de poços em PEAD da Asperbras se destaca pela versatilidade, com peso entre 40kg e 200kg conforme diâmetro e altura, contra 1.500kg a 3.000kg de um equivalente em concreto. Isso reduz o peso da estrutura em até 90% e dispensa guindastes e caminhões pesados na instalação.
O reflexo é o tempo de obra. A Asperbras estima instalação entre 1 e 2 horas para o poço de visita em PEAD, ante 6 a 10 horas para o de concreto, com equipe reduzida e sem necessidade de tempo de cura. Em conjunto, isso representa uma instalação até três vezes mais rápida, com ganho direto de eficiência e agilidade no dia a dia das obras.
"A instalação é até um terço mais rápida que soluções tradicionais em concreto, proporcionando economia significativa de tempo para construtoras e incorporadoras que investem em tecnologia abaixo do solo", afirma Thiago Rosa, gerente nacional de vendas da Asperbras.
3. PEAD ou concreto: qual sai mais barato no longo prazo?
Para o gestor público e o engenheiro, o custo de instalação é só parte da equação. A rugosidade interna do poço de visita em PEAD, com coeficiente de Manning na faixa de 0,009 contra 0,013 a 0,015 do concreto, melhora a eficiência hidráulica e reduz o acúmulo de resíduos, característica que torna a estrutura autolimpante. A menor necessidade de manutenção e a resistência à corrosão apontam para uma vida útil que, segundo a Asperbras, supera 50 anos, ante a degradação progressiva do concreto exposto a esgoto.
É nesse horizonte que a tecnologia se conecta a um problema nacional. O Marco Legal do Saneamento estabelece que até 2033 o país deve garantir acesso a água e esgoto tratado a 99% da população. Soluções de instalação rápida e baixa manutenção ganham peso quando o desafio é escala, prazo e, cada vez mais, falta de mão de obra qualificada para obras de infraestrutura.
4. Onde a tecnologia já está em uso?
A aplicação do poço de visita em PEAD não se restringe a grandes obras de saneamento público. Incorporadoras de alto padrão passaram a adotar a tecnologia como parte da infraestrutura de seus empreendimentos, tratando o que está debaixo do solo como argumento de qualidade e valorização. Os poços de visita da Asperbras são homologados pela Sabesp conforme a NTS 234, e o portfólio carrega certificação ISO 9001.
A lição que fica para quem decide é que infraestrutura invisível também é decisão estratégica. O material escolhido para o que ninguém vê define, no fim, quanto tempo e quanto dinheiro a rede vai consumir nas décadas seguintes.