
A gestão de um programa de compliance abrange frentes distintas: políticas internas, treinamentos obrigatórios, processos de aprovação, declarações de conflito de interesses, canal de denúncias, solicitações de privacidade e obrigações regulatórias. Em grande parte das organizações, no entanto, essas informações permanecem dispersas entre sistemas, documentos e fluxos de trabalho que não se comunicam entre si.
Essa fragmentação tem custo direto para as equipes responsáveis pela área. Estudos de produtividade citados por Gartner e McKinsey indicam que profissionais do conhecimento chegam a dedicar entre 20% e 30% da semana de trabalho, o equivalente a cerca de 1,8 hora por dia, à busca de informações internas ou à alternância entre dezenas de aplicativos corporativos. Para o colaborador comum, o problema se traduz em não saber qual sistema acessar, onde localizar uma norma ou a quem recorrer para esclarecer uma dúvida.
A inteligência artificial (IA) começa a alterar esse cenário institucional. Após a consolidação dos chatbots voltados a respostas simples, surge uma nova geração de ferramentas capaz de interpretar solicitações, acessar diferentes bases de dados e executar tarefas dentro de ambientes controlados. Segundo levantamentos da IDC e da Gartner, a migração de modelos de linguagem (LLMs) e chatbots tradicionais para agentes de IA capazes de orquestrar tarefas entre sistemas distintos é apontada como a principal tendência do software corporativo, com estimativa de que mais de 40% das aplicações empresariais incorporem agentes autônomos e conversacionais até o fim da década.
Nesse contexto, a clickCompliance apresenta o Compliance Agent, evolução do chatbot que a empresa já operava. A solução foi desenvolvida para conectar os diferentes módulos da plataforma e converter a operação do programa de integridade em uma experiência conversacional única.
"Durante muitos anos, a transformação digital do compliance aconteceu de forma fragmentada. As empresas adotaram uma ferramenta para documentos, outra para treinamentos, outra para denúncias e diferentes controles para os processos da área. O próximo passo é fazer essas informações conversarem e torná-las acessíveis por meio de uma interface simples", afirma Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance.
Na prática, o Compliance Agent permite que o usuário faça perguntas em linguagem natural para consultar dados já existentes dentro do programa de integridade da organização. Um colaborador pode verificar se há alguma política pendente de aceite, se precisa concluir um treinamento ou preencher um formulário, além de buscar orientações sobre normas internas e sobre os canais disponíveis para relatar uma situação.
Já os profissionais da área de compliance podem solicitar informações mais amplas sobre a operação como um todo, acompanhar pendências e gerar análises. Entre os usos mais frequentes estão a solicitação de gráficos sobre engajamento em treinamentos, a listagem de documentos que aguardam aceite, a consulta a processos em andamento e a verificação de prazos ligados a obrigações regulatórias.
O acesso à ferramenta pode ocorrer tanto pela plataforma própria da clickCompliance quanto diretamente pelo Microsoft Teams, aplicativo que reúne mais de 320 milhões de usuários ativos mensais em todo o mundo e que se consolidou como ambiente de trabalho diário em boa parte das empresas. A proposta da integração é eliminar uma das principais barreiras à adoção de novas tecnologias corporativas: a necessidade de acessar mais um sistema para realizar uma tarefa simples.
"Não basta disponibilizar tecnologia. Para que ela gere valor, precisa fazer parte da rotina das pessoas. Ao levar o Compliance Agent para o Teams, aproximamos o programa de integridade do ambiente em que os colaboradores já se comunicam e trabalham todos os dias", explica Marcelo Erthal.
Automação a serviço do trabalho estratégico
Responder repetidamente às mesmas dúvidas, emitir cobranças, consolidar indicadores e localizar documentos são tarefas necessárias, mas que consomem parte relevante da rotina das equipes de compliance.
Ao automatizar essas atividades, a proposta não é substituir o profissional, e sim liberar tempo para que ele se dedique a funções que exigem análise crítica, investigação, avaliação de risco e apoio à tomada de decisão da liderança.
Segundo o CEO da clickCompliance, tarefas como distribuição de políticas, acompanhamento de aceites, registro de treinamentos, gestão de denúncias e geração de evidências podem ser digitalizadas, reduzindo a dependência de controles manuais e ampliando a rastreabilidade de toda a operação.
"A tecnologia não deve substituir o julgamento do profissional de compliance. Ela deve remover barreiras operacionais, organizar informações e entregar contexto para que as pessoas tomem decisões melhores. O valor da automação está em devolver tempo à equipe para atuar onde o conhecimento humano é indispensável", afirma Marcelo Erthal.
A mudança também beneficia o colaborador final: quando uma norma é difícil de localizar, dúvidas simples tendem a ficar sem resposta ou a ser resolvidas de maneira informal. Um canal acessível aproxima as pessoas das políticas, dos treinamentos e dos processos que sustentam a cultura de integridade da organização.
Integração entre módulos como próxima etapa
O Compliance Agent está conectado aos módulos de Governança de Documentos, Treinamentos de Compliance, Processos de Compliance, Canal de Denúncias, Canal de Privacidade e Regulatório.
A proposta de integração busca resolver um dos principais pontos cegos identificados pela empresa: embora façam parte do mesmo programa de integridade, esses módulos costumam operar em silos que pouco se comunicam entre si.
"O futuro não está em adicionar mais uma ferramenta à rotina. Está em conectar as informações que a empresa já produz e criar uma forma mais inteligente de utilizá-las. Quando documentos, treinamentos, processos e indicadores passam a fazer parte da mesma conversa, o compliance deixa de ser fragmentado e ganha capacidade de escala", conclui Marcelo Erthal.
Com o avanço dos agentes de inteligência artificial, a próxima etapa da transformação digital do compliance deve deixar de ser a automação de atividades isoladas para se tornar uma experiência integrada, na qual profissionais interagem com toda a operação de forma simples e orientada à ação.