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Dra. Penélope Tabatinga alerta para cuidados na perimenopausa

Publicado em 10/08/2026 16:35

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Dra. Penélope Tabatinga alerta para cuidados na perimenopausa -  (crédito: PulseBrand)
Dra. Penélope Tabatinga alerta para cuidados na perimenopausa - (crédito: PulseBrand)

Dra. Penélope Tabatinga alerta para cuidados na perimenopausa

Cansaço, fadiga, piora da memória, alterações no sono, irritabilidade e mudanças no ciclo menstrual podem surgir antes mesmo de sintomas mais conhecidos, como as ondas de calor. Essas manifestações podem fazer parte da perimenopausa, período de transição hormonal que geralmente começa a partir dos 40 anos e que, segundo a endocrinologista Dra. Penélope Tabatinga, ainda é cercado por dúvidas, principalmente sobre o momento adequado para buscar avaliação e tratamento.

Ao contrário da ideia de que os ovários deixam de produzir hormônios de maneira repentina, essa transição é marcada inicialmente por oscilações importantes, especialmente do estradiol. Além das alterações menstruais, a mulher pode apresentar dificuldade de concentração, redução da libido, sudorese noturna e dores musculares ou articulares. Em mulheres saudáveis a partir dos 45 anos e com quadro típico, a avaliação é predominantemente clínica, já que uma dosagem hormonal isolada pode não representar as oscilações características dessa fase.

Uma das principais dúvidas, de acordo com a especialista, é se a mulher precisa esperar a menstruação desaparecer para considerar a terapia hormonal.

"Se ela está na perimenopausa, apresenta sintomas que comprometem sua qualidade de vida e não possui contraindicações, a terapia hormonal pode ser considerada mesmo que a mulher esteja menstruando", explica. A indicação, no entanto, não é automática: sintomas, histórico clínico e fatores de risco precisam ser analisados individualmente.

Entre as manifestações com indicação mais estabelecida para a terapia hormonal sistêmica estão as ondas de calor e a sudorese noturna. Quando corretamente indicado, o tratamento pode melhorar os sintomas e a qualidade de vida e também prevenir a perda de massa óssea associada à deficiência estrogênica, reduzindo o risco de fraturas enquanto utilizado. A endocrinologista chama atenção ainda para uma diferença importante: a terapia hormonal da menopausa não funciona como anticoncepcional e, como ainda pode haver ovulação na perimenopausa, a contracepção deve ser discutida separadamente.

Outro tema que costuma gerar insegurança é a relação entre hormônios e câncer. Para a Dra. Penélope, generalizar que a reposição hormonal necessariamente provoca câncer não traduz a complexidade das evidências disponíveis.

"Não existe um único 'risco da reposição hormonal'. O risco depende de diversos fatores: idade em que o tratamento é iniciado, presença ou ausência do útero, tipo de estrogênio, necessidade e tipo de progestagênio, via de administração, duração do tratamento e risco basal daquela mulher", afirma.

É justamente por essas diferenças que não existe uma fórmula de reposição hormonal indicada para todas as pacientes. Histórico de câncer hormônio-dependente, tromboembolismo, AVC, infarto, doença hepática e sangramento uterino não esclarecido são algumas das condições que exigem atenção especial e podem modificar ou contraindicar a estratégia. Além disso, nem todo sintoma após os 40 anos deve ser atribuído à transição hormonal: alterações da tireoide, anemia, transtornos do humor e distúrbios do sono podem apresentar manifestações semelhantes.

Para a Dra. Penélope Tabatinga, portanto, a discussão sobre perimenopausa deve ir além da ideia de simplesmente repor hormônios.

"O objetivo da consulta deve ser entender o que está acontecendo nessa transição, excluir outras causas para os sintomas, avaliar riscos e decidir junto com a paciente qual estratégia oferece o melhor equilíbrio entre qualidade de vida, benefícios e segurança", conclui.

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