
O Soldado Fuzileiro Naval Lucas Oliveira Pereira obteve a certificação internacional BH para o Cão de Guerra Quill e se tornou o primeiro condutor da Companhia de Polícia dos Fuzileiros Navais da Ilha das Flores a certificar um animal em prova de titulação reconhecida pela FCI (Fédération Cynologique Internationale).
O processo de certificação segue critérios técnicos definidos por entidade internacional e no Brasil recebe a homologação da CBKC (Confederação Brasileira de Cinofilia). A experiência de Lucas levou à criação de um livro sobre o treinamento de cães.
Critérios técnicos da certificação
O nome da certificação BH vem do termo alemão Begleithund, que significa Cão de Acompanhamento. A prova avalia a obediência básica do animal, sua capacidade de adequação a ambientes urbanos e a interação controlada com pessoas e outros animais. No total, três eixos são contemplados: temperamento, execução de comandos e desempenho sob distração. O título é reconhecido em todos os países filiados à FCI, sendo uma padronização internacional.
O resultado obtido por Quill corresponde aos atributos doutrinários previstos nos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais para a adoção de cães de polícia: temperamento adequado, capacidade de resposta e controle exercido pelo condutor. A certificação é a primeira do gênero registrada pela Companhia de Polícia da Ilha das Flores.
“O método que aplicamos no treinamento do Quill segue os mesmos fundamentos que descrevo no livro: construção de foco, autocontrole e comunicação clara entre cão e condutor”, afirma Lucas Oliveira Pereira, condutor operacional do Quill e autor da obra Learned Focus.
Metodologia documentada em publicação
O livro Learned Focus está sendo lançado em paralelo à certificação. A obra sistematiza a metodologia de treinamento aplicada ao Quill e é estruturada para uso a partir dos cinco meses de idade do animal. O processo é organizado nas seguintes etapas: socialização planejada (exposição controlada a pessoas, animais, sons e ambientes, abaixo do limiar de estresse do cão), ambientação (manutenção da capacidade de resposta em contextos diversos) e construção de comportamentos básicos, com o contato visual como elemento de referência para avaliar a disponibilidade do animal para o aprendizado.
A publicação apresenta que a progressão entre etapas ocorre somente por meio de critérios objetivos de consistência e compreensão por parte do animal. Em caso de perda de desempenho, há o retorno a etapas anteriores, em vez da imposição de exigências crescentes sem embasamento em resultado observável.
Aplicação além do escopo militar
A metodologia descrita em Learned Focus é uma referência técnica para adestradores profissionais e tutores de cães de companhia, sem restrições ao emprego operacional de cães de polícia. A certificação da Companhia de Polícia da Ilha das Flores e a publicação do método documentam, assim, um mesmo processo técnico com duas frentes de aplicação: a militar e a civil.