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El Niño: crédito e infraestrutura travam pequenos produtores, apontam técnicos

Publicado em 26/08/2026 08:27

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El Niño: crédito e infraestrutura travam pequenos produtores, apontam técnicos -  (crédito: PulseBrand)
El Niño: crédito e infraestrutura travam pequenos produtores, apontam técnicos - (crédito: PulseBrand)

Em 19 de junho, INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM divulgaram nota técnica conjunta apontando probabilidade superior a 95% de persistência das condições de El Niño no segundo semestre de 2026, com potencial de intensidade forte a muito forte e possibilidade de extensão até o início de 2027. O diagnóstico técnico reacende o debate sobre a desigualdade de preparo entre grandes e pequenos produtores diante de eventos climáticos extremos, e coloca em pauta a atuação do poder público no financiamento de estruturas de irrigação e mecanismos de seguro rural.

Diagnóstico da FGV: acesso a crédito é o principal gargalo

Guilherme Bastos, professor da Fundação Getulio Vargas e ex-secretário do Ministério da Agricultura, avalia que pequenos e médios produtores enfrentam mais dificuldades diante do fenômeno do que os grandes, que chegam mais preparados. Segundo o especialista, a diferença não está na competência técnica de quem produz, e sim no acesso a crédito, a seguro e a projeto técnico. A FGV, pelo professor Eduardo Assad, projeta que um evento forte pode reduzir de 7% a 10% a produção nacional de soja, milho, café e laranja.

Política pública: seguro paramétrico como alternativa

Bastos aponta como caminho de política pública os seguros paramétricos e mecanismos estaduais voltados a produtores sem acesso ao Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) ou a seguros privados, além de mapas de risco articulados entre estados e municípios. Segundo o especialista, irrigação e seguro não competem entre si: a primeira reduz a probabilidade da perda, o segundo cobre o que sobrar do prejuízo.

Dimensionamento técnico como fator de custo

Do ponto de vista técnico, o levantamento do setor aponta que o principal fator de custo em projetos de irrigação para pequenas propriedades não está na motobomba, e sim na linha de condução. Diâmetro de tubulação subdimensionado gera perda de carga, o que exige bomba de maior potência e eleva o consumo de energia elétrica de forma recorrente.

"A pergunta que mais recebo é sobre potência de bomba. Quase sempre a resposta certa está no diâmetro do tubo, que ninguém pergunta. Um projeto bem dimensionado na condução costuma custar menos e gastar menos energia do que um projeto que compensa tubo fino com bomba grande", explica Thiago Rosa, Diretor Comercial da Asperbras.

Modelo modular como alternativa de menor custo inicial

Uma alternativa apontada pelo setor para reduzir a barreira de entrada é o modelo de sistemas móveis de irrigação, que atendem uma área por vez e se deslocam conforme a necessidade, com tubos unidos por acoplamento mecânico em vez de solda química. O modelo permite ao produtor imobilizar capital em estrutura fixa apenas após comprovação de retorno na própria propriedade.

Certificação técnica do material

Sobre especificação de material, o setor reforça que o Tubo de irrigação opera sob pressão contínua, exposição solar e ciclos de montagem, exigindo material certificado dentro das normas técnicas vigentes. Fabricantes que operam a linha completa, de DN15 a DN500 em tubos e de DN15 a DN150 em conexões, possibilitam a aquisição de sistema integralmente compatível, sem necessidade de adaptação entre marcas distintas.

Cronograma: janela de decisão se fecha em setembro

O plantio da safra 2026/27 concentra-se entre setembro e outubro, período que também concentra a demanda nacional por tubulação de irrigação, o que torna o prazo de entrega tão relevante quanto o preço na decisão de compra.

Estrutura industrial do setor

A Asperbras foi fundada em 1985 por Francisco Colnaghi em Penápolis, no interior de São Paulo, e hoje opera seis plantas industriais em São Paulo, Rio Grande do Norte e Bahia, com capacidade de 60 mil toneladas por ano de PVC e 14 mil toneladas por ano de PEAD.

"Quem começou pequeno entende o produtor que está começando pequeno. O erro do setor foi tratar irrigação como produto de grande escala. Ela é infraestrutura, e infraestrutura se constrói por etapas", afirma Francisco Carlos Jorge Colnaghi, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Asperbras.

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