
Empresas que avaliam fornecedores, parceiros ou investidas na América Latina ganham um novo critério de checagem documental. O LAQI (Latin American Quality Institute) estruturou seu framework de certificação, o LAQI Q-ESG Certification para que os documentos emitidos sejam registrados em blockchain, permitindo verificar autenticidade, data de emissão e versão metodológica de cada certificado.
A instituição faz uma ressalva importante para quem usa esse dado em due diligence: o registro em blockchain comprova a emissão do documento, mas não constitui, por si só, uma auditoria independente das práticas da empresa certificada. Ou seja, o blockchain garante que o documento é autêntico, mas não substitui a verificação de campo sobre o que a empresa de fato pratica, um cuidado que ganha peso em meio aos avanços tecnológicos do setor.
O que está por trás da nota
O certificado reflete uma pontuação de 0 a 100, construída a partir de quatro dimensões, Qualidade, Ambiental, Social e Governança, com 20 indicadores no total e peso de 25% para cada eixo. Os resultados são organizados em quatro níveis, Compromisso, Certificado, Avançado e Platinum, e cada dimensão precisa atingir uma pontuação mínima própria para que a organização seja elegível ao nível.
Para quem decide fechar contrato, admitir um fornecedor na cadeia ou aportar capital, o framework foi desenhado para reduzir a assimetria de informação entre empresas de portes diferentes.
"Uma PME não pode ser avaliada como se tivesse a estrutura de uma multinacional. Precisamos de modelos proporcionais, mas que não sejam superficiais. A maturidade pode ser medida considerando o porte e a realidade da organização, sem abrir mão de critérios objetivos", afirma Daniel Maximilian Da Costa, founder e CEO da LAQI.
Um critério a mais na avaliação de risco
Segundo o executivo, a possibilidade de comparar diferentes dimensões da gestão dentro de um mesmo documento ajuda empresas latino-americanas a enxergar riscos que nem sempre aparecem quando sustentabilidade, qualidade e governança são tratadas de forma isolada, um ponto relevante para quem avalia uma contraparte antes de uma negociação.
A metodologia também foi estruturada para uso em ambientes digitais, com dados organizados em formatos que podem ser processados por sistemas, o que facilita a checagem programática do certificado por quem precisa validar documentação em escala, como áreas de compliance e relacionamento com fornecedores.