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Vocabulário impreciso em contratos de IA dificulta comparação de propostas

Publicado em 25/08/2026 17:48

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Vocabulário impreciso em contratos de IA dificulta comparação de propostas -  (crédito: PulseBrand)
Vocabulário impreciso em contratos de IA dificulta comparação de propostas - (crédito: PulseBrand)

Órgãos públicos e empresas que avaliam propostas de inteligência artificial enfrentam um obstáculo comum na fase de comparação: o termo "treinar a IA" é utilizado por fornecedores para descrever até cinco serviços diferentes, com estruturas de custo e prazo distintas entre si. A avaliação é de Guilherme Friol, CEO da Vircos, empresa de engenharia de inteligência artificial corporativa.

Definição técnica do termo

Treinar um modelo de linguagem, no sentido técnico, corresponde à construção da inteligência a partir de grandes volumes de dados, processo que demanda infraestrutura de alto custo e equipes de pesquisa dedicadas. Segundo Friol, essa etapa é conduzida exclusivamente pelas empresas responsáveis pelos modelos de fronteira.

Há uma variação intermediária, o ajuste fino, em que um modelo já concluído é refinado com dados específicos de determinado contexto. Trata-se de técnica legítima, mas aplicada a uma fração restrita dos projetos corporativos.

Origem da imprecisão terminológica

Segundo o executivo, a padronização do termo tem motivação comercial, não técnica. "Marketing prefere simplicidade. Engenharia prefere precisão. Os dois raramente tomam café juntos", afirma Friol. Descrever o serviço com termos como pipeline de recuperação de informação, indexação de documentos e reordenação de resultados tornaria a comunicação comercial mais complexa.

Cinco categorias de serviço

Friol propõe a substituição do termo genérico por cinco descrições que correspondem ao escopo real de cada projeto: configuração da inteligência artificial, personalização da linguagem e formato das respostas, especialização em um domínio de conhecimento específico, fornecimento de base de conhecimento conectada a documentos e políticas institucionais, e criação de assistente especializado que combina os itens anteriores.

Cada categoria envolve esforço técnico e cronograma distintos. A configuração pode se estender por meses. Já a conexão de uma base de conhecimento institucional, incluindo tratamento de documentos, definição de permissões de acesso e verificação de fonte, constitui um projeto de engenharia com prazo e custo próprios.

Impacto da imprecisão em processos de contratação

De acordo com Friol, a ausência de precisão terminológica gera três tipos de custo: dificuldade de comparação técnica entre propostas concorrentes, expectativas desalinhadas quanto ao funcionamento do sistema após a implementação, e postergação de novos projetos quando o escopo entregue fica aquém do esperado.

Critérios recomendados para avaliação de propostas

O executivo recomenda três questionamentos para qualquer proposta que utilize o termo "treinar": quais dados institucionais serão acessados pela solução e qual o tratamento previsto; qual o procedimento de ajuste em caso de resposta incorreta e a quem compete essa responsabilidade; e quais elementos podem ser migrados em caso de substituição do fornecedor.

Segundo Friol, essas respostas tendem a esclarecer, de forma objetiva, qual das cinco categorias de serviço está sendo efetivamente contratada.

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