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Mulheres empreendedoras enfrentam gap de capital ligado à leitura de risco

Publicado em 19/08/2026 18:20

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Mulheres empreendedoras enfrentam gap de capital ligado à leitura de risco -  (crédito: PulseBrand)
Mulheres empreendedoras enfrentam gap de capital ligado à leitura de risco - (crédito: PulseBrand)

O acesso a capital no empreendedorismo feminino brasileiro ainda é difícil, e os dados comprovam que o funil se estreita a cada etapa. Esse cenário ganha relevância institucional conforme políticas públicas de fomento ao crédito e ao investimento produtivo levam em conta o gênero como critério de avaliação. Somente 12% dos recursos investidos pelos maiores fundos de venture capital do país são direcionados para startups lideradas por mulheres, conforme pesquisa da plataforma Startups. No crédito tradicional, 42% das empreendedoras recebem uma negativa em seus pedidos. Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a remuneração das empreendedoras é 24% menor do que a dos homens, outro fator que diminui a capacidade de reinvestimento com capital próprio.

Concentração no topo da cadeia produtiva

O resultado é ainda mais claro nos postos de comando. O Panorama Mulheres 2025, elaborado por Talenses e Insper, indica que só 17,4% das empresas pesquisadas são comandadas por mulheres. A diferença entre fundar um negócio e liderar uma empresa economicamente relevante é, muitas vezes, uma distância de capital, um dado que importa a órgãos de fomento e a quem elabora a política de crédito.

Como o mercado financeiro avalia risco

Esse cenário pode ser parcialmente explicado por vieses já documentados no mercado de crédito e investimento. Contudo, há um segundo componente relevante nessa conta, mesmo sendo menos discutido e mais acionável: a metodologia de avaliação de risco usada por bancos e fundos. As instituições financeiras analisam previsibilidade de receita, organização financeira, processos formalizados e dependência da operação em relação à pessoa fundadora.

Negócios que crescem com mais sobrecarga e menos tempo disponível para o planejamento estratégico costumam chegar à análise de crédito com menos estrutura formal, e esse é um cenário comum entre empreendedoras. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mulheres reservam 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados, contra 11,7 horas dos homens. De acordo com os critérios técnicos de avaliação, no entanto, um negócio sem estrutura formal apresenta mais risco, qualquer que seja o mérito de sua liderança.

Essa situação gera um ciclo que se retroalimenta: menos capital reduz a estrutura, que aumenta o risco percebido e resulta em menos capital. Romper esse cenário requer uma atuação direta sobre a qualidade da gestão, uma variável que está sob controle direto da empreendedora.

Gestão profissionalizada como resposta estrutural

A Work In, empresa fundada pela empresária Anndrêa Franco com o propósito de formar a próxima geração de mulheres CEOs do Brasil, posiciona sua atuação exatamente nesse contexto. A companhia utiliza a inteligência artificial de maneira estratégica, e não como ferramenta de conteúdo. A IA é adotada como infraestrutura de gestão e é aplicada à documentação de processos, à organização financeira, à estruturação do funil comercial e ao apoio a decisões embasadas em dados, fatores que compõem os aspectos verificados por analistas de crédito e investidores em processos de avaliação.

"O que se nega, na maioria das vezes, não é a empreendedora. É a ausência de estrutura que traduza o negócio em números. Quando a gestão vira dado, quando existe previsibilidade, processo e histórico organizado, a conversa com banco e investidor muda de patamar", afirma Andreza Costa, partnership da Work In e cofundadora do Movimento Elas no Comando.

Metodologia aplicada em programas de formação

O método da companhia é aplicado em imersões online gratuitas, programas presenciais, formações e treinamentos in company, além de fazer parte da reestruturação estratégica do negócio. O intuito é permitir que a operação seja menos dependente da fundadora, trazer previsibilidade à área comercial e transformar rotinas informais em processos documentados. Nesse cenário, a IA atua como um acelerador dessa profissionalização, aumentando a capacidade de execução sem aumento proporcional de capital ou de equipe.

"Não se trata de pedir que as mulheres provem mais do que já provam. Trata-se de construir empresas que os números consigam enxergar. Estrutura de gestão não é vaidade, é condição de acesso a capital e de poder econômico", diz a fundadora.

Implicações para o mercado de crédito e investimento

Esse contexto traz uma leitura dupla para o setor financeiro. No curto prazo, a profissionalização da gestão pode gerar uma melhoria das condições de acesso a crédito e investimento das empresas lideradas por mulheres, mesmo com o subatendimento atual. No médio prazo, o movimento deverá reduzir a distância entre a base do funil empreendedor (no qual as mulheres são responsáveis por uma parcela significativa da atividade econômica) e o topo, área em que ainda há uma sub-representação nas posições de comando. Se o gap de capital também se refere à estrutura de gestão, o fechamento dessa lacuna depende mais de indicadores passíveis de medição efetiva pelos analistas de crédito e menos de novas promessas.

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