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Nota técnica de órgãos federais projeta El Niño forte para o segundo semestre de 2026

Publicado em 25/08/2026 18:21

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Nota técnica de órgãos federais projeta El Niño forte para o segundo semestre de 2026 -  (crédito: PulseBrand)
Nota técnica de órgãos federais projeta El Niño forte para o segundo semestre de 2026 - (crédito: PulseBrand)

A Nota Técnica Conjunta divulgada em 19 de junho pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), pela Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos) e pelo CENSIPAM (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) aponta probabilidade superior a 95% de persistência das condições de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com possibilidade de extensão até pelo menos o início de 2027 e potencial de intensidade forte a muito forte.

Convergência com dados internacionais

Os números do CPC (Climate Prediction Center), braço climático da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), reforçam a leitura técnica nacional. No início de junho, o órgão atribuiu 82% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho e 96% de chance de continuidade entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, com 63% de probabilidade de um evento de intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Impacto estimado na produção agrícola

Estimativa apresentada por Eduardo Assad, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) e ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente, projeta queda de 7% a 10% na produção brasileira de soja, milho, café e laranja em cenário de El Niño forte. O efeito não é uniforme: o fenômeno tende a agravar a estiagem no Norte, no Nordeste e em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, ao mesmo tempo em que favorece chuvas acima da média na Região Sul.

Setor produtivo responde com antecipação

A resposta já aparece na cadeia de fornecimento de infraestrutura hídrica. A Asperbras, fabricante de tubos e conexões de PVC e PEAD com sede em Penápolis (SP) e seis plantas industriais no país, relata aumento de pedidos ainda no primeiro semestre. "O que a indústria faz nesse intervalo é converter previsão climática em programação de produção", afirma Thiago Rosa, Diretor Comercial da empresa.

Do lado do portfólio, a companhia trabalha com tubos em diâmetros de DN15 a DN500 e conexões de DN15 a DN150, faixa que cobre da condução principal aos ramais de distribuição. No cenário atual, ganha relevância o formato de projeto sazonal, em que o produtor testa a irrigação em uma área antes de imobilizar capital em estrutura fixa.

O tema também dialoga com o planejamento de política pública para o setor. Estudos da ANA (Agência Nacional de Águas) e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional estimam o potencial irrigável do Brasil em até 55 milhões de hectares, ante os 2,2 milhões de hectares irrigados por pivôs centrais registrados pela Embrapa até outubro de 2024, um crescimento de mais de 14% em dois anos.

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